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OPERAÇÃO MIQUÉIAS: Ministério Público denuncia Toledo, Fayed Traboulsi e dois delegados

O agente aposentado da Polícia Civil Marcelo Toledo Watson (foto), o doleiro Fayed Traboulsi e os delegados Paulo César Barongeno e Sandra Maria da Silveira foram denunciados pelo Ministério Público Federal em duas ações penais da Operação Miquéias, deflagrada em setembro de 2013.

 

A investigação apontou a existência de uma organização criminosa que lavava dinheiro desviado de transações realizadas por prefeituras com recursos previdenciários. A denúncia, protocolada em 30 de junho, atinge outras 41 pessoas.


Secretário de Transportes do governo de Rogério Rosso, em 2010, Barongeno está na ativa. Ele é piloto de helicóptero da Polícia Civil. Ex-assessora da Secretaria de Segurança Pública do DF, Sandra Silveira está aposentada. Os dois são citados na denúncia como os responsáveis pelo vazamento de informações relacionadas aos demais envolvidos, principalmente Fayed Traboulsi e Toledo.


Pela participação no esquema, Barongeno, Sandra e Toledo foram denunciados ao Tribunal de Justiça do DF pelos crimes de ameaça, desacato e violação de sigilo funcional. No caso de Sandra, há ainda outra denúncia, de corrupção passiva. As investigações revelaram que ela recebeu R$ 50 mil de Fayed Traboulsi como pagamento pelos serviços prestados.


As denúncias são mais um capítulo do escândalo que começou a ser investigado em 2009, pela Polícia Civil do Distrito Federal, a partir da descoberta de indícios de movimentações financeiras milionárias em empresas fantasmas sob o comando de Fayed. Informações do caso vazaram e as investigações da Delegacia de Combate aos Crimes contra a Administração Pública (Decap) e da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco) foram interrompidas, devido a ingerências políticas.


Já sob a coordenação do MPF e da Polícia Federal, em setembro de 2013, foi deflagrada a Operação Miquéias. Mais de trezentos policiais cumpriram na época 102 mandados judiciais, sendo 5 de prisão preventiva, 22 de prisão temporária e 75 de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão, Amazonas e Rondônia.


A finalidade era desmantelar um esquema criminoso que desviava recursos de institutos previdenciários municipais por meio da cooptação de gestores municipais e da lavagem de dinheiro. A estimativa dos investigadores é que o grupo tenha movimentado cifras milionárias durante quase uma década.


Como funcionava o esquema – Nas ações enviadas à Justiça, o procurador da República Wellington Divino Marques de Oliveira detalha a participação de cada um dos envolvidos e a forma como se deu a execução dos crimes. Em um dos trechos, ele cita as conclusões de inquérito instaurado em 2013, a partir de uma auditoria do Ministério da Previdência Social. Na época, muitos municípios aplicavam recursos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) em fundos de investimentos de crédito privado pouco atrativos – o que, conforme revelaram as investigações, resultou em prejuízos financeiros. A escolha dos investimentos era feita a partir de orientações de “empresas de consultoria financeira”.


O aprofundamento da apuração levou os investigadores até a empresa Invista Investimentos Inteligentes, de propriedade de quatro dos denunciados e que era utilizada para a cooptação dos agentes públicos responsáveis pela administração dos fundos previdenciários. “Uma vez feito o contato, os prefeitos/gestores eram corrompidos pelo oferecimento de retorno financeiro pessoal (geralmente em um percentual da quantia investida) e acabavam por concordar em investir nos fundos apresentados pela Invista”, detalha um dos trechos da ação.


O procurador frisa ainda que o contato com o agente público era feito normalmente por “mulheres muito bonitas”, que ficaram conhecidas como pastinhas, ou por lobistas que apresentavam os fundos de investimento. Para dar mais credibilidade ao negócio, era comum a presença de um auditor fiscal da Receita Federal, a quem cabia fornecer informações privilegiadas sobre a situação dois fundos.


O que se seguia à assinatura dos contratos era uma sequência de irregularidades que incluíam a desvalorização dos fundos, a emissão irregular de títulos e depósitos dos valores aplicados pelos municípios em contas bancárias abertas em nome de fantasmas. A etapa seguinte eram os saques de grandes quantias em espécie e a distribuição dos valores entre os envolvidos no esquema criminoso, incluindo os gestores dos regimes de previdência.


Durante as investigações feitas pela Polícia Civil do Distrito Federal, o monitoramento de integrantes da organização criminosa comprovou a movimentação financeira do esquema. O irmão do doleiro Fayed Louis Traboulsi foi um dos monitorados. A suspeita é que, em um único dia, em 2009, ele tenha sacado R$ 240 mil, valor distribuído entre os envolvidos.


Outros crimes – Na ação judicial, o MPF destaca a existência de “crimes antecedentes” como tráfico de drogas, corrupção, violação de sigilo funcional e outros, já denunciados ou ainda em fase de investigação. Além disso, o MPF ressalta que, em decorrência da grande quantidade de envolvidos nas práticas criminosas, aquelas pessoas cujas provas apontam a participação apenas como “laranjas” não foram incluídas nas denúncias encaminhadas neste momento à Justiça Federal.


Já a opção de dividir os casos em duas ações distintas tem o objetivo de facilitar e agilizar o andamento dos processos. Das 43 pessoas denunciadas, três delas, aparecem nas duas ações.


Relação de denunciados

1)Fayed Antoine Traboulsi

2) Marcelo Toledo Watson

3) Carlos Eduardo Rocha Marzola

4) Flavio Junior de Carvalho

5) Francisco de Melo da Cruz

6) Louis Antoine Traboulsi

7) Carlos Felipe Rocha Marzola de Carvalho

8) Mozart Medeiros Filho

9) Gutembergue Santiago do Nascimento

10) Sanjer Inácio da Silva

11) Ana Cristina Barbosa Oliveira

12) Ivanise Kechaloski

13) Marcos Neves Bresaola

14) Flavia Peralta de Carvalho

15) Luiz Romildo de Melo

16) Luis Fernando Cassela

17) Márcia Regina Flausion Traboulsi

18) Sandra Maria da Silveira

19) Paulo Cesar Bober Barongeno

20) Sylvio Costa Junior

21) Carlos Eduardo Carneiro Lemos

22) Guilherme Oliva Souza

23) Paulo Augusto Freitas de Souza

24) Getúlio Francisco Coelho

25) Luciane Lauzimar Hoepers

26) Almir Fonseca Bento

27) Isabela Helena Carneiro de Barros

28) Fernanda Cardoso

29) Cynthia Cabral Soares da Cruz

30) Alline Teixera Olivier

31) Idailson José Vilas Boas Macedo

32) Emerson Rodrigues dos Reis

33) Gustavo Alberto Starling Soares Filho

34) Danielle Vasconcelos Correia Lima Leite

35) Andréa de Fátima Ribeiro Pinto

36) Marcelo Rodrigues de Godoy

37) Leomar Alves da Cruz

38) Cristiano Sá Freire Lefreve

39) Abílio Siqueira Filho

40) Thays Cardoso Martins

41) Zaqueu Maciano da Silva

42) Robson Silva dos Santos

43) Rosimaire Attiê

Com informações da assessoria de imprensa do Ministério Público Federal no Distrito Federal

 

O Ministério Público Federal ajuizou duas ações penais

Operação Miqueias, deflagrada em setembro de 2013

(*Por:Ana Maria Campos)

 

Fonte: *Via CB Poder - Clipping

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