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NUNCA É TARDE: Projeto de alfabetização leva garis para sala de aula em cidade-satélite

Funcionários do SLU têm aulas duas vezes por semana. 'Quem não sabe ler é cego. Hoje, me sinto outra pessoa', diz participante.

Pegar ônibus, ler placas ou até mesmo ir ao supermercado parece simples e rotineiro para muitos.

Mas para os garis, que passam o dia na rua, não saber ler pode atrapalhar o trabalho e, principalmente, a vida pessoal.

Por isso, a empresa Sustentare Saneamento, em parceria com a Universidade Católica de Brasília (UCB), promove aulas de alfabetização para seus funcionários.

 

A metodologia do curso foi desenvolvida pela unidade de ensino, por meio do projeto filantrópico “Alfabetização Cidadã”.

A iniciativa nasceu em 2014 quando a empresa percebeu que alguns colaboradores tinham dificuldade para entender comunicados. Um levantamento feito pela Sustentare mostrou que 60% de seus 2,7 mil funcionários (1.620) são analfabetos ou não concluíram o ensino primário.

Desse ano para cá, 167 garis conseguiram descobrir um mundo novo por meio da leitura e da escrita. Maria Lúcia da Silva, de 54 anos, é uma das alunas do projeto – que atualmente tem 50 participantes.

"Quem não sabe ler é cego, não enxerga. Hoje me sinto outra pessoa, sou livre, ando sozinha, passeio, trabalho", disse Maria Lúcia.

Projeto de alfabetização leva garis para a sala de aula no DF; na foto, as alunas Ana Rosa da Silva e Maria Lúcia da Silva — Foto: Maria Ferreira/G1

A funcionária do SLU contou que sempre quis ingressar em uma faculdade, mas não saber ler e escrever a impedia de correr atrás desse sonho. Agora, ela planeja tentar uma vaga em um curso de agronomia.

Ana Rosa da Silva, de 57 anos, afirmou que, por causa da família, deixou de frequentar a escola na infância.

 

"Fugia para ir para escola, mas minha tia me batia. Ela dizia que quem estudava, naquela época, era mulher da vida e que moça de família não tinha que estar na escola."

 

Hoje em dia, Ana Rosa fala com alegria que, mesmo com certa dificuldade, já consegue escrever o próprio nome.

Para garantir a participação dos garis no projeto, as lições são ministradas durante o expediente. Os garis trabalham pela manhã, e à tarde vão para a sala de aula – duas vezes na semana

 

Olhar dos docentes

 

As aulas não mudam a percepção do mundo apenas para os estudantes. Os professores também têm sido tocados pela experiência.

Williani Carvalho, docente do curso, disse que a experiência a “reconstrói”:

 

"Ensinar pessoas que nunca tiveram a oportunidade de estudar, que não reconhecem o seu próprio nome, que estão em um mundo escuro, é extremamente gratificante".

Analfabetismo no Distrito Federal

 

Um levantamento do IBGE, feito em 2017, mostra que a Grande Brasília tem 60 mil pessoas acima de 15 anos que não sabem ler nem escrever. O contingente de analfabetos é maior que o de estados como Roraima (20 mil) e Amapá (29 mil), mas lá, a população total também é menor.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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