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ATO POR SALÁRIOS: Policiais civis fixam cruzes em frente ao Congresso nesta terça

Categoria recusou a proposta de reajuste oferecida pelo GDF. Ato simboliza número de homicídios e latrocínios ocorridos na atual gestão

"Nós temos carregado esse fardo, essa cruz que é a segurança pública do Distrito Federal", disse o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Rodrigo Franco. De acordo com a entidade, entre janeiro de 2015 e agosto de 2016, foram mais de 50 mil roubos a pedestres na Grande Brasília..


Durante o ato, três faixas da via S1 (Eixo Monumental) foram bloqueadas no trecho compreendido entre o Ministério do Planejamento e o Congresso Nacional, até que os manifestantes chegassem ao gramado onde as cruzes foram fixadas.


"Em memória às 1.073 pessoas que morreram durante o governo Rodrigo Rollemberg, nós fazemos esse ato", disse o presidente do Sinpol, durante discurso. Os policiais também fizeram um minuto de silêncio durante a manifestação.


A assembleia da categoria ocorreu nesta terça-feira em frente ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, na Esplanada dos Ministérios. Durante a reunião, além da recusa da proposta do GDF, foi aprovada a manutenção da operação-padrão.


De acordo com a nova proposta de reajustes salariais apresentada pelo governador, percentuais entre 8,5% e 4,5% seriam repassados aos agentes e delegados entre 2017 e 2021.

Policiais civis do Distrito Federal fixaram 1.073 cruzes no gramado em frente ao Congresso Nacional nesta terça-feira (6) (Foto: Mateus Vidigal/G1)

A categoria pede equiparação imediata com a Polícia Federal, que já concluiu a negociação salarial com o Ministério do Planejamento. A proposta atual feita pelo Palácio do Buriti aos policiais civis prevê 7% de aumento em 2017, 7,5% em 2018, 8,5% em 2019, 5% em 2020 e 4,5% em 2021.

O presidente do Sinpol, Rodrigo Franco, afirmou que a proposta "continua sendo um recuo e mantém a quebra da isonomia" com a Polícia Federal, uma vez que outra proposta do GDF -- de 7% em 2017, 10% em 2018 e 10% em 2019 -- já havia sido recusada.


Rombo de R$ 1 bilhão
O chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, disse ao G1 no dia 5 de agosto que o governo não tem dinheiro em caixa e que, para dar aumento aos policiais, terá que cortar em outras áreas. Segundo ele, o Buriti ainda precisa encontrar R$ 1 bilhão para fechar as contas de 2016.

"O que resta para o restante da cidade é insuficiente. A população precisa entender que, se formos conceder esse reajuste, o governo terá que tirar por meio de arrecadação de impostos ou cortando serviços, como medicamento dos hospitais, manutenção de equipamentos hospitalares", declarou.

Policiais civis do Distrito Federal fazem assembleia na Esplanada dos Ministérios (Foto: Mateus Vidigal/G1)Policiais civis do Distrito Federal fazem assembleia na Esplanada dos Ministérios

Dos R$ 32 bilhões que constam no orçamento do GDF para 2016, R$ 26,2 bilhões serão destinados à folha de pagamento, entre salários e benefícios e sem contar os terceirizados, que entram no cálculo de custeio. O valor corresponde a 85% do total do orçamento.


Como parâmetro, Sampaio cita que a Lei de Responsabilidade Fiscal "trava" o gasto com pessoal em 47% . "No DF, 81% de tudo que o que é arrecadado é pago com folha de pessoal. É uma situação de inviabilidade econômica do Estado. Não há mágica a se fazer nessas condições", diz.

Sampaio também disse que o ponto dos policiais civis que aderirem às paralisações programadas pela categoria será cortado. Segundo ele, os policiais oferecem "serviços peculiares" e, por isso, não podem fazer greve.


 

 

Fonte: *Via G1 - Clipping

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