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DESCARTE DE LIXO: "Precisamos repensar a forma como fazemos", diz especialista de Brasília

Cada morador do Distrito Federal, produz cerca de 1kg de resíduos por dia. Mas o lixo não é um problema individual; entenda.

 

O hábito de colocar o lixo para fora de casa traz uma falsa sensação: a de que a relação e a obrigação com aqueles resíduos terminam ali, longe das nossas casas e dos nossos olhos.

 

Para a doutora em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB), Izabel Cristina Zaneti, é urgente repensar essa relação.

"O ser humano precisa se dar conta de que colocando o lixo para o lixeiro, ou jogando em terrenos vazios, resolve o problema individualmente. Mas ele não percebe que as áreas de lixo nas cidades estão cada vez mais sobrecarregadas", diz ela

 

"O lixo é um problema de toda a sociedade e não um problema individual."

 

 

Quanto lixo você produz?

De acordo com o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), cada morador do DF produz cerca de um quilo de lixo por dia. Parece pouco, mas fazendo as contas, se são quase 3 milhões de moradores na capital federal, esse "pouco" vira um amontoado de milhões de toneladas (veja mais abaixo).


Izabel Cristina Zaneti alerta para a necessidade de se observar que o lixo é um dos maiores problemas da atualidade. "No entanto, ao que parece, isso só é notado quando a coleta é interrompida e os garis deixam de recolher o lixo na porta de casa", afirma.

 

"Mesmo sendo recolhido, o lixo não deixa de existir. Ele apenas vai para outro lugar."

 

Na última semana, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), informou que a coleta de lixo na Grande Brasília passaria a ser em dias alternados e não mais diariamente.

 

Com isso, sacos e sacos se acumularam nas calçadas e nas ruas, causando mau cheiro e atraindo insetos e outros animais.

Segundo o Serviço de Limpeza Urbana, de janeiro a setembro de 2019 foram produzidas, em média, 64 mil toneladas de resíduos domiciliares por mês.

Veja os números de algumas localidades:

 

  • Ceilândia: 6 mil toneladas de lixo entre janeiro e setembro
  • Plano Piloto: 5 mil toneladas de lixo entre janeiro e setembro
  • Cruzeiro: 600 toneladas entre janeiro e setembro (local com menos produção de lixo)

Para Izabel Cristina Zaneti, cada indivíduo é responsável pelo material que comprou e pelo lixo que aquilo produziu.

 

"No momento que as pessoas pensam que é lixo, que não serve mais, que podem jogar para debaixo do tapete ou colocar na frente de casa que ele some, elas não sabem todo o ciclo daquele lixo."

Lixo x resíduo

A professora chama a atenção também para a diferença entre lixo e resíduo. "É necessário ter uma grande campanha de conscientização. Primeiro, que não é lixo e sim resíduo. Segundo, puxar a responsabilidade para si", diz Izabel.

 

"Eu comprei um material, eu tenho responsabilidade com ele e eu vou separar o lixo, principalmente o orgânico do seco."

 

 

  1. Lixo: todo material que não tem mais utilidade, não pode ser reutilizado ou reciclado e é jogado fora.
  2. Resíduo: todo material que entra na cadeia produtiva novamente, ou seja, é reciclável – sendo ele orgânico ou seco.

 

 

O que pode ser reciclado?

 

 

  • Plástico: garrafas e embalagens para refrigerantes, águas, sucos, óleos comestíveis, medicamentos e cosméticos, copos, canos, embalagens de material de limpeza e de alimentos, sacos
  • Papel: revistas, jornais, embalegens. O papel e o papelão são os materiais mais coletados e reciclados, graças aos catadores. No Brasil, 71% do papelão é reciclado, índice superior ao dos Estados Unidos
  • Vidro: garrafas, copos, recipientes. O vidro é 100% reciclável, mas no DF não há empresas de reciclagem
  • Metal: latas de aço e de alumínio, clipes, grampos de papel e de cabelo

 

 

Repensando o consumo: como produzir menos lixo

A especialista Izabel Cristina Zaneti destaca que é importante ter consciência para reduzir a produção de lixo. "Pequenas atitudes podem ser adotadas dentro de casa", diz ela.

"Por exemplo, basta ter apenas duas lixeiras diferentes: a de resíduo seco, e a de orgânico."

 

Outra questão, é aprender a reduzir o consumo e, assim, diminuir a produção de resíduos. Depois, reaproveitar antes de colocar fora", destaca.

 

Três R's

 

A política dos três R's também é uma referência para buscar o equilíbrio. Trata-se de reduzir, reaproveitar e reciclar.

 

 

  1. Reduzir: para diminuir a quantidade de lixo, a primeira atitude a fazer é reduzir o consumo. Antes de comprar, busque analisar se você realmente precisa daquilo, pois, além de diminuir a quantidade de resíduos, ainda é possível economizar.
  2. Reutilizar: procure reutilizar os objetos e materiais antes de jogá-los fora. É possível encontrar novas aplicações ou utilidades para materiais antigos e trazer uma segunda vida aos produtos e materiais.
  3. Reciclar: após tentar reduzir o consumo e reaproveitar o produto, encaminhe o material para ser reciclado, por meio da coleta seletiva. Além de ser um processo que ajuda o meio-ambiente, também é benéfico do ponto de vista social, pois gera renda para os catadores ou cooperativas.
  4. Coletiva Seletiva — Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

 

 

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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