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RESERVATÓRIO DO DESCOBERTO: Dois anos após início do racionamento em Brasília, água transborda na lotação máxima

Rodízio de cortes de água começou em 16 de janeiro de 2017 e durou 513 dias. No marco inicial, bacia amargava índice de 19,1%.

Há exatos dois anos, em 16 de janeiro de 2017, o Distrito Federal inaugurava um regime de racionamento de água para enfrentar a pior crise hídrica da história da capital federal.

Passados dois anos, em um cenário bem diferente, o reservatório do Descoberto opera com 100% da capacidade.

O rodízio de cortes de água começou justamente nesse reservatório, que abastece mais da metade dos imóveis da Grande Brasília. Naquele momento, a bacia amargava um índice de 19,1% – abaixo dos 20% considerados "gatilho" para o racionamento.


Os 100% registrados pela medição da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa) nesta quarta se repetem há 26 dias consecutivos, desde o fim de dezembro.

O reservatório do Descoberto não iniciava o mês de janeiro com capacidade total desde 2014.

 

Desde o dia 27 de dezembro, quando a bacia chegou ao volume máximo, é possível ver a água vertendo sobre as paredes do reservatório. Esse "excedente" segue o curso do rio e pode ser explorado por agricultores, ou continuar o caminho até Corumbá IV, já em Goiás.


Índice do reservatório do Descoberto desde 2014
Comparação se refere às medições feitas em 16 de janeiro de cada ano
Já a bacia de Santa Maria, nesta quarta, opera com 68% da capacidade. Passado o período de crise, o reservatório segue dentro dos padrões esperados e, agora, abastece mais quatro localidades da Grande Brasília.

Lembranças da crise

 

As lembranças do período em que houve rodízio de água continuam vivas na memória dos brasilienses. Quando a restrição começou, há dois anos, 6 em cada 10 moradores do Plano Piloto e cidades-satélties foram atingidos.

Após 43 dias, as pessoas que recebiam água da barragem de Santa Maria também começaram a enfrentar o rodízio. Ao todo, 557.820 moradores tiveram que readaptar a rotina para conseguir ficar pelo menos 24 horas sem água uma vez por semana.


Na época, impulsionada também pela crise hídrica, a Companhia de Saneamento (Caesb) deu andamento a 12 obras, totalizando um investimento de R$ 133,6 milhões no ano. As intervenções aumentaram a captação de água em 16,5%.

Segundo cálculos da própria empresa, a capacidade de puxar água da natureza passou de 9.500 litros por segundo para 11.076 litros por segundo, no auge de captação.

 

Fim do racionamento

 

O fim do rodízio foi anunciado em 3 de maio do ano passado. A decisão foi tomada na gestão de Rodrigo Rollemberg (PSB) com base, principalmente, nos níveis dos reservatórios.

A redução do consumo de água – estimada entre 12% e 13%, em um percentual que já inclui o impacto do racionamento – e a inauguração de obras emergenciais de captação no Lago Paranoá e no Córrego Bananal também influenciaram na decisão.

Uma terceira obra, que resultará no abastecimento de água potável a partir do sistema Corumbá IV (entre DF e Goiás), ficou para ser inaugurada no novo governo, de Ibaneis Rocha (MDB).

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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