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PERDAS & DANOS: Após estiagem, Distrito Federal estima prejuízo de R$ 116 milhões na produção de milho

Perda é de 2,5 milhões de sacas de 60 kg, equivalente a 70% do total. GDF emitiu nota técnica para embasar produtores em financiamentos.

"O milho bom que colhemos nesta safra era tipo o ruim do ano passado" - Lucas Michalski, produtor rural

O Governo do Distrito Federal estima prejuízo de R$ 116 milhões e redução de 70% na produção de milho, por causa da estiagem entre fevereiro e abril.

 

De acordo com a Secretaria da Agricultura, isso significa 2,5 milhões de sacos de 60 quilos do grão a menos na colheita.

 

A pasta emitiu nota técnica para embasar e apoiar produtores que não puderem cumprir contratos ou solicitar novos financiamentos.

Técnico da Emater mostra milho com 'vãos' em Brasília; governo estima prejuízo de R$ 116 milhões na produção do grão após estiagem (Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília)

Técnico da Emater mostra milho com 'vãos' em Brasília; governo estima prejuízo de R$ 116 milhões na produção do grão após estiagem

 

Estudo do GDF apontou que o fenômeno El Niño, que ocorre no Oceano Pacífico, afetou as chuvas no Brasil. A média pluviométrica de Brasília em abril é de 123,8 milímetros; de março, de 180,6 milímetros; e de fevereiro, de 217,5 milímetros.

 

 

Neste ano, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 10,8 milímetros em abril, 151 milímetros em março e 84,9 milímetros em fevereiro.

Produtor rural caminha por propriedade com plantação de milho em Brasília; homem calcula produzir 90 toneladas a menos neste ano por causa da estiagem (Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília)
Produtor rural caminha por propriedade com plantação de milho em Brasília; homem calcula produzir 90 toneladas a menos neste ano por causa da estiagem


Os grãos produzidos na área rural da Grande Brasília são usados principalmente na ração para porcos e aves. O secretário da Agricultura, José Guilherme Leal, explica que é possível que haja impacto no preço dessas carnes futuramente.

Ele também diz que, se necessário, pedirá ao Ministério da Agricultura ajuda para repor o déficit de milho e não comprometer o preço das carnes para o consumidor brasiliense.

O gestor afirma que o governo federal tem estoques com o grão para esses momentos.


O gerente e técnico da Emater em Tabatinga (Planaltina), Lucas Pacheco, afirma que a região é produtora de grãos e que a seca impactou os produtores. De acordo com o gerente, antes da divulgação da nota técnica, ele preparou laudos que comprovassem a perda na agricultura. “Teve gente que perdeu 100%”.

A Secretaria da Agricultura entrevistou 59 produtores de milho, dos quais 53% apresentaram uma estimativa de quebra da produção do que foi plantado.

 

O produtor Lucas Michalski, de 31 anos, planta milho e outros grãos desde os 16 anos. A família tem uma fazenda de 60 hectares no Núcleo Rural de Tabatinga, em Planaltina (a 54 quilômetros da Rodoviária do Plano Piloto). O agricultor calcula que terá uma perda de 1,5 tonelada por hectare plantado – o equivalente a 90 toneladas de grãos a menos nesta safra.


Apesar de haver queda na produção, Michalski acredita que não terá prejuízo financeiro. Como a quantidade de milho no mercado diminui, o preço para cada saco aumenta. Segundo o agricultor, a média de preço por saco é de R$ 18. “Neste ano, me ofereceram até R$ 50”. Para este ano, Michalski ele cerca de R$ 90 mil.


O milho considerado bom pelo produtor é aquele que tem a espiga coberta de grãos. Porém, Michalski diz que o material está cheio de vãos. “O milho bom que colhemos nesta safra era o ruim da do ano passado”, declarou à Agência Brasília.

Ele disse que teve sorte porque não fechou contrato nem precisou de financiamento para fazer a produção. “Se eu tivesse fechado compromisso, não teria como arcar agora porque a quantidade mínima a ser entregue é estabelecida antes. E eu nunca produzi tão pouco.”


Segundo o GDF, a situação não é diferente no restante do país, terceiro maior exportador de milho no mundo. O Espírito Santo também teve produção abaixo do esperado para esta época do ano e, para conseguir controlar a redução, o estado tem importado milho da Argentina. Leal afirma que esse não é um risco para Brasília. Segundo ele, não há previsão para que a capital precise importar produções.

Colheita de milho no DF; governo estima prejuízo de R$ 116 milhões na produção do grão após estiagem (Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília)
Colheita de milho no Distrito Federal; governo estima prejuízo de R$ 116 milhões na produção do grão após estiagem 

 

Fonte: *G1 - Clipping

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