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"O BICHO TÁ PEGANDO": Celina Leão acusa Rollemberg de "apoiar quadrilha de Liliane"

Fora da presidência da Câmara Distrital, ela negou parte em esquema de propina. Justiça retirou membros da Mesa Diretora; polícia fez operação na Casa.

A presidente afastada da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Celina Leão (PPS), discursou em plenário nesta terça-feira (23) e acusou o governador Rodrigo Rollemberg de "apoiar a quadrilha liderada por Liliane Roriz (PTB)". Segundo ela, a divulgação de áudios que indicam suposto esquema de propina em emendas parlamentares para UTIs é uma forma de derrubar a Mesa Diretora e dar poder à base aliada do governo.


"Nunca conversei com empresário, disponibilizei aqui meus sigilos bancários e telefônico, não tenho amizade [com envolvidos]. Agora, colocar essas coisas como estão colocando? É muito claro. A Mesa Diretora era oposição ao governador Rollemberg e teve uma destituição provisória, arquitetada pelo próprio governador", declarou Celina.


A distrital desqualificou as acusações feitas por Liliane Roriz, autora das gravações e responsável por levar o caso ao Ministério Público. Nos áudios divulgados até esta terça, Liliane e Celina aparecem discutindo a "inclusão no projeto" e o "negócio do recurso". Celina diz que nunca teve conversas com a colega de parlamento sobre "temas não republicanos".


"O que não dá [para aceitar] é um governador incompetente, que tem várias acusações de desvios dentro da Secretaria de Saúde, usar uma colega nossa que tem processos, que está no buraco, para nos atacar. Tem deputados que querem cinco minutos de fama e falam dos colegas", afirmou Celina, sem citar nomes de outros parlamentares.


Celina afirma que saiu do gabinete da vice-presidência, à época ocupado por Liliane Roriz, a emenda parlamentar sob suspeita. O texto destinou R$ 30 milhões para o pagamento de dívidas pendentes com UTIs, fora do cronograma habitual e à vista.


"Essa quadrilha é liderada por Liliane Roriz e apoiada pelo governador incompetente, que não consegue fazer uma negociação, sabe por quê? Porque ninguém acredita nesse cara. É uma decepção que a família Roriz, que já não estava muito bem, termine no lixo do lixo do lixo", disse.



O GDF afirma que "apoia todas as investigações do Ministério Público que têm o objetivo de averiguar denúncias de eventual desvio de recursos públicos, sem qualquer julgamento prévio". O governo diz que já adotou as medidas necessárias "determinando a investigação no âmbito da Polícia Civil, da Controladoria-Geral e da Secretaria de Saúde".

A assessoria de Liliane diz que a deputada segue em licença não remunerada e que ela não vai se pronunciar sobre as declarações de Celina.

Acusações
A presidente afastada da Casa também aproveitou o pronunciamento para negar que o assessor Sandro Vieira tenha retirado computadores dos gabinetes na tarde desta segunda (22). Segundo ela, a acusação é "grave" e terá de ser provada. Ela anunciou que vai entrar com um processo por quebra de decoro contra o deputado Chico Vigilante (PT), autor da denúncia.

"A gravidade que é um colega, hoje, [Vigilante] colocar que um assessor meu pegou computador. Nenhum assessor meu pegou computador, até porque eu mal uso. Mal consigo usar meu celular. É muito grave, e eu vou representar sobre isso no Conselho de Ética", disse. Celina acusou Vigilante de formar a base aliada de Rollemberg e classificou as denúncias como falso testemunho.



Logo em seguida, Vigilante subiu à tribuna para responder ao discurso. "Não fiz campanha para o Rollemberg, anulei meu voto no segundo turno [de 2014] porque sabia no que ia dar. Representação contra mim, não será a primeira e estou pronto para responder", afirmou.



Afastamento
Nesta terça, o diretório do PPS do Distrito Federal informou que Celina Leão e Raimundo Ribeiro, afastados pela Justiça da Mesa Diretora da Câmara Legislativa, pediram para deixar suas funções partidárias após a operação da Polícia Civil que apura um suposto esquema para negociar propina em emendas parlamentares para a Saúde, no fim de 2015. Os dois parlamentares eram membros da Executiva da legenda por terem mandatos.


