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TAXISTAS X UBER: Polícia Civil apura conflitos entre motoristas de ambas categorias e vai ouvir líder sindical

Presidente do Sinpetáxi teria incitado violência em entrevista; ela nega. Turistas foram confundidos com Uber e espancados; dois serão indiciados.

A Polícia Civil de Brasíliainvestiga dois casos de agressão envolvendo taxistas e motoristas do Uber nas imediações do Aeroporto Internacional JK, entre terça (31) e quarta-feira (1º).

 

Segundo o delegado-chefe da 10ª DP (Lago Sul), Plácido Rocha, um dos envolvidos já foi identificado. A presidente do Sindicato dos Taxistas, Maria do Bomfim, também será ouvida pela corporação.


"Quem tem esse tipo de atitude corre o risco de matar uma pessoa. É o que a gente chama de dolo eventual. a polícia não vai ser complacente com esse tipo de coisa", diz Rocha.

O delegado afirmou que a líder sindical, conhecida como "Mariazinha dos Táxis", pode ter estimulado a categoria a agir com violência contra os condutores de Uber.


Em entrevista à TV Globo, ela negou a hipótese. "Isso não é verdade. O sindicato, toda a vida, pregou a paz, a união e o respeito. Negativo. O sindicato está ao lado da categoria, orientando. Agora, chega uma hora que cansa. Não é que a gente está pedindo, insinuando, mas uma hora cansa", diz Maria.


Imagens de câmeras de segurança devem ajudar a polícia a identificar os envolvidos no confronto. Os motoristas podem ser indiciados por dano qualificado e tentativa de homicídio – a pena somada por ultrapassar os 30 anos de prisão.


Agressões
Na noite de terça, Quatro irmãos foram perseguidos, encurralados e espancados por taxistas depois de serem confundidos com motoristas do Uber no Aeroporto JK. Eles haviam acabado de desembarcar no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek e seguiam de carro para Ceilândia.


Uma das vítimas por causa da confusão, o vendedor Clécio Alves conta que a família vinha de Recife (PE). A mulher de um dos homens os esperava no saguão do aeroporto. O grupo entrou então no carro, mas foi seguido por taxistas.

Taxistas e motoristas do serviço executivo entraram em confronto nesta terça no Aeroporto de Brasília. O vidro de um carro foi quebrado (Foto: Reprodução)
Taxistas e motoristas do serviço executivo entraram em confronto nesta terça no Aeroporto de Brasília. O vidro de um carro foi quebrado

“Um taxista cortou farol para a gente, passou por a gente em alta velocidade, começou a xingar, chamar de bandido, de cambada de safado. Aí ele cortou a nossa frente e brecou com muita força. Meu irmão tentou frear, bateu. Ele foi para lateral, falou: ‘gente, desculpa aí, desculpa aí, vamos resolver. Me segue, segue aí’. Meu irmão seguiu”, diz Alves.


O caso aconteceu horas depois de representantes dos serviços de transporte trocarem agressões em um posto de combustível vizinho ao terminal. Durante toda a terça, as categorias se estranharam e trocaram acusações em frente a delegacias de Polícia Civil e pontos de carga e descarga de passageiros.


As agressões entre taxistas e motoristas do Uber começaram em 2015, quando o serviço de transporte executivo se popularizou na Grande Brasília. Em 25 de outubro , um motorista do Uber levou oito pontos na cabeça depois de ser agredido com cassetete por taxistas no Setor Hoteleiro Norte. A confusão foi gravada com celular.


Em 3 de agosto de 2015, taxistas obrigaram um casal de passageiros a desembarcar de um carro do aplicativo Uber e a entrar em um táxi durante uma carreata entre o aeroporto e a área central da cidade. Após os passageiros saírem do veículo, os taxistas questionaram o motorista do Uber se ele tinha autorização para rodar. O homem ainda teve que colocar as malas dos dois no veículo de um taxista.

No dia 3 de julho do ano passado, confundido com um motorista do Uber, um funcionário de uma agência de turismo que buscava o cantor Sérgio Reis no aeroporto foi atacado por taxistas.

 

Fonte: *G1 - Clipping

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