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INVESTIGAÇÃO: Segundo Luiz Estevão, ele é "o único bandido diplomado" da cidade

Preso na Papuda, o ex-senador cumpre pena de 26 anos

Em conversa gravada por Liliane Roriz, ex-senador indica que contribuições de empreiteiras para a campanha de 2014 foram intermediadas por Gim Argello, pela condição de vice-presidente da CPI da Petrobras. Denúncia está no Ministério Público

 

O maior escândalo político dos últimos tempos no Distrito Federal, que ficou conhecido como UTIGates, cruzou com a Operação Lava-Jato. Em 2 horas e 18 minutos de uma conversa na casa da deputada Liliane Roriz (PTB), o ex-senador Luiz Estevão fala com desenvoltura sobre corrupção, relações pessoais, articulações políticas, negócios e as penas que cumpriria pelas condenações judiciais. Era abril de 2015, durante a Semana Santa. Um ano e meio depois, as gravações de Liliane Roriz sobre cobranças de propinas para aprovação de emendas na Câmara Legislativa motivaram a Operação Drácon.

 

 Num dos trechos mais contundentes da conversa, Estevão dá a entender que os recursos usados na campanha de Liliane, doados pela UTC Engenharia, saíram de extorsões lideradas pelo ex-senador Gim Argello, pela condição de vice-presidente da CPI da Petrobras. O esquema foi confirmado meses depois por executivos das empresas investigadas na Lava-Jato, em delações premiadas. “Você, por exemplo, nestas eleições, não precisou tirar dinheiro do seu bolso. É uma situação que não se repete. Você não terá um Gim Argello, vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a Petrobras, em que as empreiteiras, até então não tinha começado a Operação Lava Jato, pagariam qualquer preço para o Gim para que ele evitasse que elas fossem convocadas para depor na CPI. Verdade isso, ou não é? E por que você acha que aquelas doações aconteceram?”, indaga o ex-senador. Liliane Roriz recebeu cerca de R$ 1 milhão da UTC Engenharia, e as doações foram intermediadas por Gim. 

 

A filha de Joaquim Roriz entregou a gravação à Procuradoria-Geral da República, por conta da vinculação com a Lava-Jato. No momento da conversa, Estevão era aliado político de Liliane e comandava o PRTB, partido pelo qual ela chegou à Câmara Legislativa. Com essa liberdade para falar abertamente com Liliane, o empresário se auto-intitula o “único bandido diplomado de Brasília”. Ele se referia ao fato de estar cumprindo pena em regime semi-aberto e ter condenações que somavam mais de 30 anos de prisão. Estevão diz que, em Brasília, “de cada 100 caras, 90 são bandidos”. “Vivem de bandidagem, putaria e sacanagem. Vivem roubando, tomando dinheiro, cobrando comissão, entendeu? Fazendo negócio fajuto com o governo local, com o governo federal. Agora, o que acontece? Todo mundo é santo. A cidade só tem um bandido que é conhecido, com diploma pregado na parede. Quem é o único bandido diplomado de Brasília? Diga, pode falar o que o seu sorriso tá dizendo”, disse Luiz Estevão à deputada. “Pode dizer, quem é? É Luiz Estevão”, admitiu o ex-senador.

 

Recibos de doações

 

Valério Neves Campos, então secretário-geral da Mesa Diretora da Câmara Legislativa, participou de toda a conversa. Muito próximo de Estevão, ele conhece Liliane há duas décadas. Foi braço direito de Joaquim Roriz por 12 anos nas gestões no GDF. Na campanha de 2014, Valério foi responsável pelos recibos de doações das empreiteiras investigadas no escândalo da Petrobras. Acabou, como Gim Argello, denunciado na Lava-Jato. Responde pelos crimes de concussão, corrupção ativa, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Valério também apareceu na Drácon, investigação da Polícia Civil e do Ministério Público do DF, depois de ser novamente gravado por Liliane supostamente tratando da aprovação de uma emenda parlamentar para pagamento de dívidas na área de saúde.

 

Ao ouvir de Luiz Estevão sobre o relato de todo o investimento que ele havia feito para elegê-la, Liliane questionou: “O que você quer de mim politicamente?”. O ex-senador diz que não quer nada. E afirma ter interlocução com o governo “que independe de propina”. “Eu não preciso da Câmara Legislativa para defender meus projetos”, garante. “Se você me perguntar que projeto que eu quero que você apresente na Câmara, eu digo: nenhum. Que posição que eu quero que você defenda? Nenhuma. Primeiro, porque eu tenho uma boa interlocução com o governo. Eu falo diretamente com o Rodrigo (Rollemberg) e com o Hélio (Doyle) a hora que eu quero e da maneira que eu quero”, garantiu Luiz Estevão, apresentando uma suposta influência no governo Rollemberg.