Antes, o PPS havia enviado outra nota dizendo que os parlamentares tinham sido afastados. Segundo o presidente do PPS no DF, Chico Andrade, a saída dos distritais das funções dentro do partido foi tomada em comum acordo.


“Nós vamos fazer uma investigação interna, de forma rígida, e vamos permitir o amplo direito de defesa para que seja apurado o que realmente aconteceu. O afastamento foi um consenso, foi uma sugestão do partido após a reunião de hoje, e eles entenderam da mesma forma.”



Andrade lembrou que os distritais pertenciam a outras legendas em dezembro de 2015, época do suposto pagamento de propina para desviar emendas parlamentares. Celina era filiada ao PDT e Raimundo era do PSDB.

O PPS disse que considera “extramente graves” as denúncias contra os deputados e que apoia as investigações. “O partido destaca os deputados envolvidos negam envolvimento em atos ilícitos e que as denúncias seriam manipulação por parte de opositores políticos e eleitorais.”

O presidente da CPI, Bispo Renato, o relator, Raimundo Ribeiro e Barbosa Neto (Foto: Isabella Calzolari/G1)O deputado distrital Raimundo Ribeiro (ao centro), entre o distrital Bispo Renato e o presidente da associação das empresas de ônibus do DF, Barbosa Neto, durante sessão da CPI do Transporte

Os alvos da operação policial são os membros da Mesa Diretora: a presidente, Celina Leão, o primeiro secretário, Raimundo Ribeiro (PPS), o segundo secretário, Júlio César (PRB), e o terceiro secretário Bispo Renato Andrade (PR). Todos eles foram afastados das funções na Câmara, mas não perderam o mandato.

Também é alvo o deputado Cristiano Araújo (PSD). O G1 não conseguiu contato com os parlamentares até a publicação desta reportagem. À reportagem da TV Globo, Bispo Renato negou envolvimento em irregularidades.

Integrantes do Ministério Público deixam sede da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap), no DF; Polícia Civil investiga suposto esquema de desvio de emenda parlamentar para a Saúde (Foto: Alexandre Bastos/G1)Integrantes do Ministério Público deixam sede da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap); Polícia Civil investiga suposto esquema de desvio de emenda parlamentar para a Saúde

No total, foram 14 mandados de busca e apreensão, 8 mandados de condução coercitiva e 4 de afastamento cautelar. As buscas foram feitas nos gabinetes parlamentares, na Presidência da Câmara e na residência das pessoas citadas. Segundo o MP, todos se apresentaram espontaneamente, dispensando o cumprimento da condução coercitiva.

“As investigações são sigilosas. Elas vieram a conhecimento público antes do momento que julgávamos oportuno. Essa palavra é muito cara, porque o princípio mais importante da investigação é a oportunidade. Isso exigiu do MP e do Judiciário a tomada de medidas na manhã de hoje”, afirmou o promotor de Justiça do Grupo de Apoio ao Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Clayton Germano.


Durante toda a manhã, a Polícia Civil apreendeu computadores, mídias digitais, documentos em papel e imagens de processos legislativos. Foram apreendidos R$ 16 mil em dinheiro e joias, mas o MP não informou a quem pertenciam os valores.

O ex-secretário-geral da Câmara Valério Neves se apresentou na tarde desta terça-feira à Polícia Civil, em resposta a um mandado de condução coercitiva da operação Drácon.

Em abril, ele foi preso temporariamente na 28ª fase da operação Lava Jato, que investigava cobrança de propina para evitar convocação de empreiteiros em comissões parlamentares de inquérito sobre a Petrobras. Na época, investigadores apontaram ligação de Neves com o ex-senador Gim Argello (DF), que também foi preso.



