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"INCERTO E NÃO SABIDO": Investigados por extorsão no GDF "somem" após denúncias de propina

Servidores são suspeitos de negociar propina para liberar verba a sindicato. Um funcionário entrou de férias e outro não justifica as faltas, afirma Seplag.

Investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal por suspeita de extorsão, o servidor da Secretaria de Planejamento (Seplag) Edvaldo Simplício da Silva deixou de trabalhar na pasta desde que as denúncias vieram à tona.

 

Funcionário de carreira, ele e outro servidor público, Christian Michael Popov, são suspeitos de tentar extorquir dinheiro da presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues, em troca da liberação de verba para a entidade.


Técnico em políticas públicas e gestão governamental, Silva foi cedido à Câmara Legislativa a pedido da Mesa Diretora da Casa, em 29 de fevereiro de 2016. Ele só voltou para a Seplag em 25 de julho – uma semana após as primeiras denúncias serem reveladas.


Quando deveria voltar, apresentou atestado médico com duração de dez dias. Ele deveria ter retornado ao trabalho no dia 4 de agosto, mas desde então tem faltado sem apresentar justificativa, diz a secretaria. O G1 não conseguiu localizar Silva nem a defesa dele.


Analista de Políticas Públicas, Christian Popov entrou de férias após ser exonerado do cargo comissionado que ocupava como ex-gerente de Cessões, Requisições e Ressarcimentos, em 20 de julho. Na sequência, emendou as férias com uma licença-prêmio, segundo a secretaria.


 O G1 não conseguiu contato com Popov. Por telefone, o advogado Flávio Vieira Borges, que o defendeu em um processo contra uma reparadora de veículos, disse que não o representava mais e foi orientado a não repassar o contato dele.

Ato assinado pelo presidente em exercício da Câmara Legislativa, deputado Raimundo Ribeiro (PPS), em que dispensa Edvaldo Simplício da Silva (Foto: Reprodução)Ato assinado pelo presidente em exercício da Câmara Legislativa, deputado Raimundo Ribeiro (PPS), em que dispensa Edvaldo Simplício da Silva


Investigados
Na última quarta-feira (17), a polícia recolheu documentos e computadores no Palácio do Buriti com objetivo de apurar se eles têm participação no suposto esquema de extorsão. A situação foi denunciada por Marli Rodrigues ao GDF em dezembro do ano passado. Ao todo, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão.

O G1 teve acesso à denúncia de Marli feita à época e endereçada ao governador Rodrigo Rollemberg. No texto, a sindicalista diz que recebeu uma carta convocatória assinada por Popov em 25 de novembro de 2015 dando prazo de 30 dias para que apresentasse certidões negativas de débitos junto ao INSS e certificado de regularidade do FGTS. Sem esses documentos, a entidade poderia ser descredenciada. Ou seja, o GDF deixaria de descontar do salário de servidores a contribuição sindical para o SindSaúde.


Ainda na carta destinada a Rollemberg, Marli afirma que o funcionário do sindicato Valdecir Medeiros relatou ter sido procurado por Edvaldo Simplício da Silva porque teria “como resolver o problema do SindSaúde”. Em duas oportunidades, Silva relatou que “liberaria” o sindicato de ter de apresentar a papelada exigida em troca de pagamento de propina, afirma Marli.

Trecho de denúncia apresentada por Marli Rodrigues ao GDF, em que relata cobrança de pagamento para liberação de verba sindical  (Foto: Reprodução)Trecho de denúncia apresentada por Marli Rodrigues ao GDF, em que relata cobrança de pagamento para liberação de verba sindical

“Segundo o sr. Edvaldo, uma empresa seria indicada a apresentar contrato de prestação de serviço autônomo, simulando a entrega de consultoria, que na verdade nunca seria dada, cobrando honorários na quantia de R$ 200 mil. Porém, para que a negociação fosse adiante, o sr. Edvaldo exigiu o pagamento de um sinal no valor de R$ 50 mil, representando uma sinalização de aceite”, relata a sindicalista.


De acordo com a descrição, Marli aceitou a proposta mesmo sem interesse de pagar a soma exigida. Um contrato foi assinado com a corretora de seguros Netsaron, que seria ligada à família de Silva. O G1 não recebeu retorno da empresa até a publicação desta reportagem.

Trecho de denúncia apresentada por Marli Rodrigues ao GDF, em que diz como dinheiro de propina deveria ser depositado (Foto: Reprodução)Trecho de denúncia apresentada por Marli Rodrigues ao GDF, em que diz como dinheiro de propina deveria ser depositado


Providências
Na última quarta-feira (17), o Ministério Público de Contas e o Ministério Público do DF questionaram quando os titulares da Casa Civil e da Seplag souberam da denúncia. Também perguntaram que providências têm tomado para investigar a situação.


O GDF diz que a denúncia de Marli Rodrigues foi recebida ainda em dezembro de 2015 pela Casa Civil e que imediatamente acionou a Polícia Civil. “A inteligência da PCDF começou, na época, um trabalho de averiguação de dados e de diligências, de forma sigilosa”, afirma.


De acordo com o governo, em 25 de abril de 2016 a Seplag recebeu a mesma denúncia, de forma anônima, sobre o caso e também informou, em 2 de maio, à Polícia Civil. O inquérito só foi instaurado em maio.

“A Controladoria-Geral do Distrito Federal tem atuado subsidiariamente ao trabalho da Polícia Civil. Ela realizou uma ação de controle de caráter reservado e já encaminhou o resultado aos órgãos de controle e policiais competentes.”

A presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues, antes de início de depoimento à CPI da Câmara Legislativa que apura supostas irregularidades na Secretaria de Saúde do Distrito Federal

A presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues, antes de início de depoimento à CPI da Câmara Legislativa que apura supostas irregularidades na Secretaria de Saúde do Distrito Federal (Foto: Gabriel Luiz/G1)

 

Fonte: *Via G1 - Clipping

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