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"ROMBO NA LIMPEZA URBANA": Com verba só até outubro, GDF terá de "encontrar" R$ 72 milhões

Diretora do SLU afirma que governo não tem como dar reajuste a garis. 'Vamos ter que tirar o dinheiro de outras áreas, como saúde, educação.'

"Nossa previsão de orçamento só vai até o mês de outubro, então estamos com novembro e dezembro em aberto. Vamos ter que tirar o dinheiro de outras áreas, como saúde, educação, entre outros" - Kátia Campos, diretora do SLU.

A diretora-presidente do Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU), Kátia Campos, afirmou ao G1 nesta segunda-feira (1º) que o governo não tem dinheiro previsto no orçamento para arcar com as despesas de limpeza até o fim do ano.

 

Com gasto médio de R$ 36 milhões mensais, a coleta de lixo e a varrição das ruas nos meses de novembro e dezembro terão de ser pagos com dinheiro de outros setores, totalizando R$ 72 milhões.


"As despesas com limpeza urbana são pagas com os impostos, mas em um momento de crise como este, não temos dinheiro. O recurso que nós temos hoje não nos permite fechar o ano", afirmou.

 

"Nossa previsão de orçamento só vai até o mês de outubro, então estamos com novembro e dezembro em aberto. Vamos ter que tirar o dinheiro de outras áreas, como saúde, educação, entre outros."

Kátia Campos afirmou que o governo trabalha com um limite de orçamento e, caso um reajuste seja dado aos funcionários terceirizados da limpeza – em greve desde sábado (30) – , o GDF passará por uma redução de serviços. "Por exemplo, o local que uma equipe varre toda semana passaria a ser varrido a cada duas semanas. Não é possível dar aumento para os garis e manter a qualidade de serviço atual."


Segundo ela, a média de gasto de R$ 36 milhões por mês com limpeza e coleta de lixo na cidade foi feita a partir de um comparativo com o total de R$ 436 milhões desembolsados no ano passado.

Lixo acumulado nas caçambas de lixos da quadra 202 da Asa Norte após greve dos funcionários de limpeza terceirizados do DF (Foto: Mateus Vidigal/G1)Lixo acumulado nas caçambas de lixos da quadra 202 da Asa Norte após greve dos funcionários de limpeza terceirizados

Entenda a greve
Em greve desde a meia noite do último sábado (30), funcionários terceirizados da limpeza urbana do DF pedem reajuste salarial de 9,83%, com base na inflação do ano passado, e aumento de R$ 200 no tíquete-alimentação. A categoria rejeitou a proposta de 8% de reajuste oferecida pelo governo.


O SLU publicou um comunicado no site oficial afirmando que uma liminar garante que 80% dos serviços serão prestados mesmo durante a greve, com multa diária de R$ 100 mil para o descumprimento. Até as 12h desta segunda, a direção do sindicato da categoria (Sindlurb) informou que não havia sido notificada.

Quando questionada sobre quais áreas seriam as mais prejudicadas com a paralisação dos garis, Kátia explica que as áreas residenciais são as que mais vão sofrer. "Segunda-feira é o pior dia, porque domingo não tem coleta, a não ser em eventos especiais. Nós damos preferência para as comerciais, então os prédios serão os locais que vão sentir mais com a greve. Estamos colocando caminhões extras nas ruas para amenizar isso."


Segundo ela, existem 3.741 garis no GDF com atuação em todos os setores da limpeza, como capinagem, varrição e coleta de lixo com caminhões. O salário base de um gari é de R$ 1.022,65, com auxílio-alimentação de R$ 550 e carga horária de 44 horas semanas, de segunda a sábado e com plantões aos domingos.

O diretor de finanças Raimundo Nonato Correa do Sindlurb discorda de Kátia e afirma que o número de funcionários passam de 6 mil. De acordo com o sindicalista, sem reajuste, não há como interromper a paralisação.

"Nós não recebemos nenhuma nova proposta do governo e não fomos notificados da liminar. Nossa intenção não era de fazer greve, por isso que estamos negociando desde abril. Se o governo for cortar pessoal, pode ter certeza que algum local da Grande Brasília vai ficar sem coleta de lixo e sem varrição."



 

Fonte: *Via G1 - Clipping

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