compartilhar

ATOS CONTRA A PEC: GDF começa a limpar pichações em prédios da Esplanada após vandalismo

Museu Nacional, Catedral e ministérios foram alvo de vandalismo. Custo é de R$ 186 por hora de trabalho; protesto de terça reuniu 10 mil pessoas.

Equipes da Novacap começaram a limpar nesta sexta-feira (2) as pichações feitas em prédios da Esplanada dos Ministérios – como a Catedral Metropolitana e o Museu Nacional – durante protesto que reuniu 10 mil pessoas contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que limita os gastos do governo federal nos próximos 20 anos. De acordo com o governo, o custo é de R$ 186 por hora de trabalho.

O valor já inclui produtos, mão de obras e equipamentos. Não há prazo previsto de duração dos esforços.


O protesto aconteceu na terça, mesmo dia em que a PEC foi aprovada em primeiro turno no Senado. Ativistas políticos e estudantes participavam do ato de forma pacífica quando um grupo de vândalos deu início à depredação.


Carros foram virados e queimados; placas de trânsito e de identificação de ministérios, retiradas; luminárias, arrancadas; orelhões, danificados; caixas de correio, detonadas; e grades, destruídas. Houve 11 detidos, incluindo homens que estavam com rojões na mochila.

Pichações no Museu Nacional de Brasília durante protesto contra a PEC que limita o teto de gastos nesta terça-feira (29) (Foto: Luiza Garonce/G1)Pichações no Museu Nacional de Brasília durante protesto contra a PEC que limita o teto de gastos nesta terça-feira (29)



Os estragos se estenderam até para as bicicletas das estações do Itaú, que são emprestadas por meio de um aplicativo de celular. Lixeiras foram incendiadas para montagem de barricadas.


A placa turística em frente à Catedral Metropolitana foi arrancada, e lixo e garrafas foram espalhados pelo Eixo Monumental.

As paredes do Museu Nacional ganharam pichações em diversas cores com mensagens como “fora, Temer”, “ocupa” e “viva o povo brasileiro”. De acordo com a Novacap, a limpeza dos prédios na Esplanada dos Ministérios tem como foco “deixar a cidade mais bonita para as festas de fim de ano”.

Funcionário da Novacap limpa pichação em prédio da Esplanada dos Ministérios feita durante ato contra PEC do teto de gastos na terça-feira (Foto: Elielton Lopes/G1)


Para as atividades, são usados com jatos de água quente com alta pressão e produtos químicos biodegradáveis.


A Novacap afirmou que as equipes são capacitadas para o trabalho, pois com frequência precisam limpar pichações em pontes e viadutos. O Buraco do Tatu também deve ser contemplado pelo mutirão.


O protesto
Os manifestantes e policiais militares entraram em confronto depois que um grupo virou carros que estavam estacionados de baliza na lateral da Esplanada. A corporação reagiu com bombas de gás lacrimogêneo. Os manifestantes quebraram, então, vidros e aparelhos de ar condicionado dos ministérios do Esporte e Desenvolvimento Agrário e da Educação, arrancaram placas de trânsito, quebraram orelhões e atearam fogo a veículos.

  Danos na placa de identificação da Catedral Metropolitana de Brasília feitos durante protesto contra a PEC 55 (Foto: Luiza Garonce/G1)

Danos na placa de identificação da Catedral Metropolitana de Brasília feitos durante protesto contra a PEC 55 (Foto: Luiza Garonce/G1)

Uma barricada foi montada na pista, com sacos de lixo, entulho e banheiros químicos. O Museu Nacional e outros prédios da Esplanada foram pichados. A PM voltou a dispersar bombas de gás na tentativa de dispersar o grupo. Por volta das 20h50, a Esplanada dos Ministérios já tinha sido liberada, mas os manifestantes davam continuidade ao ato na rodoviária do Plano Piloto.

Parte do grupo aplaudiu os atos de vandalismo. Os manifestantes gritavam “Fora, Temer”, “Não à PEC”. Outra parte dos manifestantes pediu a policiais militares que fizessem um cordão em volta da pista para garantir a segurança dos que não estavam envolvidos com a confusão.

  Grupo arranca placa de trânsito na Esplanada dos Ministérios durante ato contra a PEC 55 (Foto: Luiza Garonce/G1)Grupo arranca placa de trânsito na Esplanada dos Ministérios durante ato contra a PEC 55

A União Nacional dos Estudantes (UNE) criticou a postura dos policiais. "Não incentivamos qualquer tipo de depredação do patrimônio público. O que nos assusta e nos deixa perplexos é a polícia militar do governador Rollemberg jogar bombas de efeito moral, gás de pimenta, cavalaria e balas de borracha contra a estudantes, alguns menores de idade, que protestam pacificamente. Esse é o reflexo de um governo autoritário, ilegítimo e que não tem um mínimo de senso de diálogo."

Na avaliação do GDF, porém, a PM "agiu dentro dos padrões técnicos para o enfrentamento desse tipo de situação e procurou preservar o patrimônio e a segurança das pessoas". O porta-voz da Presidência da República, Alexandre Parola, fez um pronunciamento no Palácio do Planalto informando que o presidente Michel Temer "repudia" os atos de "vandalismo, destruição e violência".

Polícia dispara bombas de gás em estudantes que protestam contra a contra a PEC 55, que limita os gastos públicos para os próximos 20 anos, em frente ao Congresso Nacional em Brasília (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados) Polícia dispara bombas de gás em estudantes que protestam contra a contra a PEC 55, que limita os gastos públicos para os próximos 20 anos, em frente ao Congresso Nacional em Brasília (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)Polícia dispara bombas de gás em estudantes que protestam contra a contra a PEC 55, que limita os gastos públicos para os próximos 20 anos, em frente ao Congresso Nacional


PEC do teto
A proposta aprovada em primeiro turno no Senado estabelece que as despesas da União (Executivo, Legislativo e Judiciário) só poderão crescer conforme a inflação do ano anterior. O texto é considerado pelo governo um dos principais mecanismos garantir o reequilíbrio das contas públicas.

Pelo texto da PEC, se um poder desrespeitar o limite de gastos sofrerá, no ano seguinte, algumas sanções, como ficar proibido de fazer concurso público ou conceder reajuste a servidores.

Inicialmente, os investimentos em saúde e em educação entrariam no teto já em 2017, mas, diante da repercussão negativa da medida e da pressão de parlamentares aliados, o governo concordou em fazer com que essas duas áreas só se enquadrem nas regras a partir de 2018.


 

Fonte: *Via G1/Clipping

COMENTÁRIOS