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DUAS RODAS: Moradores de Brasília fazem 35 mil viagens por mês com bicicletas compartilhadas

Pelo menos três serviços de compartilhamento oferecem bikes e patinetes em Brasília. Veja como funciona e quanto custa.

Para quem vem de fora do "quadradinho", Brasília pode ser um lugar de grandes distâncias. Com isso, ir até a padaria, no comércio mais próximo, por exemplo, pode parecer até "uma viagem".

Talvez, por causa disso, a capital  federal tenha hoje 2,9 milhões de habitantes e 1,7 milhão de carros, conforme o IBGE e o Detran, respectivamente. Praticamente uma carro para cada duas pessoas, uma das maiores do Brasil.

"É uma das maiores médias do Brasil", diz o coordenador do Centro Interdisciplinar de estudos em Transporte da UnB, Pastor Willy Taco. A taxa de ocupação desses veículos, é ainda mais preocupante: 1,4 pessoa por carro, lamenta o professor.

Mas o morador da Grande Brasília começa a buscar alternativas de mobilidade.

As bicicletas compartilhadas, por exemplo, já fazem 35 mil viagens por mês, segundo a Secretaria de Mobilidade do Distrito Federal.

Somente no projeto +bike, uma parceria entre o GDF e empresas privadas, foram feitas mais de 1,3 milhão de viagens de 2014 a 2019. Uma das vantagens de utilizar o serviço, dizem os clientes, é o preço.

Estação na UnB do projeto +bike — Foto: Daumildo Júnior/G1

Para o universitário João Miguel, o valor é acessível – principalmente para quem é estudante.

 

“Dá para rodar bastante e tem várias estações."

 

Os passes do +bike, comprados por meio de um aplicativo, custam R$ 3 por um dia e R$ 6 para um mês inteiro.

O serviço oferece bicicletas compartilhadas em diferentes pontos – estações – do Plano Piloto e do Lago Sul (veja detalhes abaixo).

O +bike foi o primeiro em Brasília.

Segundo os usuários, uma das desvantagens do serviço é que a devolução das bicicletas precisa ser feita nas estações.


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Em janeiro passado, os brasilienses ganharam uma segunda opção de mobilidade: a Yellow. Além de bicicletas, a empresa também compartilha patinetes.

Mas é a facilidade de devolver o meio de locomoção em qualquer lugar, sem a necessidade de ir até as estações, que tem chamado a atenção dos moradores do Distrito Federal. Maria Gabbriela, de 24 anos, usa e abusa do serviço em Águas Claras, onde mora.

 

"O mais interessante é a possibilidade de não fixar as bikes em lugares específicos. Isso ajuda muito."

 

Os patinetes também foram bem recebidos pelos candangos. Além da Yellow, em março a startup Grin iniciou a oferta no "quadrilátero". As duas empresas oferecem o serviço em Águas Claras e no Plano Piloto.

 

E a periferia?

 

Embora já façam muito sucesso, as bicicletas e patinetes ainda não chegam a quem mais precisa de mobilidade, diz o coordenador do Centro Interdisciplinar de estudos em Transporte da UnB, Pastor Willy Taco.

Para ele, as pessoas que mais necessitam do serviço moram nas cidades satélite, distantes do Plano Piloto.

 

“As pessoas que moram longe carecem mais desses tipos de opções. E essa falta de oferta demonstra até uma certa desigualdade social.”

A Secretaria de Mobilidade diz que no planejamento da pasta "está previsto ainda mais 921,76 km de novas ciclovias/ciclofaixas" em diferentes locais do DF. Mas não fala sobre ampliar o compartilhamento de bicicletas para as regiões periféricas.

A Yellow informou que tem a intenção de expandir o serviço, mas não há nenhuma "novidade para Brasília". Já a Grin diz que estuda aumentar a área de Brasília nos próximos meses.

Tem lugar para circular?

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O Distrito Federal conta com mais de 466 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, de acordo com a Secretaria de Mobilidade. Uma realidade que melhorou nos últimos anos, segundo o estudante João Miguel.

O universitário mora em Águas Claras. Mas estuda e trabalha na Asa Norte.

 

“Gosto das ciclovias e, de uns anos pra cá, elas estão em quase todo o Plano Piloto”.

 

Maria Gabbriela conta que em Águas Claras os motoristas já se acostumaram com as ciclofaixas e estão respeitando mais o espaço dos ciclistas. Mas a situação é diferente em outras regiões, como em Taguatinga, aponta a estudante.

 

“Eu não me arriscaria em sair de Águas Claras para ir a Taguatinga, por exemplo, porque sei que não tem áreas para a bicicleta circular.”

Outra crítica é com relação a falta de manutenção e segurança das ciclovias. O professor Pastor Willy explica que os espaços reservados para os ciclistas não têm conexões seguras com as vias por onde circulam os carros. O especialista ressalta que, em muitos pontos, é preciso melhorar a sinalização.

A Secretaria de Mobilidade diz que estudos que identificam a falta de conexão já foram elaborados. Mas as obras ainda não data para começar.

 

"Com esse estudo, projetos executivos foram feitos para solucionar essa questão."

 

 

Quanto custa?

 

Entre patinetes e bikes, os preços e condições de uso variam entre as empresas. Confira o levantamento do G1 sobre as operações no DF:

+BIKE:

 

  • Passes para um dia: R$ 3
  • Para um mês: R$ 6
  • Para um ano: R$ 10
  • A pessoa pode usar a bicicleta durante uma hora e precisa devolvê-la em uma das estações. Para reutilizar a bike é preciso um intervalo de 15 minutos.

 

Yellow, bicicletas

 

  • R$ 1,50 por 15 minutos de utilização
  • Após o uso, a bicicleta pode ser deixada em qualquer local, dentro da área de cobertura

 

Yellow, patinetes

 

  • R$ 3,50 por uso
  • Mais R$ 0,50 por minuto

 

Grin, patinetes

 

  • R$ 3 para o desbloqueio e o primeiro minuto de uso
  • Mais R$ 0,50 por minuto adicional

 

 

Levantamento no Brasil

 

Um levantamento do G1 aponta que 13 capitais, além de Brasília, já contam o serviço para compartilhamento de bicicletas. Já os patinetes elétricos estão em 10 dessas cidades.

Veículos alternativos de mobilidade estão espalhados pelo Brasil

Veículos alternativos de mobilidade estão espalhados pelo Brasil — Foto: Rodrigo Sanches/G1

Em São Paulo, além de patinetes e bicicletas, os paulistas contam com o compartilhamento de scooters.

As lei de trânsito também podem causar dúvida nas pessoas, e a legislação não traz um capítulo para os patinetes. No entanto, os veículos se encaixam em uma outra categoria. Confira no vídeo como utilizar os veículos alternativos.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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