Image and video hosting by TinyPic

 

Image and video hosting by TinyPic

 

compartilhar

"O BICHO VAI PEGAR": Paulo Salles liberou R$ 1,4 milhão para mulher quando era secretário

Heloísa Maria Moreira Lima de Almeida Salles conseguiu recursos para 300 bolsas de estudantes da UnB em 2015. Dinheiro não entrou da mesma forma antes de marido assumir pasta de Ciência e Tecnologia. Nem depois que ele saiu

Os laços familiares são fortes o suficiente para enfrentar até mesmo as dificuldades em caixa vividas pelo Governo do Distrito Federal.

 

Em setembro do ano passado, quando o Palácio do Buriti tentava administrar a fúria dos servidores públicos que não receberam reajuste salarial, Heloísa Maria Moreira Lima de Almeida Salles, mulher do então secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do DF, Paulo Salles, recebeu R$ 1.440.000 da Fundação de Apoio a Pesquisa (FAP).

 

O dinheiro foi liberado em setembro, pouco antes de Paulo Salles deixar a secretaria e ir para a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa).

 

O que chama a atenção é que a doutora e professora da Universidade de Brasília (UnB) não conseguiu o mesmo desempenho quando o marido não era responsável pela liberação dos recursos. 

 


Heloísa foi nomeada em 2013 diretora de Fomento à Iniciação Científica do Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB.

 

Nesta condição, ficou responsável pelas bolsas de iniciação científica e, consequentemente, por fazer os pedidos de financiamento à FAP, órgão vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação  No ano passado, o pedido de recursos para as bolsas foi feito em julho e executado três meses depois. 

 

No mesmo mês, ela conseguiu R$ 49.981,67 para o 21º Congresso de Iniciação Científica da UnB.


 

Chama atenção que em 2013, quando assumiu o cargo, Heloísa conseguiu pouco mais de R$ 45 mil para a execução de um projeto. Em 2014, não obteve nenhum centavo. O mesmo ocorre em 2016, pelo menos até agora.


Somados, os dois valores, liberados em apenas um mês, representaram 18% do total de empenho liquidado pela FAP em 2015, que chegou a R$ 8.365.685,94, segundo dados do Sistema Integrado de Gestão Governamental (Siggo). A parcela de R$ 1,4 milhão foi destinada à concessão de quota institucional de 300 bolsas de iniciação científica em nome dela.

 

Outro dado que despertou suspeitas sobre a liberação dos recursos foi que outras instituições de ensino, como a Universidade Católica de Brasília (UCB), receberam no mesmo período apenas R$ 384 mil para 80 bolsas. 


Reprodução/Facebook

Foto do casal


Paulo Salles é compadre do governador Rodrigo Rollemberg (PSB). O chefe do Executivo é padrinho da filha dele, Mariana Salles, hoje lotada na Casa Civil.

 

Ele assumiu a Secretaria de Ciência e Tecnologia no início do governo e deixou a pasta em 22 de outubro para assumir a presidência da Adasa.


Explicação
A Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP/DF) explicou que o Edital 04/2015, referente ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica, Tecnológica e de Inovação, trata da concessão de bolsas e é direcionado às instituições que possuem programa de iniciação científica. Essas instituições precisam ter um coordenador Institucional de Iniciação Científica.


"A professora Heloísa Maria Moreira Lima de Almeida Salles foi nomeada, em 2013, pelo reitor da Universidade de Brasília (UnB), diretora de Fomento à Iniciação Científica do Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação. Nesta condição, ela é a responsável pelas bolsas de iniciação científica e, consequentemente, por fazer os pedidos de bolsas previstas pelos editais." - Trecho da nota da FAP-DF

A diretora vice-presidente da FAP, Regina Buani, explicou que o montante solicitado depende do tamanho da universidade e da capacidade de atender os programas. Por isso, o valor destinado à Universidade de Brasília teria sido maior do que o liberado para outras instituições. “O montante total do edital foi de R$ 5 milhões divididos em 500 cotas de bolsas, por 12 meses, com valor individual de R$ 400.

O edital previu, ainda, que cada instituição poderia ser contemplada com, no máximo, 300 cotas – que foi o caso da UnB”, destaca em nota.


O texto ainda ressalta que todo o trâmite processual rotineiro foi adotado tanto para a UnB como para as demais instituições contempladas, seguindo os ritos legais cumpridos pela FAP/DF.

O número de bolsistas depende da pontuação de cada instituição.

ReproduçãoREPRODUÇÃO

 

A FAP explicou ainda que Heloísa submeteu proposta para obtenção de recursos para organização de um congresso. Considerado o mérito e relevância da proposta, ocorreu repasse no valor de R$ 49.981,67. “Dessa forma, a diretora não recebeu recursos para sua pesquisa nem mesmo para a apresentação de seu próprio trabalho. Na verdade, esse recurso foi destinado à organização de evento para a apresentação de trabalhos de alunos bolsistas de iniciação científica.”


Ao Metrópoles, Paulo Salles deu explicação semelhante. Disse que a mulher não foi beneficiada como pessoa física, mas como diretora de uma área da Universidade de Brasília (UnB). Ele disse ainda que a FAP é autônoma e que ele não participou diretamente da autorização.

 

Fonte: *Metropole - Clipping

COMENTÁRIOS