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"SAIA-JUSTA": Diretor de escola faz desabafo e constrange Rollemberg em público

Em evento no Buriti, diretor do CED Casa Grande, do Gama, provoca saia-justa ao dizer que tira dinheiro do bolso para manter escola

O lançamento do novo portal da transparência do GDF foi marcado por uma saia-justa nesta sexta-feira (9/12).

Durante divulgação do Programa Controladoria nas Escolas no Palácio do Buriti, um diretor de um colégio do Gama fez um desabafo sobre as más condições da instituição que comanda e de falta de recursos na presença do governador Rodrigo Rollemberg (PSB).


Considerado uma das piores em termos de qualidade pelos próprios estudantes, o Centro Educacional Casa Grande, na zona rural do Gama, registra problemas de infraestrutura, como carteiras quebradas, ventiladores sem funcionamento, falta de bebedouros e inexistência de laboratórios de ensino.


O diretor do colégio, Edgard Vasconcelos (foto), que está à frente da instituição de ensino do Gama há oito anos, se defendeu  em público e afirmou que frequentemente usa dinheiro próprio bolso para fazer reformas no local.


"Gasto cerca de R$ 250 por mês com gás para ter como fazer a merenda dos jovens. Eu que comprei as torneiras instaladas nos banheiros. Transformei minha sala em dispensa para guardar alimentos. Fico muito triste com essa situação" - => Edgard Vasconcelos, diretor do CED Casa Grande, do Gama

Segundo ele, as dificuldades são frequentes também em outros colégios e se devem à má distribuição de recursos. “O dinheiro do Pdaf (Programa de Descentralização Administrativa e Financeira) é passado uma vez por ano e nem sempre é suficiente para pagar as contas atrasadas. Durante o restante do tempo, precisamos nos desdobrar”, afirmou Vasconcelos.

O recurso do Pdaf, oriundo do Tesouro Local, é dividido entre as escolas públicas do DF proporcionalmente ao número de alunos. No ano passado, o CED Casa Grande, com cerca de 540 estudantes, recebeu aproximadamente R$ 24,5 mil.

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Rollemberg: “Muitas das vezes, o aluno destrói algo que é dele”


A declaração do diretor causou um certo clima no evento. O governador do DF, Rodrigo Rollemberg, também se pronunciou, mas colocou a culpa nos próprios estudantes. “Muitas das vezes, o aluno destrói algo que é dele. Esse programa é importante para que eles tenham a percepção que os bens públicos são de todos. E quando quebram algo, o recurso que poderia ser usado em outra área tem de ser destinado à manutenção”, argumentou.


O secretário de Educação, Júlio Gregório, tentou amenizar a situação e prometeu que os recursos do Pdaf serão entregues até o final do mês. “Em alguns casos, falta a contrapartida dos colégios em prestar contas dos gastos, o que é fundamental para o repasse. O certo é que, até o dia 23, passaremos as quantias dos programas para que as dívidas sejam quitadas”, assegurou.


Controladoria nas escolas
O Programa Controladoria nas Escolas é uma iniciativa da Controladoria-Geral do DF com intuito de promover a participação dos próprios estudantes na fiscalização dos gastos das escolas públicas. “É fundamental que eles verifiquem as necessidades e estejam conscientes das formas de exigir mudanças”, afirmou o controlador-geral do DF, Henrique Ziller.


Na primeira edição do projeto, participaram quatro unidades: Centro Educacional 123 e Centro de Ensino Fundamental 404, ambas de Samambaia; Centro Educacional Incra 9, de Ceilândia, e o Centro Educacional Casa Grande, do Gama. No total, 315 alunos acompanharam a visita de auditores e apontaram com detalhes os problemas em cada escola.

Após levantar os problemas, os estudantes reuniram-se para sugerir soluções para alguns dos casos. O registro das falhas e possíveis melhorias foram compiladas em relatórios, entregues ao Poder Executivo durante a cerimônia desta sexta (9), no Palácio do Buriti.

 

 

Fonte: *Via Metropole/Clipping

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