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DISTRITAIS: Cinco nomes miram a presidência da Câmara Legislativa do Distrito Federal

A eleição será em 15 de dezembro. Falta de consenso na base governista pode levar a uma derrota para Rollemberg

Além da votação para a escolha do presidente, serão eleitos o vice-presidente e os três secretários da Mesa.


A menos de um mês para a eleição que vai escolher os novos integrantes da Mesa Diretora da Câmara Legislativa do Distrito Federal, a disputa está acirrada. Ao menos cinco nomes articulam a candidatura para o cargo mais cobiçado da cúpula da Casa.

 

A votação será realizada em 15 de dezembro. As articulações para o pleito acontecem em um momento de grande expectativa entre os distritais: o prazo para o fim das investigações da Operação Drácon acabou ontem e o Ministério Público do Distrito Federal está finalizando a apuração de denúncias envolvendo cinco deputados.

 

Com o avanço das articulações, a semana reserva movimentos decisivos para os rumos do pleito. O Bloco Sustentabilidade e Trabalho, da base governista, definirá, até quarta-feira, o representante na corrida: Israel Batista (PV) ou Joe Valle (PDT). A oposição, em outra vertente, deve dar fôlego à tentativa de emplacar Wellington Luiz (PMDB), presidente da CPI da Saúde, como postulante ao cargo.

 

A exemplo de biênios anteriores, o quadro definitivo de concorrentes só deve ser definido dias antes da disputa. O Palácio do Buriti, inclusive, terá dores de cabeça. Entre os quatro possíveis nomes da disputa, três integram a base aliada. Assim, Rodrigo Rollemberg (PSB) terá que se impor para evitar que o racha leve o GDF a uma derrota. Tramita na Casa um pedido de impeachment do governador e cabe à presidência avaliar a admissibilidade do pedido. Uma eventual vitória da oposição será perigosa para o Palácio do Buriti.

 

Aliados do Buriti, Agaciel Maia (PR), Israel Batista (PV), Joe Valle (PDT) e Sandra Faraj (SD) são cotados para a disputa. Na oposição, nome mais forte é de Wellington Luiz (PMDB)

 

Oficialmente, apenas Agaciel Maia (PR) lançou a candidatura. A expectativa é que o atual presidente da Comissão de Orçamento e Finanças, conhecido pelo diálogo com oposicionistas e governistas, receba a bênção do chefe do Executivo local. Caso o apoio seja efetivado, o integrante do PR conquistará os votos do presidente em exercício da Câmara, Juarezão (PSB), e de Luzia de Paula (PSB).

 

Com um discurso de pacificação, o deputado distrital já articula há algumas semanas com lideranças na Casa. “Vivemos uma fase difícil. Alguns parlamentares acreditam que aprovar projetos de iniciativa do GDF fortalece o governo e enfraquece a oposição; por isso, caem na contradição. Há a necessidade de impulsionar o diálogo e resolver as questões internas, para oferecermos um melhor serviço à população”, apontou.

 

Na contramão dos planos do Palácio do Buriti, o Bloco Sustentabilidade e Trabalho anunciará o nome do representante na disputa nesta semana. Israel Batista possui o melhor relacionamento com o governo de Brasília, mas Joe Valle manteve a articulação mais ostensiva durante o mês.

 

Esta é a segunda vez que o integrante do PDT almeja a presidência da Câmara Legislativa. Em 2014, Joe pleiteou o cargo. À época, entretanto, o governador Rodrigo Rollemberg decidiu apoiar Celina Leão, que, até então, integrava o PDT. Sem a bênção do Executivo local, Joe decidiu não entrar na disputa e Celina venceu o pleito como candidata única.

 

O cenário não se repetirá neste biênio. Reginaldo Veras (PDT), presidente do Bloco Sustentabilidade e Trabalho, cuja composição abarca ainda Chico Leite (Rede) e Cláudio Abrantes (Rede), contatou Rodrigo Rollemberg na última semana para conversar sobre o pleito. “Pode ser um tiro no pé, mas avisei que, independentemente de possíveis determinações do Executivo local, não desistiremos do cargo”, alegou. O posicionamento reflete o descontentamento do grupo com a falta de cargos na Mesa Diretora da Câmara Legislativa, atualmente integrada por Juarezão, Raimundo Ribeiro (PPS), Júlio César (PRB) e Bispo Renato Andrade (PR).

 

Ainda na base, surge o nome de Sandra Faraj (SD). A presidente da Comissão de Constituição e Justiça pode atrair os votos da bancada evangélica, composta por Rodrigo Delmasso (PTN) e Telma Rufino (sem partido). A deputada distrital alega que a presidência não está em seus planos, mas não descarta a possibilidade da candidatura em caso de consenso. “Meu foco é ajudar na reconstrução da imagem da Câmara perante a sociedade. Não penso em ser presidente da Casa, mas, se meus colegas acreditarem que é o melhor, aceitarei o desafio”, desconversou.

 

O elevado número de interesses e ramificações que pode acarretar o revés do Buriti é o reflexo do momento nacional de protesto, segundo o especialista em políticas públicas Emerson Masullo. “É normal que, apesar de integrar a base, alguns deputados distritais queiram recuperar a legitimidade de seus blocos e, com um voto interno, desejem mostrar força”, opinou. O professor acredita que o governo de Brasília deva unificar os interesses para vencer. “O ideal seria que todos aderissem à determinação do GDF, mas acredito que esta não seja a realidade. Devido à posição de Reginaldo Veras, o Executivo precisará unir as forças dos outros dois possíveis candidatos, que não apresentam unanimidade em seus blocos, e lançar o parlamentar com mais fôlego e prestígio”, ponderou Masullo. “A reeleição de Rollemberg depende disso. Com as ações de oposicionistas na organização da pauta do Legislativo local e à frente do diálogo entre Câmara e população, a imagem dele, que já está um pouco desgastada, pode piorar ainda mais”, explicou o especialista.

 

Oposição

A Operação Drácon minou os planos para o segundo biênio do mandato da presidente da Câmara Legislativa afastada pela Justiça, Celina Leão (PPS). A deputada distrital havia conseguido, em dezembro de 2015, a aprovação em primeiro turno de um projeto de emenda à Lei Orgânica, cujo conteúdo permitiria a reeleição para os cinco cargos da Mesa Diretora. Ela trabalhava, desde o início de 2016, para emplacar o aval ao documento também no segundo turno.

 

Com a inviabilidade do plano principal, os oposicionistas devem apostar na ruptura da base governista e lançar Wellington Luiz (PMDB) como postulante ao cargo. O peemedebista diz desconhecer o cenário, mas garante que, se houver consenso, lutará pelo posto. “As coisas ainda não estão bem definidas. Porém, se a oposição realmente emplacar minha candidatura, estarei preparado”, comentou. Segundo fontes ouvidas pelo Correio, a articulação em torno do nome de Wellington é promovida, principalmente, pelo Bloco Popular Solidário Social, de Celina e Raimundo Ribeiro (PPS), maiores opositores do Executivo local na Câmara Legislativa.

 

Os diálogos no Legislativo local, inclusive, não são restritos à presidência. O PT lançou oficialmente o nome de Ricardo Vale como candidato ao cargo de vice-presidente. “Pelo tamanho da bancada e pela representatividade na Câmara, acreditamos que merecemos um espaço na Mesa Diretora. O partido mantém um bom diálogo com base e oposição. Isso é importante”, declarou o parlamentar.(*Por:Ana Viriatto)

 

Fonte: *Via CB/Clipping

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