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REAJUSTE DAS TARIFAS: Grupo faz ato contra alta nas passagens na rodoviária do Plano Plano Piloto, Eixo e Av. W3 Sul

Manifestantes gritam palavras de ordem contra o governador Rodrigo Rollemberg e pedem revogação da medida. Reajuste entrou em vigor na segunda, e passagem mais cara foi para R$ 5.

Estudantes, ativistas políticos e representantes de movimentos sociais se reuniram na Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, na tarde desta quarta-feira (4) em um protesto contra a alta das passagens de ônibus e metrô, em vigor desde a última segunda.


O ato começou por volta das 17h30 na plataforma inferior do terminal, e se estendeu até as 20h30. Em vários momentos, houve conflito entre manifestantes e policiais, que usaram gás e tentaram impedir o registro de jornalistas e cinegrafistas.

Grupo faz ato contra alta nas passagens na rodoviária do Plano, em Brasília

Segundo o major José Gabriel Souza Júnior, houve "quebra-quebra" em paradas de ônibus, e a corporação usou a força para evitar esse tipo de conduta. Seis pessoas foram detidas, incluindo dois jovens que levavam bolinhas de gude – de acordo com a polícia, eles confessaram que usariam os objetos contra a corporação.


O gás também foi usado no retorno dos participantes do protesto à rodoviária do Plano, e atingiu passageiros que aguardavam ônibus no terminal. O G1 tentou registrar imagens da ação, mas foi impedido no local por um policial militar.

Manifestantes carregam bandeiras e cartazes contra o aumento de tarifa dos ônibus e do metrô no DF (Foto: Divulgação/Polícia Militar)Manifestantes carregam bandeiras e cartazes contra o aumento de tarifa dos ônibus e do metrô


Segundo a PM, cerca de 250 manifestantes estiveram reunidos ao longo de todo o protesto. O G1 não conseguiu estimativa de público com representantes do ato. Por volta das 18h30, o grupo bloqueou o Eixo Monumental no sentido Esplanada-Buriti, na altura da rodoviária. Passageiros de ônibus a caminho da rodoviaria preferiam descer no meio do caminho e continuar o trajeto a pé.

Os carros tiveram de ser desviados pela via que os ônibus usam para entrar na rodoviária. Pouco antes das 19h, o grupo de manifestantes seguia em marcha em direção à Torre de TV.


Equipes do batalhão de trânsito da PM bloquearam o acesso de veículos ao Eixo Monumental nos trechos ocupados pelos estudantes. A corporação não impediu o protesto de seguir caminho e acompanhou o ato com militares a cavalo, a pé, em carros e em helicópteros.


Depois das 19h, o grupo mudou de rumo – passou a ocupar o sentido contrário do Eixo Monumental, impedindo a passagem de veículos rumo à Esplanada, e entrou na Avenida W3 Sul, onde os dois sentidos foram interditados. Ao longo de todo esse caminho, equipes da PM fechavam o acesso dos carros e desviavam o trânsito para evitar confrontos.


Responsável pelo comando da operação, o tenente-coronel Luiz Alves pediu aos manifestantes que definissem o trajeto. "Há dois grupos antagônicos, os que querem manifestar e os que querem badernar", disse.

Com medo de atos de vandalismo, comerciantes da 102 Sul baixaram as portas às pressas. Manifestantes com pedras na mão foram contidos pelos próprios colegas de protestos, e não houve depredação às lojas.


Em seguida, o grupo continuou o trajeto e ocupou todas as faixas do Eixo Rodoviário (Eixão), principal via da região central de Brasília, nos dois sentidos. Equipes da PM interditaram o trânsito na via, que tem velocidade de 80 km/h. Uma tentativa de bloquear o eixo L (via paralela) foi cancelada pela PM, com uso de spray.


O ato foi encerrado pouco após às 20h. Parte dos manifestantes seguiu rumo ao Setor Comercial Sul, enquanto outro grupo foi monitorado na volta à rodoviária do Plano. Durante a passagem pelo Setor de Diversões Sul e em vários trechos do protesto, a PM usou gás de pimenta e entrou em confronto com os participantes da marcha.


Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra o governador Rodrigo Rollemberg e contra os novos valores das passagens. "Se a tarifa não baixar, a cidade vai parar", dizia um dos lemas entoados pelo grupo.


Mais atos

 

Os protestos contra o aumento das passagens no Distrito Federal começaram na segunda-feira (2). Na ocasião, estudantes e membros de movimentos sociais chegaram a bloquear o trânsito no Eixo Monumental, sentido rodoviária-Esplanada. Depois, o grupo pichou vidros e espalhou faixas na fachada do posto do DFTrans no terminal. O ato só terminou por volta das 20h15 e não houve registro de feridos.


Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra o governador Rodrigo Rollemberg, contra o aumento nas tarifas e contra o bloqueio montado pela polícia. Às 20h, a PM liberou o acesso do grupo. Comerciantes correram para fechar as lojas, e informaram ao G1 que temiam ser alvos de vandalismo.

Por causa dos bloqueios de trânsito, ônibus que embarcariam passageiros não conseguiram acessar as baias internas da rodoviária. Com isso, não havia filas no espaço ocupado pelos manifestantes no início da noite.


 

Aumento

 

O reajuste foi anunciado no último dia 30 e entrou em vigor nesta segunda, três dias depois. Os valores passaram de R$ 2,25 para R$ 2,50 nas linhas circulares e alimentadoras do BRT (aumento de 11%); R$ 3 para R$ 3,50 (aumento de 16%) em linhas metropolitanas "curtas"; e de R$ 4 para R$ 5 (aumento de 25%) no restante das linhas, além do metrô.

As novas tarifas estão entre as mais caras do país. Na comparação com o primeiro semestre de 2015, a tarifa mais cara já acumula alta de 66%.


A nova tabela foi anunciada no último dia útil de 2016, sob a justificativa de que esta é a única saída do governo para manter o sistema de transporte público funcionando. Segundo o GDF, o reajuste deve cobrir as gratuidades oferecidas a estudantes, idosos e deficientes.O Buriti diz subsidiar 50% dos custos do sistema.


Este é o segundo aumento nas passagens ocorrido na gestão do governador Rodrigo Rollemberg, que assumiu o Buriti em 2015. O anterior ocorreu em setembro do ano passado e gerou protestos. Até então, os valores do tíquete de ônibus eram os mesmos desde 2006 e os de metrô, desde 2009.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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