compartilhar

8 POR CENTO: Motoristas começam a pagar gasolina mais cara com novo reajuste no Plano Piloto e cidades-satélites

Aumento foi aprovado em dezembro de 2016, mas começou a valer em janeiro deste ano. Preços maiores no litro da gasolina coincidem com reajuste das tarifas de ônibus e metrô.

O reajuste de 8% no preço da gasolina chegou às bombas do Distrito Federal nesta primeira semana de janeiro.

O aumento coincide com o aumento das tarifas do transporte público, em que as passagens passaram a custar até R$ 5.

 

Anunciado em 8 de dezembro de 2016, os novos valores representam em média um acréscimo de R$ 0,10, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP).


Em uma ronda realizada em postos do DF, a tarifa mais cara foi encontrada na QL 12 do Lago Sul. Lá, o preço da gasolina estava a R$ 3,89 por litro nesta quarta-feira (4). Isso significa R$ 0,23 a mais do que a média registrada pela ANP nos postos do DF na última semana de 2016.


No Plano Piloto, os postos visitados mostraram preços que variam de R$ 3,55 (na 204 Sul) a R$ 3,79 (na 105 Norte). No Guará, a maioria dos postos está cobrando o preço reajustado, de R$ 3,79.

Em um deles, o funcionário contou que o preço mudou há dois dias. Anteriormente o litro da gasolina estava em R$ 3,69.


O marceneiro Geraldo Antunes relatou que o aumento irá pesar no orçamento. “Para gente que usa carro todo dia, pesa no fim do mês e tudo está aumentando. Gasolina, passagem de ônibus. Está difícil”, afirmou. O autônomo Francisco Gonçalves também contou que precisa buscar promoções para encher o tanque. “Agora é só de R$ 10 em R$ 10, [de] R$ 20 em R$ 20. A gente tem que caçar promoção para encher o tanque, porque não está rendendo nada.”


 

Etanol

 

Também nesta quarta (4), o Sindicato dos Postos de Combustíveis do DF informou em nota que o consumidor também deve sentir aumento nos preços do etanol. A justificativa, segundo eles, é o fim da isenção do PIS/Cofins desde o começo deste ano.


"[O benefício] dava aos importadores e produtores de álcool um crédito para abatimento de valores durante sua comercialização. O crédito correspondia a R$ 21,43 por metro cúbico comercializado, para o PIS, e R$ 98,57 por metro cúbico comercializado, para a Cofins."


Carro abastece em posto de combustível (Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas)

 

 

Investigação

 

Em novembro de 2015, a Polícia Federal e o Ministério Público deflagraram uma operação para desarticular um grupo suspeito de combinar preços na distribuição e revenda de combustíveis no Distrito Federal e no Entorno.

 

Foram expedidos 44 mandados de busca e apreensão, 25 de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento) e sete prisões temporárias. Os mandados da operação, batizada de Dubai, também foram cumpridos no Rio de Janeiro.


Pelos cálculos da PF, o prejuízo gerado pelo cartel pode chegar a cerca de R$ 1 bilhão por ano. A principal rede investigada venderia 1,1 milhão de litros de combustível por dia. Com o esquema, a empresa chega a lucrar diariamente quase R$ 800 mil.


Segundo as investigações, as empresas, que controlam mais da metade dos postos da Grande Brasília, acertavam os preços oferecidos ao consumidor final. As redes menores seriam comunicadas pelos coordenadores regionais do cartel.

Sete empresários do ramo chegaram a ser presos.


Um dos principais alvos da ação é a rede de combustíveis Cascol, que controla controladora de 30% do mercado do DF. Ela é administrada por um gestor escolhido pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Portaria da Cascol, uma das distribuiboras de combustíveis alvo de operação da PF e do Ministério Público (Foto: Gabriel Luiz/G1)Portaria da Cascol, uma das distribuiboras de combustíveis alvo de operação da PF e do Ministério Público

A justificativa para a intervenção é o fato de a PF e o MP ainda investigarem a existência de um suposto cartel no setor de combustíveis. "Isso porque essas medidas resguardam as investigações e promovem a manutenção da concorrência no mercado local", informou o Cade.


Por meio de escutas e interceptações de mensagens, os investigadores apontam que a estratégia do grupo era tornar o etanol economicamente inviável para o consumidor, mantendo o valor do combustível superior a 70% do preço da gasolina – mesmo durante o período de safra.Ação do Ministério Público


Para o promotor Clayton Germano, do Ministério Público do DF, as investigações vão apurar se a participação da BR Distribuidora no cartel partiu da alta cúpula da estatal. "[Vamos investigar] Se foi decisão da gerência ou da diretoria, pode repercutir inclusive na presidência da Petrobras."

 

Fonte: *Via G1/Clipping

COMENTÁRIOS