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INVESTIGAÇÃO OPERAÇÃO REVÉS: Mais empresários na mira da polícia

Outros mandados de prisão de pessoas envolvidas no esquema que desviou R$ 3,8 milhões do BRB devem ser autorizados nos próximos dias.

 Ontem, mais uma fase da investigação revelou outro núcleo no crime


A Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRS) vai cumprir, nos próximos dias, novos mandados de prisão temporária contra empresários do Gama acusados de participar do esquema fraudulento que desviou R$ 3,8 milhões do Banco de Brasília (BRB).

 

Os investigadores continuam as buscas por três foragidos: Ramon Carvalho Maurício Filho (filho do suspeito de ser o idealizador do esquema) e os irmãos Daniel Maurício Martins e Lourenço Maurício Mantis (sobrinhos de Ramon).


A terceira fase da Operação Revés, desencadeada ontem, revelou um segundo núcleo dentro do esquema. Os sete presos são ligados a empresas convocadas para participar do golpe. 

 

As investigações apontam que os empresários pagaram valores devidos a fornecedores de forma antecipada, a fim de captar os recursos do banco. O BRB entrou com ação para bloquear os bens de pelo menos dois envolvidos no esquema: Ramon e Luis Carlos, o Iti.

 

Na terça-feira passada, os sócios das empresas Gama Autocenter, Ferragens Guarani e De Gata Calçados, todas localizadas no Gama, foram presos. O delegado responsável pelo caso, Fernando Cesar Costa, chefe da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRF), explica que as investigações apontam que o grupo emitiu boletos falsos para angariar fundos do BRB.Resultado de imagem para policia civil operação revés brasilia df

 

Porém, depois, foi descoberta a existência de documentos verdadeiros. Eles teriam antecipado pagamentos de dívidas e tributos de fornecedores em até seis meses. “Em um momento de crise, isso é algo suspeito. Os repasses eram feitos de maneira on-line, na conveniência usada na fraude, porém o valor não era recolhido. Assim, a instituição financeira arcava com o prejuízo”, detalha o delegado. 

 

Segundo a polícia, a fraude foi planejada e executada pelos responsáveis pelo posto de conveniência bancária do BRB dentro de uma loja de produtos automotivos, chamada Gama Latas. A assessoria de imprensa do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) informa que foram identificados 53 envolvidos, cumpridos 40 mandados de prisão temporária e manifestação ministerial favorável à decretação de sete prisões preventivas.

 

Fernando Costa explica que o desvio dos R$ 3,8 milhões ocorreu em um único dia, 19 de fevereiro, e levantou suspeita pelo alto valor das transações. “O movimento diário raramente ultrapassava R$ 200 mil, incluído todo tipo de transação: em dinheiro, cartão e transferência bancária. O volume em espécie não chegava a R$ 60 mil diários. Os bancos dificilmente deixam mais que R$ 200 mil em moeda circulando na agência.”

 

O alto valor das transações chamou a atenção da área de correspondentes e de segurança do BRB, que acionou a polícia. Dos R$ 3,8 milhões desviados, o banco conseguiu bloquear R$ 600 mil. Porém, um dos envolvidos no esquema, o empresário e candidato a distrital nas eleições de 2014 Luiz Carlos dos Reis, o Iti, entrou na Justiça para pedir o desbloqueio. “Eles estavam tão confiantes no esquema e na certeza da impunidade que acionaram a Justiça”, detalhou o chefe da DRF.

 

Fantasma

A primeira e segunda fases da operação Revés foram deflagradas entre 4 e 13 de outubro. O esquema seria, segundo a DRS, todo apoiado por Ramon Carvalho Maurício, dono do posto de conveniência do BRB. Um funcionário fantasma, que utilizava o registro civil de uma vítima de roubo, autorizava as transações irregulares. “Eles treinaram esse empregado para efetuar as transações e ainda desligaram o circuito de segurança para que não fosse identificada a fraude.”

 

Nas demais fases, os agentes cumpriram 38 mandados de prisão de pessoas com envolvimento no esquema. Dessas, quatro permanecem presas: Ramon Carvalho Maurício, Lívia Dantas Maurício, Letícia Dantas Maurício (filhas de Ramon) e Gabriel Maurício Martins (marido de Letícia). De acordo com Fernando César, o segundo esquema ocorreu no mesmo dia, mas sem o conhecimento de Ramon. O gerente do estabelecimento, Gabriel, e os irmãos dele, Daniel Maurício Martins e Lourenço Maurício Martins, que também possuem um posto do BRB na região, foram responsáveis pela captação das três empresas que anteciparam o pagamento de fornecedores e tributos.

 

A Polícia ainda trabalha com a hipótese de que o dinheiro desviado do BRB tenha sido levado para fora do país. Os investigadores identificaram que Ramon Maurício viajou no mesmo dia da fraude para o Paraguai, em uma região conhecida para prática de lavagem de dinheiro. “Repassamos a situação para a Polícia Federal.” O Correio entrou em contato com as empresas envolvidas no esquema, porém em nenhuma foi emitido posicionamento sobre o assunto.

 

O advogado de Luiz Carlos Reis, João Rodrigues Neto, disse que o cliente admitiu a culpa e vai devolver todo o dinheiro desviado ao BRB. Ele também vai dar assessoria jurídica a parentes e amigos que cederam, sem saber do crime, suas contas para que ele fizesse depósitos e resgatasse os valores fraudados do banco. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos demais citados na reportagem.

 

 

Fonte: *Via CB Clipping

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