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UTI-GATE: Áudios sobre suposto esquema de corrupção foram editados, diz Celina

Gravações feitas por Liliane Roriz sugerem acordo para desvio de verba. Celina Leão disse que vai recorrer de decisão que a tirou da presidência.

"É uma acusação mentirosa. Nós não tínhamos acesso ao processo e isso dificultou nossa defesa. De posse do inquérito, nós temos condições de ver do que somos acusados" -Celina Leão (PPS), presidente afastada da Câmara do DF, sobre suposta ligação dela com corrupção


A deputada Celina Leão (PPS), presidente afastada da Câmara Legislativa do Distrito Federal desde a última terça-feira (23), acusou a ex-vice presidente da Casa Liliane Roriz (PTB) de editar os áudios de uma conversa entre as duas cujo assunto seria sobre um suposto esquema de corrupção. "É uma acusação mentirosa", disse. Ela disse que vai pedir perícia das gravações.


Celina afirmou que somente no dia 25 teve acesso ao inquérito da denúncia. "Nós não tínhamos acesso ao processo e isso dificultou nossa defesa. De posse do inquérito, nós temos condições de ver do que somos acusados." Ela disse que utilizará a defesa para recorrer ao afastamento da presidência da Câmara Legislativa e tentará retomar o cargo.


A deputada também disse que Liliane Roriz ficou com os áudios por mais de seis meses antes da divulgação. "No mínimo, ela prevaricou", declarando que a emenda parlamentar é da autoria da própria Liliane.


No trecho que Celina afirma que Liliane "está no projeto", a presidente afastada disse que "projeto é a palavra mais falada na Câmara", e que estavam conversando sobre outro assunto. Celina também acusou Liliane de persegui-la pessoalmente por um ano e meio e que a própria Liliane se declarava "inimiga pessoal" de Celina para outros deputados.


A deputada afirmou que não cogita renunciar da presidêndia da Câmara e que não está preocupada com as representações feitas contra ela por outros parlamentares. "Completamente normal, estamos em uma democracia. É muito mais um ato político e simbólico do que jurídico e administrativo. Quem tinha que renunciar é a Liliane, que já o fez."


Celina afirmou também que a própria assessoria irá disponibilizar trechos da conversa com Liliane Roriz que supostamente seriam editados, a fim de apontar as "contradições" da deputada do PTB. Ela disse que não passará os áudios na íntegra por envolver outros assuntos e pessoas.


Após a entrevista, a assessoria da deputada enviou dois trechos de áudio nos quais ela e Liliane Roriz conversam a respeito da troca da destinação da emenda.


Celina Leão:
– Cês fazem, a Liliane tinha combinado uma coisa, cês descombinam uma coisa sem avisar ela e ainda quer que eu assine. O que eu tinha assinado, cê pode perguntar pro [José] Adenauer (ex-secretário executivo da vice-presidência da Câmara e chefe de gabinete de Liliane], eu tinha assinado o que o Adenauer tinha me dado.


Liliane Roriz:
– Mas em nenhum momento eu conversei com o presidente da Asbraco [Luiz Afonso Assad] e falei de nada, sabe, falei do intuito de fazer reforma na escola, era bom pra gente politicamente, e você ia fazer propaganda...

Celina:
– Bom pra instituição, mas eu posso te falar? Eu também não falei nada, mas trocaram as emendas...

Celina:
– Eu não falei nada, eu não conversei com ninguém, eu não quero nada de nada entendeu, por isso que eu falei, entendeu, por isso que eu falei o seguinte [corta]


A convesa cita José Adenauer, ex-chefe de gabinete de Liliane Roriz, e o presidente da Associação  Brasilisense de Construtores (Asbraco), Luiz Afonso Assad. Ao Ministério Público, Assad disse ter sido sondado por dois deputados da Câmara Legislativa para agilizar liberação de verbas para obras, em troca de propina.


Segundo ele, o tema foi debatido em três reuniões em encontros com os deputados Bispo Renato Andrade (PR) e Julio Cesar (PRB), que teriam colocado as emendas parlamentares "à disposição" para investimentos. O empresário diz ter sugerido a aplicação das verbas em obras de manutenção predial – reforma de escolas e unidades de saúde, por exemplo.


Celina foi afastada do cargo após denúncias de envolvimento com supostos desvios de R$ 30 milhões de "sobras" parlamentares, provenientes de uma emenda destinada ao pagamento de empresas de gestão de UTIs.


Os alvos da operação policial são os membros da Mesa Diretora: Celina Leão, o primeiro-secretário, Raimundo Ribeiro (PPS), o segundo, Júlio César (PRB), e o terceiro, Bispo Renato Andrade (PR). Todos eles foram afastados das funções na Câmara, mas não perderam o mandato. Além dos membros da Mesa, o deputado Cristiano Araújo (PSD) também é investigado.

A deputada Liliane Roriz (PTB) durante sessão na Câmara Legislativa do DF (Foto: Câmara Legislativa/Divulgação)A deputada Liliane Roriz (PTB) durante sessão na Câmara Legislativa


Exoneração
As declarações de Celina acontecem depois da exoneração de José Wilson Porto e do afastamento de Alexandre Braga Cerqueira, ambos servidores comissionados que assessoravam a Mesa Diretora da Casa.



O Sindicato dos Servidores da Câmara Legislativa e do Tribunal de Contas (Sindical) pediram ao Ministério Público do Distrito Federal 
nesta quinta-feira (25) que solicite à Justiça o afastamento cautelar dos servidores membros da Mesa Diretora que assessoram os deputados suspeitos de receber propina em contratos com prestadoras de serviço de UTIs. Entre os alvos dos pedidos de afastamento do Sindical estavam Alexandre Braga Cerqueira e José Wilson Porto.


A lista é completada pelos secretários-executivos da primeira e segunda secretarias da Casa, Leila Barreto Ornelas e Rusembergue Barbosa de Almeida, respectivamente. “Para o Sindical, a decisão judicial que afastou os parlamentares da Mesa Diretora foi inócua e sem efeito prático, uma vez que os assessores diretos dos parlamentares, que compõem a Mesa, continuam agindo livremente”, afirmou a entidade.


Investigação
As investigações da polícia sobre o suposto esquema de corrupção na Câmara culminou com o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão, 8 mandados de condução coercitiva e 4 de afastamento cautelar.

As buscas foram feitas nos gabinetes parlamentares, na Presidência da Câmara e na residência das pessoas citadas. Segundo o Ministério Público, todos se apresentaram espontaneamente, dispensando o cumprimento da condução coercitiva.


Além dos membros da Mesa Diretora, a operação deflagrada pela Polícia Civil também investiga o deputado Cristiano Araújo (PSD), citado nos áudios; o servidor da Câmara Alexandre Braga Cerqueira, o ex-servidor Valério Neves Campos e o ex-presidente do Fundo de Saúde do DF Ricardo Cardoso. Todos foram intimados a depor. Todos negam envolvimento com irregularidades.


“As investigações são sigilosas. Elas vieram a conhecimento público antes do momento que julgávamos oportuno. Essa palavra é muito cara, porque o princípio mais importante da investigação é a oportunidade”, afirmou o promotor de Justiça do Grupo de Apoio ao Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Clayton Germano, quando a operação foi lançada.

A ação policial ocorreu quase uma semana depois de a corporação apreender documentos e computadores no Palácio do Buriti, em uma investigação para apurar suspeitas de extorsão contra a presidente do sindicato dos servidores na Saúde (SindSaúde), Marli Rodrigues

 

Fonte: *Via G1 - Clipping

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