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SUBMUNDO DO FUTEBOL CANDANGO: Gravação desnuda o submundo do "futebol de Brasília"

Chantagens, propinas, cambistas, gravação, "diz-que-me-diz daqui, diz-que-me-diz dacolá"

A grandiosidade do Estádio Mané Garrincha é absolutamente desproporcional a qualidade do futebol que se pratica no Distrito Federal. Isto é fato.

 

Seria um exercício quase milagroso tentar estabelecer um parâmetro comparativo entre o novo Mané Garrincha e qualquer outra época do futebol candango.

 

Nem mesmo nos gloriosos tempos em que o Gama e pouco depois, o próprio Brasiliense, formaram equipes competitivas e que chegaram a disputar com muita dignidade os principais campeonatos nacionais, poderiam justificar a construção de um estádio de tamanha proporção.

 

Até o momento o Estádio Nacional não deu lucro para os cofres do Distrito Federal. Copa do Mundo, Shows e PPPs que não saíram cabeça e muito menos do papel, se somam ao discurso mentiroso para justificar uma farra de R$ 2 bilhões com dinheiro público.

 

Enquanto não se encontra uma solução criativa e legal para transformar o grande “elefante branco” num equipamento público que possa gerar receitas para o DF, a cartolagem local, chancelada pela Federação Brasiliense de Futebol, parece ter encontrado uma forma de “encher as burras”. Trazer jogos de grandes clubes brasileiros para o Mané tem sido o meio escolhido para tanto.

 

Um áudio recebido pela redação, cujo conteúdo parece se tratar de uma conversa telefônica entre o empresário Leandro Franco de Brito e o advogado, presidente do Bolamense e ex-diretor jurídico da FBF, expõe um suposto esquema de favorecimento de cartolas, empresários e até de políticos.

 

Quem é quem


O empresário Leandro Franco de Brito se apresenta como sócio do ex-jogador Roniéliton Pereira Santos, que fez fama nos principais clubes brasileiros pelo nome de Roni. O ex-jogador encontrou na compra do mando de campo de clubes, um legal e rentável filão. O negócio se resume em levar jogos de times importantes e com grande torcida, para locais onde o futebol local não desperta o interesse necessário para lotar estádios. Portanto, Brasília se tornou terreno fértil para que Roni e seu sócio pudessem faturar alto.

 

O advogado Antônio Teixeira, presidente do Bolamense Futebol Clube, é uma figura controversa do futebol local. Teixeira tem conseguido manter sua influência na Federação Brasiliense de Futebol, em troca do oferecimento de seus conhecimentos jurídicos a cúpula diretiva da FBF. Astuto, Teixeira sempre consegue adequar os seus interesses e de seus representados aos termos do estatuto da entidade; e quando não, tem mostrado a coragem suficiente para “peitar” as regras e deixar para discutir no âmbito judiciário, onde o tempo lhe tem sido sempre favorável.

 

A conversa


Na gravação do que seria uma conversa telefônica entre Leandro e Teixeira (conhecido como Pastor), o empresário tece um rosário de críticas à conduta de Neymar Frota, Diretor de Futebol e Logística da Federação Brasiliense de Futebol. Indignado, Leandro afirma que Neymar estaria se locupletando financeiramente com a venda, para cambistas, da cota de ingressos destinados aos clubes federados, por ocasião de cada jogo contratado. 

 

Segundo informação de um integrante da diretoria da FBF que não quer se identificar, Neymar recebeu do presidente da FBF, Erivaldo Alves, a delegação de poderes para tratar de todos os assuntos inerentes a realização de jogos empresariados no Mané Garrincha. Essa atribuição, segundo Leandro alega na gravação, tem sido utilizada por Neymar de maneira que por vezes se confunde com chantagem. Num dos trechos da gravação, Leandro afirma que Neymar sempre lhe ameaçava com “....se não me der o bar eu não libero o jogo pra cá.....não libero os alvarás...”.

 

Leandro afirma que chegou a dar 350 ingressos de cortesia a Neymar, e que desconfiado de que o diretor da FDF não estaria dando o destino correto aos mesmos, determinou a uma pessoa de sua confiança que seguisse o Neymar. Segundo Leandro, Neymar foi pego negociando os ingressos com cambistas. Flagrado, desconversou.

