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DESORDENADAMENTE: Vicente Pires está se tornando uma localidade cada vez mais vertical

Em vez de chácaras, edifícios sem autorização, planejamento e infraestrutura

Aos poucos e disfarçadamente, Vicente Pires se torna uma segunda Águas Claras. Quem passa às margens da EPTG observa o aumento de prédios com mais de quatro andares construídos no local. A cidade, antes repleta de chácaras, cresceu e deu lugar à uma área mal planejada, sem infraestrutura e com diversos problemas, principalmente no período chuvoso. 


As casas dão espaço a prédios cada vez mais altos, sem autorização e sem seguir normas mínimas de segurança. A maioria das edificações abriga quitinetes, o que multiplica o número de habitantes por metro quadrado, agrava o trânsito e sobrecarrega a infraestrutura pública. 

A equipe de reportagem do JBr deu uma volta nas principais avenidas e encontrou mais de 15 edifícios com mais de quatro andares. Alguns com mais de seis andares e cobertura. Uns ainda em construção, outros, já finalizados, fora os sobrados com inúmeras quitinetes. 


O que chama a atenção é o fato de os prédios serem construídos em meio a lotes residenciais e sem autorização concedida pelo governo. Os moradores têm opiniões divididas em relação ao crescimento desordenado do "bairro", encravado entre Taguatinga, Águas Claras, Via Estrutural e o Jockey Club.


O empresário Jonas Nascimento, 43 anos, defende que, antes da construção, seja feita a regularização. “É possível que Vicente Pires se torne tão grande quanto Águas Claras, o que seria bom para a localidade. Mas é uma situação complexa, que envolve moradores e governo. As autoridades não podem chegar derrubando o que está pronto. É necessária uma negociação”, avalia.

Para ele, as autoridades precisam dialogar com os proprietários de terrenos em locais planejados para abrigar equipamentos públicos, se necessário, até comprar o lote.

Além disso, Jonas acredita que é preciso que o governo invista em segurança e infraestrutura e regularizar os terrenos.  Ele acha arriscado investir em qualquer imóvel por causa da falta de Habite-se e do risco de ter uma propriedade demolida. 


A moradora Aparecida da Silva, 59 anos, por sua vez, diz que os prédios atraem usuários de drogas, que utilizam as construções para esconder entorpecentes e comercializá-los à noite. 


A estudante Thawane Aragão, 16 anos, vive em um dos prédios da região. “O fato de a cidade não ter planejamento ou infraestrutura adequados resulta em problemas em diversas construções, e muita gente constrói sem um projeto bem feito”, afirma.

Sem condições de abrigar mais moradores

Para o presidente da Associação de Moradores de Vicente Pires (Amovipe), Gilberto Camargos, a cidade não tem condição de suportar o número de pessoas que devem se mudar futuramente para os edifícios em construção. 


“São prédios construídos sem nenhum tipo de relatório de impacto de trânsito. Hoje, o tráfego da EPTG e da Estrutural já é caótico. Com mais moradores em Vicente Pires, não haverá saídas para a localidade”, critica o presidente da associação.


Camargos afirma que há mais de 20 prédios em construção e que há cerca de dez edificações com mais de  seis andares construídos. Ele reclama da omissão da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), que, muitas vezes, faz operações de demolição em casas habitadas, mas não age da mesma maneira com os prédios. 

“Não adianta embar-gar”

“É preciso coibir o início das obras. Nada adianta embargar, porque os proprietários entram na Justiça, e, aí, a Agefis não pode demolir. A fiscalização deve ser intensa. Não acho justo demolir o que já está pronto, mas, sim, evitar o aumento desses prédios”, explica. 


Gilberto Camargos reclama também que boa parte das edificações irregulares invade a área pública e ocupa as calçadas da cidade. Essa tendência em Vicente Pires provoca efeitos no dia a dia dos moradores, como transtornos na mobilidade. 


Versão oficial

Em nota, a Agefis informou que realiza ação permanente em Vicente Pires, e que todos os prédios construídos fora dos parâmetros pré-estabelecidos para a aprovação da cidade têm suas obras embargadas pela agência. Em alguns casos de embargo, os moradores ou proprietários foram intimados a demolir.


De acordo com a agência, os prédios embargados ou intimados a demolir podem ser alvo de operação da Agefis a qualquer momento. No entanto, nenhuma data foi repassada. Em relação à quantidade de andares permitidos em um edifício, a Secretaria de Gestão do Território e Habitação  (Segeth) informou que não há diretrizes urbanísticas para Vicente Pires porque  a cidade ainda está em fase de regularização. Alguns estudos apontam que o ideal são prédios de até seis andares.(*Por: Jurana Lopes)

 

Fonte: *JBr - Clipping

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