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APESAR DA MULTA DE R$ 500MIL/DIA: Policiais civis desafiam a Justiça e fazem protesto no Mané Garrincha

Greve foi considerada ilegal. Categoria alega que sindicato não foi notificado e, por isso, continua parada reivindicando reajuste salarial

Alegando não terem sido notificados, policiais civis em greve se reuniram no Parque da Cidade e caminharam rumo ao estádio Mané Garrincha, que recebe nesta quinta-feira (4/8) rodada dupla no primeiro dia olímpico do futebol masculino.

 

Por volta das 15h30, cerca de 1.000 manifestantes participavam do protesto, segundo dados da Polícia Militar.

 

Nas primeiras horas do dia, a Justiça decretou a ilegalidade da paralisação da categoria, por 48 horas, e proibiu a realização de reuniões e manifestações dos servidores próximos à arena brasiliense.Gritando palavras de ordem, os policiais se mostraram organizados, embora nenhuma liderança do Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol) fosse encontrada no evento.

 

Até o início da tarde, o sindicato não havia sido notificado da decisão judicial, que impôs multas pesadas, de até R$ 500 mil, caso as determinações fossem desconsideradas.

 


 

“Vamos mostrar para o governador quem é a polícia de Brasília”, gritam os manifestantes. Ao som de megafones, exigem: “Assina, assina”, numa referência à isonomia salarial com a Polícia Federal. “A manifestação já estava prevista, mas as Olimpíadas vão trazer visibilidade para o que estamos reivindicando. De certa forma, coloca em risco a população, mas é uma forma de chamar a atenção do governador”, disse Francisco Pereira de Sousa, presidente da Associação Geral dos Policiais Civis.


Ele disse saber da decisão da Justiça que considerou a greve ilegal e proibiu manifestações perto do estádio, mas garantiu que não foi notificado: “Não existe proibição sobre lugar para manifestação. A Constituição permite que seja em qualquer lugar, desde que seja um movimento Pacífico”


Michael Melo/Metrópoles

 

Reunião
Enquanto os policiais se reuniam para a manifestação, foi realizada pela cúpula da Polícia Civil uma reunião em que ficou definido que os agentes das divisões de operações Especiais e Aéreas voltarão a fazer a segurança das delegações nos hotéis. As ações serão retomadas às 8h deste sábado (6). As delegacias do estádio e a 5ª DP (área central de Brasília) vão funcionar normalmente a partir de hoje, durante o período dos Jogos Olímpicos.


A mobilização na direção-geral da corporação se deu após o anúncio de que todo o efetivo da DOE, que estava escalado para fazer a segurança das delegações hospedadas no Hotel Golden Tulip, deixou seus postos nesta manhã.


A escolta aérea desta quinta (4) também foi suspensa. A secretária de Segurança Pública e da Paz Social, Márcia de Alencar, disse que as escoltas dos times não foi prejudicada, pois a função seria desempenhada, desde o início, por policiais militares.


Paralisação
Em assembleia na tarde de quarta-feira (3/8), a categoria decidiu paralisar as atividades por 48 horas, a partir das 8h de quinta. A categoria reivindica reajuste salarial e reclama do efetivo. Hoje, são cerca de 4,5 mil policiais. O Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) afirma que o déficit é de 50%. Perícias e flagrantes não serão feitos durante o movimento.


Os policiais, que alegam ter isonomia com a Polícia Federal há 20 anos, estão em negociação com o GDF há mais de um mês.

 

Em reunião na terça (2), o governo ofereceu aumento escalonado: 7% em outubro de 2017; 10% em outubro de 2018; e 10% no mesmo mês de 2019. Já no fim da tarde, durante um novo encontro, surgiram outras duas propostas. 

 

A primeira estipulava 23% em agosto de 2017; 4,75% em janeiro de 2018 e 4,5% em janeiro 2019. Na outra sugestão, os percentuais são de 10% em janeiro de 2017; 13% em agosto de 2017; 4,75% em janeiro de 2018 e 4,50% em janeiro de 2019.


Por meio de nota, o GDF disse que “embora reconheça a legitimidade do pleito de isonomia com a Polícia Federal, o governo de Brasília, diante das atuais condições econômicas do país e do Distrito Federal, não possui condições financeiras de arcar com os índices e prazos encaminhados pelo governo federal ao Congresso Nacional”. O Buriti disse ainda que vai “retirar a proposta apresentada à Polícia Civil”, mas “manterá aberto o diálogo já iniciado com representantes” da categoria.

 

 

Fonte: *Via Metropole - Clipping

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