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CÂMARA DISTRITAL: TJ-DF nega abertura de inquérito contra Liliane por falso testemunho

Conselho Especial também negou devolução de material apreendido com distritais. Magistrados não atenderam pedido para apagar arquivos íntimos de investigados na operação Drácon.

O Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal não autorizou a abertura de inquérito contra a deputada Liliane Roriz (PTB) por falso testemunho e obstrução de Justiça nas investigações da operação Drácon, que apura desvio de verbas públicas.

O pedido era da distrital Celina Leão (PPS).

 

Segundo os desembargadores, Celina deveria reportar o caso a órgãos investigativos – como o Ministério Público e a polícia – antes de acionar a Justiça. A decisão é da última sexta-feira (9) e foi publicada nesta segunda-feira (12).


Resultado de imagem para CELINA LEAOEm entrevista na última segunda (5), Celina disse que Liliane apagou arquivos do celular que entregou ao Ministério Público e que o órgão foi "enganado" pela rival política, que teria mentido ao denunciar o suposto esquema de desvio de verba da Câmara Legislativa.


À época, a assessoria de Liliane disse que não iria se pronunciar sobre as acusações. Nos áudios gravados pela distrital, Celina fala sobre mudança de finalidade de uma emenda parlamentar que direcionou R$ 30 milhões da sobra orçamentária da Câmara a um grupo de seis empresas que prestam serviços de UTI. Segundo as denúncias, o repasse acabou beneficiando deputados, que foram denunciados pelo MP por corrupção passiva e podem ter os mandatos suspensos.


O grupo de desembargadores do Conselho Especial também decidiu não remover nem destruir mensagens íntimas de parlamentares do inquérito da Drácon, a pedido de Celina e Cristiano Araújo (PTB). Os dois foram acusados de corrupção passiva por supostamente cobrarem propina de empresas em troca de liberação de verbas.

O deputado distrital Cristiano Araújo (PSD) durante sessão na Câmara Legislativa do Distrito Federal (Foto: CLDF/Divulgação) O deputado distrital Cristiano Araújo (PSD) durante sessão na Câmara Legislativa do Distrito Federal (Foto: CLDF/Divulgação)Deputado distrital Cristiano Araújo (PSD)


Apreendido pela Polícia e pelo Ministério Público, o celular de Araújo continha vídeos em que ele aparece sem camisa fazendo imitações de famosos. Os arquivos foram tornados públicos quando o TJ derrubou o sigilo do processo, em 22 de novembro.

Ainda sobre os pertences dos deputados, os magistrados escolheram não devolver os bens apreendidos nas três fases de operação. Além de celulares, também há computadores, pendrives e HDs externos. Segundo o tribunal, até esta segunda ainda havia investigações em curso.

“Os objetos apreendidos durante o cumprimento das medidas cautelares ainda estão sendo analisados, cujas informações são cruciais para garantir a finalidade do procedimento e o sucesso na elucidação dos fatos nas próximas fases”, argumentou o relator do processo, José Divino.


Entenda as denúncias
Nos áudios feitos por Liliane, Celina fala sobre mudança de finalidade de uma emenda parlamentar que direcionou R$ 30 milhões da sobra orçamentária da Câmara a um grupo de seis empresas que prestam serviço de UTI. Segundo as denúncias, o repasse acabou beneficiando deputados da Mesa Diretora.

Em entrevista exclusiva à TV Globo, Liliane detalhou parte do suposto "acordo". Segundo ela, a negociação tratava de uma "sobra orçamentária" de R$ 30 milhões, destinada originalmente à reforma de escolas e unidades de saúde.


No começo de dezembro de 2015, os distritais aprovaram uma mudança no texto, direcionando o aporte para pagar dívidas do Palácio do Buriti com prestadoras de serviço em UTIs. O esquema teria sido montado pelo distrital Cristiano Araújo, que nega a acusação. Pela denúncia, o acordo envolveria repasse aos deputados de 7% sobre o valor das emendas.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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