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SEM CRÉDITO: Polícia Civil investiga furtos de celulares em baladas de Brasília

Criminosos se aproveitam para lucrar alto com a distração das vítimas. Segundo dados mais recentes da Secretaria da Segurança Pública, de janeiro a outubro do ano passado, 2.053 aparelhos foram furtados, uma média de sete por dia

Quadrilhas especializadas em furtos de celulares estão na mira da Polícia Civil da capital federal.

De acordo com as investigações, grupos organizados chegam a comprar ingressos mais caros para facilitar o acesso a todos os setores de festas e shows que ocorrem na cidade, principalmente no Plano Piloto e em Taguatinga.


Os criminosos agem sorrateiramente, sem levantar suspeitas, observando as vítimas, monitorando e escolhendo um momento de distração para agir.

 

Em média, por dia, praticamente sete celulares são furtados no Distrito Federal, muitos enquanto as vítimas se divertem. Alguns modelos são vendidos no mercado paralelo por mais de R$ 2 mil.


 

O delegado-chefe da 5ª Delegacia de Polícia (Área Central), Marco Antônio de Almeida, explica que, durante grandes eventos, o número de ocorrências de furto aumenta. A organização dos criminosos chama atenção da polícia.


"Eles andam sempre bem arrumados e atuam em conjunto. Um primeiro elemento pratica o furto, repassa o aparelho para outro comparsa e foge do flagrante, já que, quando é abordado, a polícia não encontra nada" - Marco Antônio de Almeida, delegado-chefe da 5ª DP.


Álcool e distração
Nas baladas, os bandidos contam com a ajuda de vários fatores: aglomeração, som alto e a distração das vítimas, que muitas vezes estão sob influência de bebidas alcoólicas, o que facilita muito o furto.

 

A principal dica é não levar o celular nos eventos. Mas, em tempos de selfies, como abrir mão do smartphone? A universitária Camila Braga, 22 anos, que entrou na estatística no ano passado, sabe que é difícil deixar o aparelho em casa.


“Fui furtada em um show no Mané Garrincha. Costumo fazer fotos e gravar vídeos nos eventos e, como estava no camarote, tive a falsa impressão de ser um local seguro. Guardei no bolso de trás da calça e, quando precisei ligar para o meu pai, notei que não estava mais lá. Foi muito rápido, não vi nem senti nada”, conta Camila.


No Plano Piloto, apenas entre janeiro e outubro do ano passado, último dado fornecido pela Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social, 5.724 aparelhos foram furtados na cidade.

 

A região do Plano Piloto concentra quase metade das ocorrências: 2.053.

Em Taguatinga, foram 602 registros.

Segundo a Polícia Militar, nos primeiros três meses deste ano, 871 aparelhos furtados em todo a Grande Brasília acabaram devolvidos a seus proprietários.


BoateMichael Melo/Metrópoles
O bancário Marcelo Diniz, 32 anos, também foi vítima dos criminosos. Ele estava em uma festa em uma boate da cidade quando teve seu smartphone levado.

 

“Tinha comprado o celular uma semana antes do crime, custou R$ 3 mil. Registrei ocorrência, mas não tenho esperança que encontrá-lo”, lamentou.


De acordo com a polícia, os smartphones são vendidos rapidamente em feiras da cidade, como a do Rolo, em Ceilândia, e até mesmo na internet, em sites de venda e redes sociais.

“Muitas vezes, o anúncio entra na web no mesmo dia do furto. O valor cobrado por alguns aparelhos é o mesmo do praticado no mercado. Os rendimentos são altos, e as oportunidades para cometer os crimes são proporcionais”, ressalta o delegado Marco Antônio de Almeida.


Morte
Embora o furto de celulares seja uma infração de menor poder ofensivo, pode representar a porta de entrada para crimes bem mais graves, incluindo assassinato. Wesley Sandrikis Gonçalves, 29 anos, foi morto no bloco de carnaval Encosta Que Cresce, em 30 de janeiro.

 

Segundo a Polícia Civil, o óbito está relacionado a um desentendimento com Francisco Gervásio Damasceno, 31, que foi preso em Manaus.


Segundo a polícia, os dois integravam uma quadrilha especializada no furto de celulares e costumavam agir em festas no centro da capital federal. Francisco achou que Wesley o entregou para um segurança durante um evento e cobrou satisfação. Os dois brigaram e a discussão terminou na morte do jovem.


Dicas para evitar furtos:
– Evitar deixar o celular à mostra em locais movimentados
– Não guardar o aparelho no bolso traseiro da calça
– Cuidado redobrado em shows e em eventos de grande porte
– Evitar utilizar o celular em áreas isoladas
– Não deixar os aparelhos sobre a mesa em bares e restaurantes
– Para reaver os celulares furtados, o dono deve ter a nota fiscal do aparelho e o número do Imei (uma espécie de código de identificação) do telefone. A partir desses dados, a Polícia Civil pode identificar os donos dos celulares apreendidos e retorná-los aos proprietários

 

Fonte: *Metropole - Clipping

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