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CRIME DA 113 SUL: Defesa de Adriana Villela, filha dos pais assassinados, quer suspender júri

Pedido de habeas corpus alega inconsistência nos laudos periciais que analisaram as digitais na cena do crime, ocorrido em 2009

Adefesa de Adriana Villela entrou com um habeas corpus pedindo que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheça a invalidade do laudo pericial que analisou as impressões digitais e palmar na cena do assassinato de três pessoas.

 

O caso ficou conhecido como Crime da 113 Sul.

 Adriana é acusada de ser a mandante do assassinato dos pais, o ministro aposentado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela e a advogada Maria Villela, e da funcionária da casa, Francisca Nascimento Silva. Eles foram mortos a facadas, em agosto de 2009, no apartamento da família, na 113 Sul.


Em junho deste ano, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou os embargos de declaração da defesa de Adriana Villela (foto em destaque) sobre o caso.

 

Desse modo, manteve o julgamento dela no Tribunal do Júri de Brasília, previsto para 23 de setembro. O que os advogados pretendem reverter com o habeas corpus é essa decisão. Se o ministro Roberto Barroso concordar com a defesa, poderá reconhecer a ilicitude do laudo de datação de impressão digital.

Assim, anularia a sentença de pronúncia e desmarcaria o julgamento.

“A subprocuradora-geral da República, doutora Cláudia Sampaio, deu um parecer técnico na semana passada em que reconhece que o laudo não é uma prova confiável. E que o caso não deveria ir a julgamento neste momento em razão disso”, afirmam os advogados de defesa de Adriana Villela, Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay) e Marcelo Turbay.

Omissão

À época da decisão no STJ, a defesa alegou que houve omissão nos laudos periciais. Entretanto, a Corte entendeu que o pedido não se sustentava e manteve a decisão inicial. No novo pedido, datado de 2 de setembro, a defesa diz que as acusações contra Adriana estão baseadas em “elemento probatório inservível, diante do vício de forma da prova”. Por isso, é pedida a nulidade do laudo.


“Desde o primeiro momento, nós impugnamos este laudo. Nós entendemos que os papiloscopistas não têm autoridade formal para fazê-lo. Depois, nós questionamos o próprio laudo e não existe precedente dele na literatura mundial”, afirmou Kakay.


Para os advogados, o julgamento no Tribunal do Júri foi marcado “mesmo diante da absoluta divergência entre os dois laudos e das conclusões apresentadas pelo Instituto de Criminalística, nas quais afirmou a completa fragilidade e incerteza das conclusões a que chegaram os peritos do Instituto de Identificação”.

Reprodução

Adriana, que sempre negou as acusações, foi denunciada pela prática de triplo homicídio qualificado: motivo torpe, emprego de meio cruel e de forma que dificultou a defesa das vítimas. A decisão da Justiça do DF determinou que ela fosse julgada pelo Tribunal do Júri. No entanto, os advogados da acusada tentaram desfazer essa pronúncia. Ou seja, buscaram reverter a sentença de que haveria indícios de Adriana ter cometido um crime doloso e, consequentemente, evitar o julgamento.

Caso em aberto

Segundo as investigações, após o ex-ministro chegar ao apartamento, por volta das 19h20, teria encontrado Francisca amarrada na sala e sido também imobilizado. Cerca de 30 minutos depois, Maria Villela entrou no imóvel e levou 12 facadas. José Guilherme recebeu 38 golpes, e Francisca, 23. Os corpos só foram encontrados após três dias, pela neta do casal, que estranhou a ausência de notícias dos avós.


Apontada como mandante do crime, Adriana Villela aguarda julgamento em liberdade. Envolvidos no caso e já condenados, Francisco Mairlon Barros Aguiar, ex-entregador de gás, e Leonardo Campos Alves, ex-porteiro do prédio, cumprem pena na Papuda. Paulo Cardoso, sobrinho de Leonardo e também acusado de esfaquear o trio, acabou condenado a 55 anos de cadeia. Ele está no presídio de Montalvânia (MG), pois respondia por outro delito no município mineiro.

Em agosto de 2018, o Metrópoles entrevistou Francisco. Ele disse ser inocente e que foi torturado psicologicamente pela polícia para confessar a participação no crime.

A arquiteta recebia, na época, uma mesada de R$ 8 mil. Porém, considerava pouco, o que motivava discussões acaloradas com os pais. Adriana é suspeita de ter contratado Leonardo por R$ 60 mil com o intuito de matá-los. Ele, por sua vez, teria prometido dar R$ 10 mil a Francisco para executar o crime.

Há quase oito anos, Adriana mora no Leblon, no Rio de Janeiro, em um apartamento dos pais. A herança deixada pelos Villela, estimada em mais de R$ 40 milhões, foi dividida entre ela e um irmão.

Trapalhadas na investigação

Trapalhadas e erros marcaram as investigações do Crime da 113 Sul. Em 19 de julho de 2018, o GDF cassou a aposentadoria de R$ 16 mil da delegada Martha Vargas, a primeira a presidir o inquérito do caso. Ela foi condenada, em segunda instância, a 16 anos de prisão por ter plantado provas a fim de incriminar três homens sem relação com o triplo homicídio.

Durante a fase de inquérito do crime, Martha recorreu a uma vidente para anunciar a elucidação do caso. A paranormal Rosa Maria Jaques contou ter visto uma foto do ex-ministro José Guilherme em um jornal. Então, o morto teria piscado para ela, indicando os responsáveis pela tragédia.

Com auxílio da líder espiritual, a delegada aposentada prendeu três suspeitos em Vicente Pires e apontou como prova principal uma chave do apartamento dos Villela. O objeto estaria em posse do trio. Para obter a confissão de Alex Peterson Soares, Rami Jalau Kalout e Cláudio Brandão, Martha e parte da equipe teriam torturado os três.

No entanto, dias depois, laudo do Instituto de Criminalística (IC) revelou que a chave apreendida era a mesma recolhida pela própria Polícia Civil na cena do triplo homicídio. Diante da denúncia em relação à prova plantada, Martha pediu afastamento da investigação. Assim, o caso passou a ser conduzido pela Coordenação de Crimes Contra a Vida (Corvida).

 

Fonte: *Via Metropole/Clipping

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