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SEM REGISTRO DO SONHO: Polícia investiga fotógrafo que "sumiu" após dar calote em 30 noivas

Há ao menos quatro processos contra profissional no Tribunal de Justiça. Página em rede social traz depoimentos de clientes com relatos dos golpes.

"Passamos a economizar para realizar o nosso sonho. Ainda não tenho como ficar mostrando para familiares, porque tem poucas fotos e embaçadas. Meu sentimento é de indignação, é de abandono completamente, porque não tenho condições de arcar com advogado. Entrou em [Juizado] Pequenas Causas. Não pedi nem indenização alta. Pedi simplesmente de volta o valor que eu paguei para ele" - Daniela Severino, operadora de caixa.


A Polícia Civil  investiga a conduta de um fotógrafo que teria, de acordo com as próprias vítimas, dado calote em mais de 30 noivas nos últimos dois anos.

 

Dois boletins de ocorrência foram registrados e pelo menos quatro processos judiciais, abertos. Mulheres criaram uma página em redes sociais para se queixar do desrespeito aos contratos e de serem ignoradas por Fernando Luiz da Silva. O G1 tentou falar com o profissional por telefone, e-mail e Facebook, mas não recebeu resposta.

 

A página dele, na internet (http://www.visasphotos.com.br/) ainda é possível ser acessada de qualquer computador.


Uma das responsáveis pela página, a operadora de caixa Daniela Severino conta se sentir indignada com a situação. Ela contratou o Grupo Visas Photo por R$ 2,7 mil para o pacote de imagens do casamento: um biombo com 16 fotos, 15 quadros de mesa, prévia romântica, making of, álbum com cem páginas, quadro e filmagem. A primeira parcela foi paga no final de 2014 e a segunda, em 2015. A terceira só seria repassada após a entrega de todos os produtos. A cerimônia foi no dia 28 de junho.


“Recebi o biombo e os 15 quadros de mesa para o casamento depois de muita cobrança. De resto, mais nada. Passou a festa e eu não tinha nada do meu casamento, a não ser umas fotos não editadas, que estavam em uma mídia que ele me entregou”, conta a mulher. “Tive que pagar o cinegrafista que trabalhava com o cara por fora, para ter acesso ao vídeo. Isso só foi acontecer agora em março, ou seja, foram muitos meses depois do meu casamento. Eu não tinha como mostrar como foi para quem não foi à festa.”

Página criada por clientes que se dizem enganadas por fotógrafo de Brasília; homem é acusado de dar calote em 40 noivas nos últimos dois anos1 (Foto: Facebook/Reprodução)Página criada por clientes que se dizem enganadas por fotógrafo de Brasília; homem é acusado de dar calote em 40 noivas nos últimos dois anos


Daniela, que é moradora do Itapoã, conta que passou dois anos se privando junto à  família para pagar os R$ 50 mil da festa. Ela e o marido já moravam juntos, cuidando de seis crianças – duas filhas dela, quatro filhas dele. No período, o casal deixou de sair, comprar roupas e sapatos e ignorou frutas e biscoitos durante as compras.


“Passamos a economizar para realizar o nosso sonho. Ainda não tenho como ficar mostrando para familiares, porque tem poucas fotos e embaçadas. Meu sentimento é de indignação, é de abandono completamente, porque não tenho condições de arcar com advogado. Entrou em [Juizado] Pequenas Causas. Não pedi nem indenização alta. Pedi simplesmente de volta o valor que eu paguei para ele”, conta.


Casos semelhantes foram relatados nas redes sociais. Identificando-se como Ítalo Meneses, um homem reclamou ser a 40ª pessoa enganada pelo fotógrafo. “Todos estão entrando com processo contra você, cara. Por que você faz isso com as pessoas? Gente, ele está com processos por falta de entregar as fotos de vários casamentos.”


O G1 procurou o Procon, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. Pelo Código de Defesa do Consumidor, os casos podem ser enquadrados como falha na prestação de serviço e descumprimento de contrato. A pena é de indenização.


“A falha na prestação de serviço gera o descumprimento de contrato. Você contratou um produto x, por esse serviço foi que você pagou. Se você recebe um x menos ou um menos x, há quebra do contrato”, explica a especialista em direito do consumidor e conselheira da OAB Ildecer Menezes de Amorim. “Mas é uma coisa que não tem como indenizar, porque você não registrou aquele momento, um evento desses. Não tem dinheiro que recompense isso.”

Cliente se queixa de não conseguir contato e não receber imagens de casamento contratadas de fotógrafo de Brasília (Foto: Facebook/Reprodução)Cliente se queixa de não conseguir contato e não receber imagens de casamento contratadas de fotógrafo de Brasília 


Mais vítimas
Por e-mail, a Polícia Civil informou que as ocorrências registradas contra o fotógrafo são de fevereiro e abril. A primeira delas é de um casal que conta ter fechado contrato para fotografia e filmagem do casamento, sem ter recebido nenhum material ainda.


“Até o presente momento, as fotografias editadas, filmagens e DVD personalizados não foram entregues. As vítimas afirmaram que o autor arranja desculpas para não entregar o material, não atende as ligações, mudou o endereço do escritório”, diz a polícia.


O segundo caso é de uma mulher que relatou que o serviço foi prestado no dia combinado, 6 de setembro, mas as fotos e vídeos nunca foram entregues. O acordo foi de R$ 2,5 mil.


“Toda vez que é procurado, ele apenas informa que vai entregar e não cumpre. Posteriormente passou a informar que não dependia mais dele, pois já teria entregue a um serviço terceirizado de revelação”, afirma a segunda ocorrência.


Fernando Luiz da Silva já havia participado de uma audiência de conciliação em novembro do ano passado por ter atrasado a entrega de imagens de um casamento. Na data, ele se comprometeu a enviar a diagramação do álbum por e-mail e a entregar o DVD com todas as fotos das prévias e cerimônia, o making of da noiva, os álbuns, o quadro e pequenos álbuns em até 30 dias. Ele descumpriu o acordo e foi novamente intimado judicialmente, sob pena de multa diária de R$ 2,5 mil.


O Grupo Visas Photos funciona em Taguatinga Norte. A Polícia Civil não informou se o fotógrafo, dono da empresa, já prestou depoimento. O caso é investigado como estelionato. O Código Penal prevê pena de até cinco anos de prisão pelo crime.(*Por:Raquel Morais)

 

Fonte: *G1 - Clipping

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