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OPERAÇÃO DRACON: Preso na Lava Jato, ex-servidor da Câmara Distrital é ouvido sobre propina

Valério Neves é investigado em suposto esquema de emendas para a Saúde. Quatro membros da Mesa Diretora da Câmara foram afastados nesta terça.

O ex-secretário-geral da Câmara Legislativa do Distrito Federal Valério Neves se apresentou na tarde desta terça-feira (23) à Polícia Civil, em resposta a um mandado de condução coercitiva da operação Drácon.

 

Ele é suspeito de envolvimento em um esquema que teria negociado propina em emendas parlamentares para a Saúde, no fim de 2015.


Em abril, Neves foi preso temporariamente como parte da operação Lava Jato.

A 28ª fase, batizada de "Vitória de Pirro", investigava a cobrança de propina para evitar convocação de empreiteiros em comissões parlamentares de inquérito sobre a Petrobras. Na época, investigadores apontaram ligação de Neves com o ex-senador Gim Argello (DF), que também foi preso.


Neves já foi alvo de investigação anteriormente. Ele foi condenado por improbidade administrativa por ter contratado sem licitação um jornal e realizado duas campanhas publicitárias quando era chefe de gabinete de Articulação Institucional do governo do DF, em 2006.

 

Juntos os acordos somavam mais de R$ 1 milhão. A condenação ocorreu em 2015. O contador negou irregularidades.

Até as 15h30, Neves prestava depoimento na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap). A informação foi confirmada pelo delegado-chefe Alexandre Linhares ao Ministério Público, que repassou dado a jornalistas em coletiva na sede do órgão. O conteúdo do depoimento não foi divulgado.

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Acesso aos gabinetes dos deputados no 5º andar da Câmara Legislativa do DF, fechado nesta terça (23), quando a Polícia Civil realizou operação na Casa (Foto: Alexandre Bastos/G1)Acesso aos gabinetes dos deputados no 5º andar da Câmara Legislativa, fechado nesta terça (23), quando a Polícia Civil realizou operação na Casa

Além de Neves, mandados foram expedidos contra o ex-presidente do Fundo de Saúde, Ricardo Cardoso, e cinco parlamentares da Câmara Legislativa: Celina Leão (PPS), Bispo Renato Andrade (PR), Julio Cesar (PRB), Raimundo Ribeiro (PPS) e Cristiano Araújo (PSD). Os quatro primeiros compunham a Mesa Diretora da Casa, mas foram afastados das posições a mando da Justiça.

O G1 não conseguiu contato com os parlamentares até a publicação desta reportagem. Em nota, o PPS-DF afirmou que decidiu afastar os deputados distritais Celina Leão e Raimundo Ribeiro da Executiva do partido. "A legenda considerou extremamente graves as denúncias contra os parlamentares e reforçou apoio as investigações em andamento."

No documento, o PPS disse que os parlamentares envolvidos "negam envolvimento em atos ilícitos e que as denúncias seriam manipulação por parte de opositores políticos e eleitorais".

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Integrantes do Ministério Público deixam sede da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap), no DF; Polícia Civil investiga suposto esquema de desvio de emenda parlamentar para a Saúde (Foto: Alexandre Bastos/G1)Integrantes do Ministério Público deixam sede da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap); Polícia Civil investiga suposto esquema de desvio de emenda parlamentar para a Saúde

No total, foram 14 mandados de busca e apreensão, 8 mandados de condução coercitiva e 4 de afastamento cautelar. As buscas foram feitas nos gabinetes parlamentares, na Presidência da Câmara e na residência das pessoas citadas. Segundo o MP, todos se apresentaram espontaneamente, dispensando o cumprimento da condução coercitiva.


“As investigações são sigilosas. Elas vieram a conhecimento público antes do momento que julgávamos oportuno. Essa palavra é muito cara, porque o princípio mais importante da investigação é a oportunidade. Isso exigiu do MP e do Judiciário a tomada de medidas na manhã de hoje”, afirmou o promotor de Justiça do Grupo de Apoio ao Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Clayton Germano.


