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VANDALISMO: STF quer usar câmeras de segurança para apurar ato que tingiu estátua da Justiça

Boneca manchada de 'sangue' foi jogada em monumento na segunda, em suposto protesto contra aborto. Polícia Federal investiga o caso.

O Supremo Tribunal Federal (STF) pretende usar imagens de câmeras de segurança do próprio prédio e do governo do Distrito Federal para tentar identificar os autores de um protesto que atirou tinta vermelha na estátua da Justiça na segunda-feira (5).


 

O ato seria uma represália à decisão do último dia 29 que abriu precedente para a não punição a mulheres ou médicos que realizam o aborto.

Na ocasião, também foi lançada uma boneca aos pés do monumento.

Publicação em rede social mostra ato que manchou estátua do STF, na última segunda (Foto: Facebook/Reprodução)

Publicação em rede social mostra ato que manchou estátua do STF, na última segunda (Foto: Facebook/Reprodução)


A limpeza da estátua foi feita no mesmo dia pelas equipes que atendem o prédio. De acordo com o STF, não houve danos estruturais ao monumento.


A imagem do protesto foi publicada em redes sociais por uma das supostas idealizadoras, com a legenda "O Judiciário assassino", e alcançou 1,2 mil compartilhamentos em dois dias. No post, a autora listou outras oito pessoas que também seriam responsáveis pelo ato.

Em maio, mulheres que participavam da Marcha das Flores – ato em repúdio a uma denúncia de estupro coletivo contra uma adolescente no Rio de Janeiro – picharam os pilares do prédio. As manifestantes também colocaram flores e faixas penduradas na Estátua da Justiça, localizada em frente ao Supremo. A pichação foi limpa por servidores, e ninguém foi indiciado pelo ato.

Aborto
No último dia 29, a Primeira Turma do STF revogou a prisão preventiva de cinco médicos e funcionários de uma clínica de aborto do Rio de Janeiro, em um processo de 2013.

Faixas afixadas na grade do Supremo Tribunal Federal pedindo a não legalização do aborto (Foto: Luiza Garonce/G1)

Três dos cinco ministros que compõem o colegiado consideraram que a interrupção da gravidez até o terceiro mês de gestação não configura crime. Segundo o Código Penal, a mulher que aborta está sujeita a prisão de um a três anos; já o médico pode ficar preso por até 4 anos.

A maioria dos ministros da Primeira Turma, contudo, considerou que essa punição viola vários direitos da mulher previstos na Constituição: a autonomia; os direitos sexuais e reprodutivos; a integridade física e psíquica; e a igualdade em relação ao homem.

Balões e faixas de grupos contrários ao aborto afixadas em grade em frente ao Supremo Tribunal Federal (Foto: Luiza Garonce/G1)

Balões e faixas de grupos contrários ao aborto afixadas em grade em frente ao Supremo Tribunal Federal (Foto: Luiza Garonce/G1)

Balões e faixas de grupos contrários ao aborto afixadas em grade em frente ao Supremo Tribunal Federal 

A pauta do STF desta quarta-feira (7) previa a análise da liberação do aborto em mulheres grávidas de crianças infectadas pelo vírus da zika, um dos possíveis causadores da microcefalia. Grupos religiosos afixaram faixas na grade do prédio em protesto contra a possível decisão.

O julgamento, porém, não ocorreu, porque na mesma data a Corte avaliou a permanência de Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado. De acordo com o Supremo, não hánova previsão para a análise.


Obra de arte
A escultura "Justiça" foi feita por Alberto Ceschiatti, artista mineiro que também assina os anjos da Catedral Metropolitana e obras no Teatro Nacional, na Câmara, no Itamaraty e no Palácio da Alvorada.

 

Com 3,5 metros de altura, em granito claro, a obra de arte atingida pelo protesto representa a deusa grega Themis, símbolo da Justiça. Normalmente, a divindade é representada em pé, com olhos vendados, segurando uma espada e uma balança em equilíbrio. Na interpretação de Ceschiatti, Themis aparece sentada, com a venda nos olhos e a espada no colo.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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