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PCC E CV: Facções tentam se fortalecer diante de superlotação em presídios de Brasília

Hoje, há 14.992 internos nas penitenciárias do Distrito Federal para apenas 7.496 vagas


As facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) aproveitam as falhas no sistema carcerário brasiliense para tentar se fortalecer na região. O Correio apurou que, nos últimos seis meses, houve uma maior movimentação dessas organizações nos presídios da Grande Brasília.
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O cenário de problemas se aproxima do colapso e servidores não descartam uma possível revolta de presos — a última rebelião na capital ocorreu em 2001. Hoje, há 14.992 internos para 7.496 vagas, ou seja, o Complexo Penitenciário da Papuda, o Presídio Feminino e o Centro de Progressão Penitenciária (CPP) operam com o dobro da capacidade.

Ontem, a reportagem mostrou como essas facções agem dentro e fora dos presídios da capital federal. Os integrantes do PCC e do CV moram nos municípios goianos do Entorno e atuam, principalmente, no tráfico de drogas e de armas, em assaltos, sequestros e assassinatos.

 

O delegado adjunto da Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco), Adriano Valente, explica que as decisões mais importantes são tomadas por quem tem função superior de hierarquia dentro da organização criminosa. “Mas mesmo quem vai roubar e fazer o tráfico possui funções de liderança e posto no PCC. Não são apenas soldados”, acrescenta.



Segundo fontes da Polícia Civil, há quatro anos integrantes do PCC tentam, de forma mais firme, cooptar aliados para prestarem concurso da corporação e de agentes de atividades penitenciárias. Para as investidas, chegam a pagar bolsas em cursinhos preparatórios. A inteligência da instituição acompanha as ações, e a Polícia Civil realiza, há mais de uma década, operações contra a tentativa de infiltração nos órgãos públicos.

Professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) e especialista em segurança pública, Nelson Gonçalves avalia que a expansão das facções criminosas nas unidades federativas é planejada. “No DF, essa realidade já havia sido identificada pelas forças policiais e demonstra que não só não estamos imunes a isso como, também, enfrentamos, em alguma medida, os mesmos problemas de que padecem as demais localidades do país”, destaca.


Concurso

Na capital federal, há 1,5 mil servidores no sistema carcerário — 1,3 mil agentes de atividades penitenciárias e 250 agentes de custódia —, segundo o Sindicato dos Agentes de Atividades Penitenciárias (Sindpen-DF).

 

Dá um agente para quase 10 internos, enquanto a recomendação do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) sugere a proporção de um servidor para cada cinco detentos por turno de serviço. Já a Organização das Nações Unidas (ONU) aconselha um funcionário para cada três presos. “Essa falta de efetivo e a superlotação potencializam uma possível rebelião”, alerta o presidente do Sindpen-DF, Leandro Allan.

 

Fonte: *Via CB-Clipping

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