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CENÁRIO CANDANGO: Impeachment deve mexer no tabuleiro do Distrito Federal para 2018

Daqui a exatos dois anos iniciam as convenções partidárias. Elas irão definir quais serão os candidatos a cargos majoritários. Serão colocadas em disputa duas vagas ao Senado e ao Palácio do Buriti.

*Por Ricardo Callado

 

Apenas um candidato pode se dizer que está definido. Rodrigo Rollemberg (PSB) será candidato, independente dos índices de avaliação. Só um desastre maior para tira-lo da disputa.

 

Rollemberg não vai esperar a definição dos adversários. Deve costurar uma chapa que possa recoloca-lo por mais quatro anos à frente do GDF. No primeiro ano de governo, abdicou da política.

 

O esticamento excessivo do discurso de herança maldita e o distanciamento do meio político não fizeram bem para o governo. Num cenário de terra arrasada, não soube passar esperança à população.

 

A estratégia política foi errada. Quando não se tem como fazer, deve-se pelo menos passar o sentimento de que pode ser feito e se pretende fazer. Ao invés de esperança, passou a impressão de que tudo estava perdido e nada poderia ser feito.

 

E pode sim. Muito pode ser feito. Mas precisa que o governo mude de postura. Aprenda a se comunicar com a sociedade de forma franca e direta. Rodas de conversa? Bobagem. Isso é muito bom para campanha, não para governar. 2018 não parece, mas é bem ali.

 

O processo de impeachment sugere que o Buriti ganhou certo sossego, fôlego. Mas só sugere. Se analistas consideram que o GDF saiu do tiroteio, estão errados. Que o governador poderia se ocupar de uma pauta positiva, também é uma miragem. Da mesma forma que todos os olhares estão para o cenário nacional, e não tem espaço para críticas ao Buriti, também não tem para elogios.

 

Tudo de bom que o governo está fazendo nesse momento passa despercebido. É uma pauta positiva sim, mas solenemente ignorada pela população. Além disso, a interlocução com a opinião pública ainda é falha.

 

Soma-se a isso que o impeachment está criando os adversários perfeitos para Rollemberg. Pelo menos três nomes surgem com players para a eleição e 2018.

 

Com uma provável assunção Michel Temer, o ex-vice-governador Tadeu Filippelli vai ocupar espaço estratégico no novo governo. Filippelli é ruim de voto, mas habilidoso na articulação e terá um cenário favorável.

 

Apenas com os dois partidos que tem na mão, PMDB e PP, somará oito minutos de tempo de televisão. É bom lembrar que Rollemberg teve cerca de 4 minutos em 2014, suficientes para ir ao segundo turno.

 

E ainda terá apoio do governo federal, uma máquina que pode fazer a diferença. O governo é uma meta mais distante, mas pode entrar competitivo para o Senado e montar uma boa coligação para o governo.

 

Será o candidato da barganha. O problema é que o ambiente mudou. Se o desgaste da marca política permanecer, significa que esse “modelo” pode não ser mais aceito pela população.

 

A derrocada da presidente Dilma e do PT coloca a ex-senadora Marina Silva (Rede Sustentabilidade) como uma das favoritas ao Palácio do Planalto. Para isso o partido não pode errar na posição que terá no processo de impeachment. Se colocar como alternativa viável, que pode trazer um sopro de esperança no contaminado meio político.

 

Um erro pode ser fatal e atingir os candidatos da Rede em todo o país. A rejeição e o desgaste que hoje o PT tem podem ser facilmente transferidos para os aliados de Marina e para ela própria.

 

No DF, mantendo um cenário favorável para Marina, e a Rede acertando sua posição em relação ao processo de impeachment, o líder do partido na Câmara Legislativa, Chico Leite, chega competitivo.

 

Chico Leite é pré-candidato ao Senado ou ao próprio Palácio do Buriti. Tudo vai depender do cenário político. A primeira opção é a preferida. Mas se o partido precisar de um palanque forte para Marina, Chico Leite estará disposto a disputar o governo.

 

Processos de impeachment criam heróis e vilões. O presidente da comissão, Rogério Rosso, que está analisando o afastamento de Dilma Rousseff, está entre um ou outro. Não tem como escapar de um rótulo.

 

A carreira política de Rosso está vinculada a de Dilma. E é também o que mais caminha para o desgaste. É muito difícil atravessar esse mar de politização sem assumir algum desgaste. Rosso sofrerá o efeito day after. Se a Dilma cair, o Rosso terá a marca da traição, se a Dilma ficar, o Rosso terá a marca da proteção à Dilma e ao PT.

 

Rosso pode ser culpado de alguma coisa, terá a “tarja” de alguma coisa, e isso terá reflexo em 2018. O Distrito Federal é uma das unidades da Federação mais politizadas. E onde a rejeição a presidente é maior. Mas onde o PT ainda tem um eleitorado fiel.

 

Rogério Rosso nunca tem uma nova chance de dar um grande salto na sua trajetória política. Se o GDF caiu no seu colo uma vez, pode novamente se tornar algo palpável. Uma postulação ao Senado, algo que já estava sendo construído, se tornará inevitável.

 

Outros nomes irão despontar para candidaturas majoritárias em 2018. Mas por outros meios, não pela atual crise nacional.

 

Em resumo, o impeachment tira de Rollemberg os holofotes das críticas, mas não acrescenta uma pauta positiva. Ao mesmo tempo em que fabrica adversários para 2018. E o governador, por uma questão institucional e pode necessidade de parceria, ainda tem que ficar em cima do de muro, ouvindo protestos dos dois lados. Se pode chamar isso de sorte, Rollemberg tem a seu favor que Filippelli, Chico Leite e Rosso não conseguiriam fazer uma composição, seja por questões ideológicas ou pessoais.

 

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