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CAOS DO CAOS: Servidores do SAMU fazem "vaquinha" para abastecer ambulâncias em Brasília

Secretaria de Saúde diz que houve 'suspensão momentânea' do serviço. Em situação semelhante, idoso morreu após esperar dez horas por serviço.

"A ordem é de rodar até acabar, que aí não tem jeito de rodar mais. Tomografia, tudo é aqui, então não tem como trazer. Segundo o gerente do posto, é falta de pagamento. O governo não pagou, tem débito, e aí não tem mais acesso" - Mizael Nunes, motorista de ambulância

 

Servidores fizeram uma “vaquinha” para abastecer parte das ambulâncias do SAMU do Distrito Federal que estavam paradas nos pátios de hospitais até a madrugada desta quarta-feira (23) por falta de gasolina.

 

A situação foi semelhante à ocorrida em outubro, quando um idoso morreu após esperar mais de dez horas por um veículo do tipo, por falta de verba para o pagamento de servidores.

 

Por e-mail, a Secretaria de Saúde disse que houve “suspensão momentânea” na parte da manhã e da tarde, mas que o serviço já havia sido restabelecido. A pasta não informou o que ocorreu desta vez que levou ao problema.


Apesar de o caso ser classificado como “momentâneo” pelo governo, a reportagem da TV Globo encontrou de madrugada duas ambulâncias paradas na garagem do Samu de Ceilândia.

“Eu sei que está cortado. Não está podendo abastecer, é o que foi passado. Mas tem algumas viaturas que ainda têm combustível”, afirmou um servidor. Na garagem de Taguatinga, funcionários relatam que apenas ambulâncias mais avançadas, com serviço de UTI, puderam ser abastecidas.


Em um vídeo gravado horas antes, outro servidor relatou a mesma situação no Hospital Regional de Santa Maria. “Estamos sem combustível na rede de saúde do GDF. Viaturas paradas, sem dar assistência às remoções dos doentes internados. O Samu está fazendo uma troca de viaturas por reservas quando acaba o combustível de uma viatura, colocando em risco o atendimento de emergência das unidades”, relatou.


A situação também afeta veículos que levam e trazem pacientes de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para fazer exames em hospitais. “A ordem é de rodar até acabar, que aí não tem jeito de rodar mais. Tomografia, tudo é aqui, então não tem como trazer. Segundo o gerente do posto, é falta de pagamento. O governo não pagou, tem débito, e aí não tem mais acesso”, disse o motorista de ambulância Mizael Nunes.


Para tentar contornar a situação Nunes afirma que os funcionários tiveram de contribuir para uma “vaquinha”. “Os diretores daqui botaram R$ 100 nas duas ambulâncias, R$ 100 em cada uma. Aí só foi isso. Se acabar, e o governo não providenciar, aí para tudo, infelizmente.”


Morte por falta de combustível
O Ministério Público informou que investiga a morte do idoso que morreu à espera de uma ambulância do Samu porque faltava combustível. A apuração é conduzida pela Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde (Pró-vida).

Antônio Paiva Filho estava internado havia oito dias no Hospital de Planaltina e tinha conseguido vaga na UTI de um hospital particular, mas teve de aguardar por conta da falta de combustível. Quando uma ambulância chegou ao hospital, ele já tinha morrido por infecção generalizada.

A Secretaria de Saúde afirmou que o idoso teve atendimento adequado na unidade de Planaltina, mas que o caso era muito grave. A pasta disse que o homem teve suporte e terapia intensiva. A secretaria nega que tenha havido prejuízo a pacientes por falta de combustível em ambulâncias.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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