Neves já foi alvo de investigação anteriormente. Ele foi condenado por improbidade administrativa por ter contratado sem licitação um jornal e realizado duas campanhas publicitárias quando era chefe de gabinete de Articulação Institucional do governo do DF, em 2006. Juntos os acordos somavam mais de R$ 1 milhão. A condenação ocorreu em 2015. O contador negou irregularidades.

Operação Drácon
Nesta terça, a polícia faz uma operação de combate ao suposto esquema de propina e desvio de recursos de emenda parlamentar destinada ao pagamento de empresas de gestão de UTIs.

O deputado Chico Vigilante (PT) disse que um assessor ligado a Celina Leão foi visto retirando computadores da Câmara na véspera da operação. O distrital afirmou que solicitou ao procurador-geral do DF, Leonardo Bessa, para que pedisse a liberação das imagens do circuito de segurança para apurar o caso.

"Isso é gravíssimo. A pessoa me disse que viu o Sandro [Vieira], assessor da Celina Leão, colocando computadores no carro dele ontem à tarde. Precisa apurar, saber se foram levados mesmo e quais computadores são esses. Não é normal em um dia de trabalho colocar computadores dentro de um carro aqui na Câmara", disse. O G1 não conseguiu contato com Vieira.

O MP confirmou que investiga a conduta de um assessor parlamentar, suspeito de retirar computadores e documentos da Câmara Legislativa na noite de segunda. O nome do servidor não foi citado pelo órgão ministerial.


"Nós já estamos apurando se houve ou não a retirada de computadores e de outros equipamentos. As imagens [de câmeras de segurança] estão sendo avaliadas e, se houve essa subtração de provas, nós investigaremos e chegaremos ao autor", disse o promotor de Justiça da Saúde, Luis Henrique Ishihara.

O assessor criminal da Procuradoria-Geral de Justiça do DF, Geraldo Mariano, afirmou que o MP vai trabalhar para "reverter" essa ocorrência, se o caso for confirmado. Ele também disse que o órgão adotará "as medidas cabíveis", sem detalhar quais seriam. O servidor suspeito de retirar as máquinas seria ligado à Presidência da Câmara, mas não está entre os oito ouvidos nesta terça.


O MP informou que, a princípio, os parlamentares e assessores não estão impedidos de frequentar a Câmara, acessar arquivos ou dar expediente nos gabinetes.

"Parece burocrático, mas dependemos de elementos, indícios mínimos. São medidas cautelares que entram na privacidade, na intimidade das pessoas. A princípio, só temos elementos de um assessor, esse que foi alvo do mandado. Se houver outros elementos de outros funcionários, assessores, secretários, vamos tomar as providências", disse Germano.

Policiais deixam a Câmara Legislativa do Distrito Federal com documentos e computadores apreendidos na manhã desta terça-feira (23)  (Foto: Alexandre Bastos/G1)Policiais deixam a Câmara Legislativa do Distrito Federal com documentos e computadores apreendidos na manhã desta terça-feira (23)

Investigação
A polícia apura denúncias da deputada Liliane Roriz (PTB) de que a presidente da Câmara, Celina Leão (PPS), articulou um esquema de pagamento de propina e desvio de recursos de emendas parlamentares que seriam usados para pagar contratos de gestão de UTIs.

O servidor da Câmara Alexandre Braga Cerqueira e o ex-presidente do Fundo de Saúde do DF Ricardo Cardoso também foram intimados a depor. Eles são suspeitos de integrar o esquema denunciado.


A ação policial ocorre quase uma semana depois de a corporação apreender documentos e computadores no Palácio do Buriti, em uma investigação para apurar suspeitas de extorsão contra a presidente do sindicato dos servidores na Saúde (SindSaúde), Marli Rodrigues.


Nos áudios feitos por Liliane, Celina fala sobre mudança de finalidade de uma emenda parlamentar que direcionou R$ 30 milhões da sobra orçamentária da Câmara a um grupo de seis empresas que prestam serviço de UTI. Segundo as denúncias, parte dos recursos foram repassados a deputados da Mesa Diretora.(*Por:Mateus Rodrigues)

 

Fonte: *Via G1 - Clipping

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