Image and video hosting by TinyPic

 

Image and video hosting by TinyPic

 

compartilhar

DIA NACIONAL DA ADOÇÃO: Mais de cem crianças e adolescentes aguardam por uma família na Grande Brasília

Vara da Infância revela dificuldades para modificar perfil da adoção; candidatos ainda preferem crianças pequenas.

O Dia Nacional da Adoção é comemorado neste sábado (25). No Distrito Federal, mais de cem crianças e adolescentes irão passar a data nas instituições de acolhimento, a espera de uma família.

De acordo com a Vara da Infância e Juventude (VIJ), das 556 famílias inscritas para a adoção no DF, 94% preferem crianças de até 3 anos incompletos. No entanto, os meninos e meninas destituídos do poder familiar, ou seja, aptos para ganharem uma nova família, "não se enquadram no perfil pretendido".

Os dados da Vara da Infância e da Juventude revelam a dificuldade para modificar o perfil da adoção. De janeiro a maio deste ano, 20 crianças foram adotadas no DF; nos últimos três anos, foram 192 adoções. As chamadas adoções tardias – de adolescentes e pré-adolescentes – correspondem, em média, a 1,3% desse total.

A psicóloga e presidente do Grupo de Apoio à Adoção Aconchego, Soraya Pereira, explica que o Dia Nacional da Adoção é importante para buscar construir uma nova cultura de filiação.

"A gente precisa conhecer o desconhecido e a gente só vai conseguir isso trazendo o desconhecido para o palco. No sentido de abrir esse conhecimento e de abrir espaço para as pessoas questionarem e lidarem de uma forma mais tranquila, aberta e sincera com o filho pretendido”, afirma.

 

 

Sonho realizado

Janete Koane, de 57 anos, adotou cinco crianças no DF.  — Foto: Janete Koane/Arquivo Pessoal

Janete Koane, de 57 anos, adotou cinco crianças 

A servidora pública Janete Koane, de 57 anos, sempre sonhou em ser mãe. Mesmo solteira, adotou o primeiro filho em 2001, quando tinha 39 anos.

Depois disso, não parou mais. Janete tem 5 filhos, todos por meio da adoção.


“Sou a mulher mais sortuda do mundo”.

A servidora reconhece que "as dificuldades existem, e não são poucas". Do aspecto financeiro ao emocional, afinal, diz ela "quase todos eles apresentam problemas de abandono”.

Mas a maternidade compensa, diz ela, que pretende aumentar a família. “Estou na fila para mais dois, tenho tido sonhos com mais dois. Deus me falou que o número é 7", afirma.

Janete faz graça, bem humorada, ao dizer que 7 filhos "é quase nada" perto do exemplo da mãe dela.


"Tenho metade da coragem da minha mãe. Ela teve 14 filhos."
  • A família deve procurar apoio
  • Mutirão tem como o objetivo a celeridade nos processos de adoção — Foto: TJMT/DivulgaçãoDe acordo com o psicopedagogo e orientador educacional, Abel Gonçalo, é necessário haver um acompanhamento por parte de todas as pessoas envolvidas no processo de adoção. "Tanto da Justiça quanto de profissionais que possam atestar o ambiente adequado para a nova rotina da criança ou adolescente, após ela chegar na família", explica.

    Gonçalo ressalta ainda a importância dos futuros pais buscarem orientação quanto ao desenvolvimento e o relacionamento com a criança. Todos os que vão conviver com o novo membro da família precisam estar conscientes do papel de acolhimento.

    Um exemplo, é a escola. "A família deve procurar o apoio do colégio e comunicar os pontos importantes para a equipe escolar. Assim, junto com os pais, poderão ser estabelecidas estratégias que auxiliem na adaptação à nova realidade da criança", diz ele.

     

    "Deve-se compreender que tanto a criança quanto a família e a escola precisarão se adaptar."

     

    Para Gonçalo, as necessidades individuais da criança devem ser respeitadas e suas vivências, competências e habilidades precisam ser valorizadas no novo espaço. Isso irá permitir uma melhor adaptação.

     

    Dificuldades no processo de adoção

     

    Segundo a advogada Nayara Ribeiro, especialista em direito e processo civil, uma das principais dificuldades do processo de adoção é a demora. "O tempo atrapalha o desenvolvimento e o acolhimento das crianças e adolescentes", diz ela.

     

    "A espera acaba gerando sofrimento para quem deseja adotar e para quem espera ser adotado."

     

    De acordo com a advogada, a maior dificuldade para os adotantes está no tempo de tramitação dos processos. "A Lei 13.509/17 tentou diminuir esse tempo e estipulou um prazo de 120, dias prorrogável uma única vez por igual período. Contudo, o cumprimento desse prazo ainda é um desafio para o judiciário", afirma.

    Um dos problemas, é a pouca quantidade de profissionais que trabalham na área técnica das Varas da Infância. São eles os responsáveis por todo acompanhamento dos casos de abandono, destituição do poder familiar e capacitação dos candidatos à adoção.


Passo-a-passo da adoção

Passo a passa da adoção no guia "Três vivas para a adoção", escrito por Fabiana Gadelha e Patrícia Almeida — Foto: Três vivas para a adoção/Reprodução

Passo a passa da adoção no guia "Três vivas para a adoção", escrito por Fabiana Gadelha e Patrícia Almeida

Para se preparar para os desafios da adoção, o guia também contém o passo a passo de como dar entrada no processo, e explicações sobre a "busca ativa" – quando ONGs e instituições do governo se juntam para viabilizar o encontro de famílias e crianças a partir de cadastros informais de todo o país.

 

Quem pode adotar

 

O Estatuto da Criança e do Adolescente estipula que os adotantes sejam maiores de idade, e tenham no mínimo 16 anos a mais que o adotado. Solteiros, viúvos e divorciados com condições socioeconômicas estáveis também podem se candidatar. Os pretendentes não podem ser dependentes de álcool e drogas, ou morar com pessoas que tenham esse perfil.

Os interessados devem procurar o fórum munidos do RG e de um comprovante de residência. Após análise e aprovação da documentação, eles serão entrevistados pela equipe técnica da Vara da Infância e da Juventude.

 

 

Fonte: *Via G1/Clipping

COMENTÁRIOS