 

Bancada de Estevão

 

 Durante o bate-papo, Luiz Estevão faz uma longa explanação sobre os motivos pelos quais a distrital deveria permanecer no PRTB. O empresário lembra que colocou dinheiro na campanha dos candidatos do partido e afirma que isso teria sido indispensável para a eleição do grupo. Além de Liliane, o partido de Estevão elegeu o presidente em exercício da Câmara, deputado Juarezão, que depois de eleito migrou para o PSB de Rollemberg. “O PRTB foi o terceiro partido mais bem votado. Não fosse esse monte de gente que eu paguei, a gente não teria feito coeficiente eleitoral. É óbvio”, argumenta o ex-senador. 

 

Segundo Estevão, os frutos teriam sido colhidos no momento da eleição da Mesa Diretora. Em janeiro de 2015, Liliane Roriz foi eleita vice-presidente da Câmara. Luiz Estevão afirma ter interlocução com Celina Leão, escolhida presidente da Casa. Durante a conversa, Estevão lembra a deputada a todo tempo sobre a possibilidade de dar dinheiro para eleger candidatos do partido. “Que presidente de partido tira dinheiro do bolso para eleger deputados? Que presidente de partido não está preocupado com as eleições de governador, nem de vice, nem de senador, nem de deputado federal, só de distrital? Em qual outro partido o candidato vai encontrar essa situação?”, questiona o empresário. Ele parecia tentar convencer a parlamentar a permanecer na sigla. Quase um ano depois do diálogo, Liliane migrou para o PTB. 

 

O ex-senador traçou um cenário de dificuldades para obter recursos para a campanha de 2018. “Até as doações legais que as empresas envolvidas na Lava-Jato fizeram, hoje, estão sendo consideradas suspeitas. Acho que não haverá outros presidentes de partidos dispostos a tirar dinheiro do bolso para eleger deputados”, alega Luiz Estevão.

 

 Na conversa, os dois discutem sobre divergências a respeito de indicações para o gabinete de Liliane e para a vice-presidência. O assunto gerou desentendimentos entre os dois e a parlamentar reclamou da pressão de Luiz Estevão para empregar pessoas ligadas a ele. “Estava muito assustada com essa história de gente atrás de mim pedindo emprego”, justificou Liliane, explicando por que resistiu em nomear servidores a pedido do ex-senador. 

 

Pessoas próximas a Liliane contam que a deputada juntou provas contra todos os que tentaram prejudicá-la. As gravações eram feitas na área gourmet de sua casa, no Lago Sul.

 

“Você, por exemplo, nestas eleições, não precisou tirar dinheiro do seu bolso. É uma situação que não se repete. Você não terá um Gim Argello, vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a Petrobras, em que as empreiteiras, até então não tinha começado a Operação Lava Jato, pagariam qualquer preço para o Gim para que ele evitasse que elas fossem convocadas para depor na CPI”

 

“A cidade só tem um bandido que é conhecido, com diploma pregado na parede. 

Quem é o único bandido diplomado de Brasília? Diga, pode falar o que o seu sorriso está dizendo. 

Quem é o único bandido diplomado de Brasília? Pode dizer, quem é? Luiz Estevão”

 

“Nesta cidade, de cada 100 caras, 90 são bandidos. E vivem de bandidagem, 

putaria e sacanagem. Vivem roubando, tomando dinheiro, cobrando comissão, entendeu? 

Fazendo negócio fajuto com o governo local, com o governo federal”

 

“Não haverá outros presidentes de partidos dispostos a tirar dinheiro do bolso para eleger deputados”

 

“Eu não preciso da Câmara Legislativa para defender meus projetos” 

 

“Eu tenho uma boa interlocução com o governo. Eu falo diretamente com o Rodrigo e com o Hélio a hora que eu quero e da maneira que eu quero” 

 

“O que eu quero? Eu vou mostrar para essa cidade quantos bandidos Brasília tem e quem são. Vai ser minha diversão pelos próximos anos. Mostrar realmente a Brasília que as pessoas tentam esconder”

 

“O PRTB foi o terceiro partido mais bem votado. Não fosse esse monte de gente que eu paguei, a gente não teria feito coeficiente eleitoral” - (*Por: Ana Maria Campos/Helena Mader/Isa Stacciarini/Leonardo Meirelles)

 

Fonte: *Via CB Clipping

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