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"SÓ DESEMBARCA COM A PF": Ato em avião contra deputados pró- impeachment tem 73 detidas no Aeroporto JK

Mulheres reagiram à entrada de parlamentares com gritos 'contra o golpe'. Todas foram liberadas após prestar depoimento à Polícia Federal.

"Fizemos gritos de guerra contra os dois [deputados] em relação à questão do golpe. Após isso, o comandante, como iniciou o processo de decolagem, pediu que a gente ficassem em silêncio. Em nenhum momento ninguém desrespeitou. Quando chegou no solo aqui em Brasília, voltamos a fazer os mesmos gritos. Aí o comandante estava taxiando, entrou em contato com a Polícia Federal e disse que nós só poderíamos sair da aeronave com a presença da PF" - Jéssica Sinai, assessora presidente da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da Assembleia Legislativa da Bahia


A Polícia Federal deteve em Brasília na tarde desta terça-feira (10) 73 mulheres que protestavam contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff a bordo de um avião da TAM.

 

A confusão começou quando dois deputados federais que votaram pelo afastamento da petista – Jutahy Magalhães Júnior (PSDB-BA) e Tia Eron (PRB-BA) – entraram na aeronave, ainda em Salvador (BA). Não houve agressão física. Todas foram liberadas após depoimento.


O grupo conta que reagiu à entrada dos parlamentares com gritos “contra o golpe” antes da decolagem e repetiu os cantos após a aterrissagem, às 13h. O comandante do voo avisou então que acionou a polícia e que ninguém deixaria o avião até que os agentes chegassem.


Os outros passageiros foram liberados com a chegada da PF, e as mulheres precisaram apresentar documentos pessoais. Parte do grupo passou mal, e uma das manifestantes foi atendida dentro da aeronave por ter tido aumento de pressão.

Mulheres que foram detidas em avião em Brasília durante protesto contra deputados favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (Foto: Jéssica Sinai/Arquivo Pessoal)

As mulheres, que ficam na cidade entre os dias 10 e 13 de maio para a 4ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, foram depois de uma hora e meia levadas para a sala da Polícia Federal no aeroporto. Assessora presidente da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da Assembleia Legislativa da Bahia, Jéssica Sinai disse que a situação foi constrangedora.

 

“Fizemos gritos de guerra contra os dois [deputados] em relação à questão do golpe. Após isso, o comandante, como iniciou o processo de decolagem, pediu que a gente ficassem em silêncio. Em nenhum momento ninguém desrespeitou. Quando chegou no solo aqui em Brasília, voltamos a fazer os mesmos gritos. Aí o comandante estava taxiando, entrou em contato com a Polícia Federal e disse que nós só poderíamos sair da aeronave com a presença da PF”, conta.


Segundo ela, os agentes disseram que elas estavam detidas por colocar em risco a segurança da aeronave. “Aí a gente não aceitou esse tipo de acusação, porque não colocamos em risco a aeronave, porque apenas nos manifestamos e em momentos que não atrapalharam a condição de voo.”

Também delegada na conferência, Cristina Gonçalves criticou a abordagem. “Nós viemos para a Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, e a gente se manifestando ordeiramente, falando palavras de ordem. Quando o voo estava descendo, chamaram a Polícia Federal. Eles foram retirados pela Polícia Federal, e nós ficamos quase uma hora no voo.”

Por e-mail, a TAM disse que foi necessário o apoio da Polícia Federal "em função de comportamento indisciplinado de clientes a bordo". Os passageiros que embarcariam na aeronave no voo seguinte foram remanejados.

"A empresa reforça ainda que segue os mais elevados padrões de segurança, atendendo rigorosamente aos regulamentos de autoridades nacionais e internacionais", informou em nota.


As mulheres só foram liberadas pouco antes das 16h. Não houve registro de ocorrência. As deputadas Maria do Rosário (PT-RS) e Moema Gramacho (PT-BA) e a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) foram ao aeroporto prestar apoio às mulheres.



Por meio da assessoria, a vereadora baiana Aladilce Souza criticou o ocorrido. “Essa prisão é absurda, fere o direito de livre expressão e é uma medida desproporcional e abusiva, sobretudo porque a manifestação foi pacífica e não pôs em risco o voo, nem seus passageiros”, declarou em nota.

Votação no Senado
O protesto aconteceu um dia antes da sessão do Senado que define a abertura ou não do processo de impedimento da presidente Dilma Rosuseff, previsto para começar às 9h desta quarta-feira (11). Uma interrupção ocorrerá ao meio-dia. A discussão será retomada às 13h e interrompida novamente às 18h. A sessão deve então ser retomada às 19h e seguir até o final da votação.


Se o parecer for aprovado pela maioria simples dos senadores (metade dos presentes mais um), a petista será afastada por 180 dias da função. Com isso, o vice Michel Temer assume a presidência da República.


Representantes de movimentos sociais chegaram a fechar vias em 12 estados e no DF nesta terça em protesto contra o impeachment. Sistemas de transporte público também foram afetados. Atos fazem parte de dia nacional de paralisação a favor de Dilma Rousseff.

Nesta segunda, o presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA) chegou a anular a votação feita pelos deputados nos dias 15, 16 e 17 de abril, acolhendo pedido feito pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo. O substituto de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) recuou e revogou a própria decisão horas depois.(*Por: Raquel Moraes, colaborou Pedro Paulo Borges)

 

Fonte: *G1 - Clipping

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