Durante toda a manhã, a Polícia Civil apreendeu computadores, mídias digitais, documentos em papel e imagens de processos legislativos. Foram apreendidos R$ 16 mil em dinheiro e joias, mas o MP não informou a quem pertenciam os valores.

Operação Drácon
Nesta terça, a polícia faz uma operação de combate ao suposto esquema de propina e desvio de recursos de emenda parlamentar destinada ao pagamento de empresas de gestão de UTIs.

O deputado Chico Vigilante (PT) disse que um assessor ligado a Celina Leão foi visto retirando computadores da Câmara na véspera da operação. O distrital afirmou que solicitou ao procurador-geral do DF, Leonardo Bessa, para que pedisse a liberação das imagens do circuito de segurança para apurar o caso.

"Isso é gravíssimo. A pessoa me disse que viu o Sandro [Vieira], assessor da Celina Leão, colocando computadores no carro dele ontem à tarde. Precisa apurar, saber se foram levados mesmo e quais computadores são esses. Não é normal em um dia de trabalho colocar computadores dentro de um carro aqui na Câmara", disse. O G1 não conseguiu contato com Vieira.

O MP confirmou que investiga a conduta de um assessor parlamentar, suspeito de retirar computadores e documentos da Câmara Legislativa na noite de segunda. O nome do servidor não foi citado pelo órgão ministerial.


"Nós já estamos apurando se houve ou não a retirada de computadores e de outros equipamentos. As imagens [de câmeras de segurança] estão sendo avaliadas e, se houve essa subtração de provas, nós investigaremos e chegaremos ao autor", disse o promotor de Justiça da Saúde, Luis Henrique Ishihara.


O assessor criminal da Procuradoria-Geral de Justiça do DF, Geraldo Mariano, afirmou que o MP vai trabalhar para "reverter" essa ocorrência, se o caso for confirmado. Ele também disse que o órgão adotará "as medidas cabíveis", sem detalhar quais seriam. O servidor suspeito de retirar as máquinas seria ligado à Presidência da Câmara, mas não está entre os oito ouvidos nesta terça.


O MP informou que, a princípio, os parlamentares e assessores não estão impedidos de frequentar a Câmara, acessar arquivos ou dar expediente nos gabinetes.


"Parece burocrático, mas dependemos de elementos, indícios mínimos. São medidas cautelares que entram na privacidade, na intimidade das pessoas. A princípio, só temos elementos de um assessor, esse que foi alvo do mandado. Se houver outros elementos de outros funcionários, assessores, secretários, vamos tomar as providências", disse Germano.

Policiais deixam a Câmara Legislativa do Distrito Federal com documentos e computadores apreendidos na manhã desta terça-feira (23)  (Foto: Alexandre Bastos/G1)Policiais deixam a Câmara Legislativa do Distrito Federal com documentos e computadores apreendidos na manhã desta terça-feira

Investigação
A polícia apura denúncias da deputada Liliane Roriz (PTB) de que a presidente da Câmara, Celina Leão (PPS), articulou um esquema de pagamento de propina e desvio de recursos de emendas parlamentares que seriam usados para pagar contratos de gestão de UTIs.

O servidor da Câmara Alexandre Braga Cerqueira e o ex-presidente do Fundo de Saúde do DF Ricardo Cardoso também foram intimados a depor. Eles são suspeitos de integrar o esquema denunciado.


A ação policial ocorre quase uma semana depois de a corporação apreender documentos e computadores no Palácio do Buriti, em uma investigação para apurar suspeitas de extorsão contra a presidente do sindicato dos servidores na Saúde (SindSaúde), Marli Rodrigues.


Nos áudios feitos por Liliane, Celina fala sobre mudança de finalidade de uma emenda parlamentar que direcionou R$ 30 milhões da sobra orçamentária da Câmara a um grupo de seis empresas que prestam serviço de UTI. Segundo as denúncias, parte dos recursos foram repassados a deputados da Mesa Diretora.(*Por:Mateus Rodrigues)

 

Fonte: *Via G1 - Clipping

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