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"RACIONAMENTO `A VISTA": Nível de reservatórios volta a baixar e deixa órgãos em alerta. ECONOMIZE.

Após aumento em dezembro, volume dos principais mananciais voltaram a cair. Especialista aponta maior controle para crise não se repeti

As chuvas do mês de dezembro chegaram a dar um alívio à crise de abastecimento de água no Distrito Federal.

 

Mas após aumento no nível dos principais reservatórios, uma nova queda no volume dos mananciais de Descoberto e Santa Maria acenderam o alerta de órgãos fiscalizadores. A possibilidade de racionamento — e a cobrança de uma taxa extra de até 40% na conta de água — voltou a ser cogitada.


Responsável pelo abastecimento de 60% da população da Grande Brasilia, o reservatório do Descoberto chegou ao nível mínimo de 19,3% no dia 19 de novembro do ano passado.

 

Desde então, o volume começou a subir, alcançando 24,87% da capacidade em 18 de dezembro. Entretanto, mesmo com chuvas, a quantidade de água voltou a cair e chegou a 21,21% nesta quarta-feira (4/1), segundo a medição mais recente da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa), feita às 13h30.

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A situação é considerada crítica e pode levar a medidas mais drásticas. De acordo com a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), “caso o reservatório do Descoberto atinja 20%, a empresa estará autorizada a implantar o racionamento, mas ele só será executado quando julgar ser o momento mais oportuno”.


 

Ainda segundo a Caesb, serão levados em consideração três fatores: “o ritmo de queda dos reservatórios, as previsões de chuva para o Distrito Federal e o nível de consumo de água pela população”. A ação tem como base a Resolução nº 20, publicada em novembro do ano passado. Entre idas e vindas judiciais, a taxa extra sobre as contas de água está liberada desde 17 de dezembro.


Entretanto, pode ser que as chuvas amenizem a situação. “Até o dia 10, teremos sol entre nuvens durante a manhã e pancadas de chuva à tarde. Depois disso, o volume de precipitações deve aumentar”, afirma meteorologista Manoel Rangel, do Instituto de Nacional de Meteorologia (Inmet).

Fiscalização
Especialista em gestão de recursos hídricos e professor da Universidade de Brasília (UnB), Sérgio Koide acredita que a crise atual se deve principalmente a dois fatores. O primeiro seria a condição climática desfavorável no último ano. “As chuvas foram menores do que a média e insuficientes para recuperar a queda de volume nos reservatórios”, aponta.


Segundo o Inmet, em novembro de 2016 choveu 228,4mm na Grande Brasilia. Entretanto, a média histórica é de 231mm. Em dezembro, a cena comparativa é ainda pior. A média para o mês é de 246mm de chuva, mas apenas 154,1mm foram registrados no período no último ano.


O segundo ponto é o consumo de água. Em relação a essa questão, Koide avalia que, atualmente, a Caesb tem tomado medidas corretas para incentivar o uso consciente de recursos, como a redução de pressão da rede de abastecimento e cobrança de tarifas extras.


Mas o especialista sugere outras ações para evitar problemas futuros. “Parte do desperdício acontece nas areas rurais do Distrito Federal, onde o controle da captação de água é pequeno. Uma fiscalização mais intensa evitaria o uso irregular de águas subterrâneas, que poderiam abastecer os reservatórios”, aponta o especialista.


Avanços na cobrança das taxas de água são outro caminho a seguir, segundo Koide. “As contas individualizadas em prédios também contribuiriam para diminuir o consumo. Atualmente, em edifícios antigos onde os custos são rateados, não há interesse de moradores em reduzir o uso de água”, critica.


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Segundo a Caesb, nos meses de agosto, setembro e outubro de 2016, em comparação com os mesmos meses de 2015, houve uma redução no consumo de 9,2%. Nesses três meses de 2016, foram usados 45.509.072m³ de água em todo o Plano Piloto e cidades-satelites.

Nos mesmos meses de 2015 , o consumo total foi de 50.134.569m³ em todo o Distrito Federal.


Também houve uma redução na vazão de captação de água na Barragem do Descoberto segundo o órgão. Nos meses de setembro e outubro deste ano, a Caesb captava 5.100 litros por segundo para abastecer a população. “Neste mês de novembro, passamos a captar 4.400 litros por segundo, o que representa redução da ordem de 13,7%”, informou a companhia, por meio de nota.
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Fonte: *Via Metropole/Clipping

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