compartilhar

TST/TRT-DF: American Airlines proibida de usar detector de mentira para contratar

Teste do polígrafo era utilizado no processo de escolha de empregados no Brasil. Aérea foi condenada pela Justiça Trabalhista

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) confirmou decisão do Tribunal Regional da 10ª Região (DF/TO) e proibiu a empresa aérea American Airlines de utilizar detector de mentiras em entrevistas para seleção de funcionários.

O entendimento, defendido pelo Ministério Público do Trabalho do Distrito Federal (MPT-DF), autor da ação, é o de que a prática configura assédio moral e causa danos à imagem e à honra do trabalhador, além de violar a intimidade e sua vida privada.

As perguntas feitas com o equipamento eram de cunho pessoal, sobre temas como internação em hospitais, consumo de álcool ou drogas, antecedentes criminais e, até, teste de honestidade.

A aérea justificou a utilização do polígrafo como método de segurança, “pois é público e notório que pessoas mal-intencionadas se utilizam de aviões para fins escusos, como contrabando de mercadorias, tráfico de drogas e terrorismo”. Também defendeu que o teste é sigiloso e realizado por empresa especializada.Resultado de imagem para trt df

Para a procuradora Mônica de Macedo Guedes Lemos Ferreira, responsável por ajuizar a ação em 2011, “não se pode conceber o constrangimento e a violência à honra como instrumento de gestão empresarial, uma vez que o sistema jurídico de proteção à dignidade da pessoa humana não admite nem se conforma com tal afronta”.

No julgamento do recurso no TST, o ministro Hugo Carlos Scheuermann rebateu os argumentos da empresa e destacou que, de acordo com a jurisprudência do tribunal, a utilização do detector de mentiras viola a intimidade e não se justifica. Ele lembrou que a subseção especializada em dissídios individuais assinalou que no Brasil o polígrafo sequer é admitido na área penal, “em razão da sua ausência de confiabilidade científica”.

Rafaela Felicciano/Metrópoles

A empresa foi condenada ao pagamento de indenização no valor de R$ 1 milhão, a título de dano moral coletivo. Ela também recorreu por entender que o montante era excessivamente alto, em razão de atuar “em poucos aeroportos e com voos apenas para os Estados Unidos da América”.

O ministro relator não concordou com o argumento da defesa. Ele pontuou que a American Airlines “teve lucro líquido de US$ 1,91 bilhão em 2017 e que ocupa, atualmente, o posto de maior grupo global no setor de aviação, com uma frota de 1,5 mil aeronaves e receita operacional de US$ 42 bilhões.

Imagem relacionada

 

Fonte: *Via Metropole/Clipping

COMENTÁRIOS