 

Num outro trecho da conversa, o Pastor Antônio Teixeira defende que o atual presidente da FBF não teria qualquer responsabilidade com as supostas atitudes do Neymar, no entanto, tudo é muito estranho.  No ano passado, uma matéria do jornalista Ary Filgueira do portal Metrópoles, mostrava que Neymar, através de vários áudios de conversas no whatsapp, acusava o Presidente Erivaldo de comercializar com cambistas os ingressos de cortesia (recebidos por Leandro) do jogo Botafogo x ABC (RN). Como disse antes, isso tudo é no mínimo muito estranho: como o presidente denunciado (Erivaldo), delega atribuições para seu denunciante (Neymar), dentre as quais, controlar os ingressos de cortesia?

 

Na continuação da conversa telefônica, Leandro se diz cansado das “chantagens” do Neymar e decide procurar diretamente o Erivaldo, presidente da Federação de direito. Erivaldo, por sua vez, diz desconhecer as ações de Neymar, e ainda afirma pensar que ele (Neymar) seria pessoa da confiança de Leandro e seu sócio Roni. Mais uma vez é muito estranho que a fonte de origem da principal arrecadação de recursos da Federação, não desperte o interesse, nem o olhar mais atento do presidente da entidade.

 

O Bar


Segundo Leandro, um dos principais objetos de “barganha” que Neymar utilizaria para facilitar a “liberação” dos jogos, é que a exploração do bar sempre deveria ser entregue para o empresário conhecido como Marcelo da Adega, que seria sua pessoa de confiança. Só no jogo realizado entre Vila Nova x Vasco (16/05), Leandro estima que a dupla Marcelo e Neymar, tenham lucrado algo em torno de R$ 200 mil.

 

Marcelo da Adega, como é conhecido, mantém laços políticos com o Vice-governador do DF, Renato Santana, chegando, inclusive, a ser indicado por Santana para assumir a importante Administração de Ceilândia.

 

O Vice-governador


As supostas chantagens relatadas por Leandro ao Pastor Antônio Teixeira, chegam ao ponto de envolver até mesmo o nome Vice-governador do DF, Renato Santana. Segundo Leandro, Neymar usa e abusa de uma suposta relação de amizade com Santana, ao ponto de ter pedido ao Roni, e de ter recebido em sua conta corrente, 3 depósitos de R$ 10 mil cada, que teriam, segundo o próprio Neymar, como destino o Vice-governador.

 

Não é a primeira vez que vazam áudios, e-mails e whatsapp’s envolvendo dirigentes da Federação Brasiliense de Futebol. Tudo que vem a público, certamente, parte daqueles que de alguma forma ou em algum momento sentem seus interesses prejudicados em favor de uma ou outra “facção” atuante no mundo da bola local.

 

A verdade é que o comando do futebol candango, se é que pode se chamar de comando, permanece nas mãos dos mesmos que contribuíram para uma intervenção judicial na FBF, dos mesmos que supostamente fraudaram a última eleição para colocar Josafá Dantas na presidência, dos mesmos que o depuseram e dos mesmos que enxergam a Entidade como uma porca cheia de tetas.

 

Talvez a citação do nome de uma alta autoridade local, por mais estapafúrdia que seja, venha ser o estopim necessário para que se faça uma verdadeira devassa nos contratos firmados pela federação, sobretudo naqueles que envolvem o uso do Mané Garrincha, que afinal de contas é patrimônio de todos os brasilienses.

 

Íntegra do áudio: https://www.youtube.com/watch?v=kM-PRC8YVuM

 

Contatamos a assessoria de imprensa do Vice-Governador, que se manifestou com a seguinte nota:

 

"O vice-governador Renato Santana repudia veementemente qualquer tentativa espúria de associar o seu nome a práticas ilícitas em quaisquer atividades. Destaca que ninguém tem autorização para falar em nome dele em disputas como a da Federação de Futebol de Brasília, da qual não é agente envolvido, e reitera que vai acionar na Justiça, até às últimas instâncias, aqueles que o citam como partícipe e tentam, com outros interesses, manchar o nome Renato Santana no cenário político da capital da República."

 

Por João Zisman

Da Redação

 

ATUALIZAÇÃO

 

Jogos no Mané: Empresário e Federação Brasiliense de Futebol emitem nota

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Fonte: *Politiquês - Clipping

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