Image and video hosting by TinyPic

 

Image and video hosting by TinyPic

 

compartilhar

"MÁFIA DAS PRÓTESES": MP pede R$ 30 milhões em reparação a vítimas de cirurgias desnecessárias

Valor corresponde ao que teria sido movimentado por esquema em 5 anos. Grupo é suspeito de lucrar prescrevendo procedimentos sem necessidade.

O Ministério Público do Distrito Federal pediu à Justiça que condene médicos, fornecedores e hospitais envolvidos na "máfia das próteses" a pagar R$ 30 milhões em reparação de danos causados pela suposta organização criminosa.

 

A denúncia foi protocolada nesta terça-feira (20) e cita 19 pessoas suspeitas. 

 

Se o grupo for condenado, o valor poderá ser divididido entre os réus. A ação não interfere em processos individuais, que ainda poderão ser apresentados pelos pacientes e pelos planos de saúde, por exemplo. A soma de R$ 30 milhões deve ser corrigida com juros e inflação a partir da data dos crimes.


Os 19 citados são suspeitos de lucrar com a prescrição de cirurgias sem necessidade ou com materiais de qualidade inferior ao que era determinado. Se a denúncia for aceita, eles viram réus na ação. De acordo com a polícia e o MP, o esquema movimentou mais de R$ 30 milhões nos últimos cinco anos.


Segundo as investigações, estima-se que cerca de 60 pacientes tenha sido lesados neste ano por apenas uma empresa suspeita de irregularidade. De acordo com o inquérito, o esquema envolvendo cirurgias desnecessárias, superfaturamento de equipamentos, troca fraudulenta de próteses e uso de material vencido em pacientes é "milionário". As pessoas e empresas citadas negam irregularidade.

Resultado de imagem para mafia das proteses df

Em nota, o hospital Home informou que "não teve acesso ao inquérito e aos termos da denúncia relativos ao caso das próteses" e disse reafirmar que "não teve qualquer envolvimento" no caso. Segundo o texto, o hospital não teve benefícios financeiros ou qualquer outro a partir do esquema, e eventuais ações indevidas ocorreram sem o conhecimento da direção.


Núcleos
Segundo o promotor de Justiça do MP Maurício Miranda, as investigações apontaram "três grupos bem definidos" no esquema de órteses e próteses. No primeiro, estão pessoas relacionadas à empresa TM Medical, que fornecia os implantes cirúrgicos.

Resultado de imagem para mafia das proteses df

"Eles inflacionavam os equipamentos que seriam utilizados nas cirurgias, orquestravam junto ao hospital para que houvesse o bom andamento e que as operações fossem feitas da forma mais imediata possível. A empresa ainda atuava de forma bastante fraudulenta. Materiais que deveriam ser utilizados, e não eram. Materiais que deviam ser descartáveis eram substituídos por materiais que deveriam ser esterilizados, e não eram. Além de materiais importados com preços bastante superiores a outras opções nacionais. Em alguns procedimentos, foram utilizados materiais fora do prazo de validade", diz Miranda.


Nesse núcleo, foram denunciados os sócios Mariza Aparecida Rezende Martins, Micael Bezerra Alves e Johnny Wesley Gonçalves (marido de Mariza e sócio oculto), e os representantes comerciais Sammer Oliveira Santos, Danielle Beserra de Oliveira, Rosangela Silva de Sousa e Edson Luiz Mendonça Cabral.


O segundo núcleo identificado pelo MP é composto pela direção do hospital Home, na Asa Sul. "Eles evitavam a disputa que deveria acontecer na cotação dos preços. Se o médico indicasse a empresa, ela era que deveria ganhar a cotação e havia ciência desse procedimento", diz o promotor.


Três pessoas ligadas ao Home foram denunciadas. Além do sócio-administrador Nabil Nazir El Haje, o diretor Cícero Henrique Dantas Neto e o médico Antônio Márcio Catingueiro Cruz são citados na peça do MP.

O terceiro núcleo é formado por sete médicos que atuavam diretamente nas cirurgias, segundo a denúncia. Foram denunciados Marcos de Agassiz Almeida Vasques, Eliana de Barros Marques Fonseca, Rogério Gomes Damasceno, Juliano Almeida e Silva, Wenner Costa Catanhêde, Leandro Pretto Flores, Rondinely Rosa Ribeiro e Henry Greidinger Campos. A secretaria Rejane Pinheiro da Silva, que trabalhava com Greidinger, também foi denunciada.


"O grupo médico escolhia as empresas, o hospital, e recebiam agrados por essas escolhas. Em cada procedimento [cirúrgico] desse, [os médicos] foram ganhando R$ 30 mil reais por cirurgia. Observando o orçamento de um mês, as empresas ganhavam mais de R$ 1 milhão", diz Miranda.

Lucro alto
Segundo o Ministério Público, o lucro por cada operação ilegal era dividido entre cada grupo. O hospital ficava com 15% a 20% do montante, e os médicos, com outros 30%. O dinheiro restante era distribuído entre os sócios das empresas.

Miranda afirma que, em ligações feitas pelos médicos denunciados e obtidas pelos investigadores, conversas tratavam de uma busca por maiores ganhos nas operações. "Eles diziam coisas como 'o povo parece que tem medo de ganhar dinheiro', 'essa é a operação do século', 'como faço para ganhar mais dinheiro'".

Os 19 citados foram denunciados pelo crime de organização criminosa. Com a continuidade das investigações, eles também podem responder por crimes como estelionato, falsificação, lavagem de dinheiro, crimes contra a saúde e lesão corporal grave.


"Essa é a denúncia que está pronta, os demais fatos ainda serão analisados. Para que se tenha ideia, nós temos de sete a oito salas da Deco [Delegacia de Combate ao Crime Organizado] só de material apreendido, fora os computadores que foram recolhidos. Isso vai demorar cerca de dois meses para ser analisado", afirmou.

O promotor diz que a identificação de mais vítimas não está descartada. "Algo que nos causa preocupação é que a apuração se deu somente no período das escutas, onde pelo menos 60 vítimas foram identificadas. Como se trata de um crime não prescreve fácil, é possível que mais vítimas sejam listadas."

 

Fonte: *Via G1 - Clipping

COMENTÁRIOS