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USO DE DOCUMENTOS FALSOS: Alvo de ação da PF é nomeado para conselho de diversidade religiosa no GDF

Advogado, ele foi indiciado por falsidade de documento público, falsidade ideológica e violação de sigilo funcional. Conselho é ligado à Secretaria de Direitos Humanos do GDF.

Policiais federais deixam prédio na Asa Norte com documentos apreendidos no apartamento de de Marcelo Bulhões


O governo do Distrito Federal nomeou como membro do Conselho Distrital de Diversidade Religiosa o advogado Marcos Bulhões dos Santos, que foi alvo de uma operação da Polícia Federal contra falsificação de documentos em 2015.

A nomeação dele aparece no Diário Oficial da última sexta-feira (20). Ele foi escolhido para ser representante da religião islâmica no conselho, com um mandato de dois anos.

Bulhões acabou indiciado pela PF por falsidade de documento público, falsidade ideológica e violação de sigilo funcional, em meados de 2016. O caso segue sob sigilo, à espera de decisão do Ministério Público Federal (MPF) para definir se leva a denúncia à Justiça.


O governo informou que a nomeação do advogado foi regular (leia as explicações mais abaixo). O G1 não conseguiu localizar Bulhões, que se identifica em redes sociais como "Salahuddin". O conselho disse que não tinha autorização para passar o telefone dele. O número que ele deixa como contato na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) cai na Secretaria de Portos, na Presidência da República. Após ser procurado pela reportagem, ele suspendeu a conta que mantinha em uma rede social.


De acordo com o jornal O Globo, oficialmente a PF sustentou que fez a ação de busca e apreensão no apartamento do advogado por conta de uma investigação sobre documentos falsos. A informação, no entanto, seria apenas um pretexto para ampliar as investigações sobre laços entre Bulhões e outras pessoas já investigadas no exterior por envolvimento com o terrorismo.


Pelas informações da PF, Bulhões teria mantido contato com estrangeiros acusados de envolvimento em ações terroristas, diz o jornal. Os indícios seriam e-mails trocados entre Bulhões e interlocutores ligados a uma rede terrorista internacional. No dia da operação, ele ficou por quatro horas na sede da polícia.

Policiais deixam prédio na Asa Norte com malotes contendo documentos apreendidos (Foto: Vianey Bentes/TV Globo) Policiais deixam prédio na Asa Norte com malotes contendo documentos apreendidos (Foto: Vianey Bentes/TV Globo)Policiais deixam prédio na Asa Norte com malotes contendo documentos apreendidos

 

Relembre a operação

 

A ação da PF no apartamento de Bulhões, na Asa Norte, ocorreu em abril de 2015. Na ocasião, policiais apreenderam ao menos cinco malotes de documentos, três computadores e diversos pendrives.


Um caminhão do Grupo Antibomba da corporação chegou a ser deslocado para a frente do edifício, na quadra 104 Norte. À época, o advogado trabalhava na embaixada de Omã no Brasil como recepcionista havia cerca de quatro meses.

Segundo a Casa Civil da Presidência, Santos também ocupou cargos de nível médio na Polícia Federal, na Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, na Casa Civil e na Secretaria de Portos da Presidência.

 

Trecho do diário oficial trazendo nomeação de Marcelho Bulhões no conselho distrital (Foto: Reprodução)

Trecho do diário oficial trazendo nomeação de Marcelho Bulhões no conselho distrital

 

O que diz o governo

 

Questionada, a Secretaria de Direitos Humanos – à qual o conselho é ligado – disse que Bulhões mostrou "todas as certidões necessárias" para fazer parte do comitê, como provas de que não possui antecedentes criminais e pendências civis. A pasta não informou se já sabia do resultado do inquérito da PF antes de nomeá-lo. Também não disse se checou a veracidade das certidões.

A secretaria declarou apenas que uma comissão formada por dois servidores do governo e dois especialistas na área de direitos humanos analisaram a candidatura dele com base nos "parâmetros legais do edital, com perfeição jurídica".

Caminhão do Grupo Antibomba da Polícia Federal estacionado em frente de prédio na Asa Norte, em Brasília (Foto: Isabella Calzolari/G1) Caminhão do Grupo Antibomba da Polícia Federal estacionado em frente de prédio na Asa Norte, em Brasília (Foto: Isabella Calzolari/G1)

Caminhão do Grupo Antibomba da Polícia Federal estacionado em frente de prédio na Asa Norte


 

Conselho de Diversidade Religiosa

 

O processo de escolha para definir os conselheiros começou em agosto de 2016. O grupo é formado por 11 titulares e 11 suplentes com representantes da sociedade civil e do governo. Ele foi criado para ser um "espaço de diálogo entre sociedade e Estado, atuando como colaborador no fomento à promoção dos direitos humanos para a diversidade religiosa, no combate à intolerância religiosa e na defesa da laicidade". Os conselheiros não são remunerados.

O objetivo é encontrar maneiras de reduzir casos de intolerância religiosa no DF. Nos dois últimos anos, o governo diz ter registrado "dezenas de casos". Entre eles, os de depredação ou destruição de templos e imagens, como na Prainha dos Orixás, templos de matriz afrobrasileira, templo espírita kardecista, ataque à mesquita do Centro Islâmico e à Igreja do Santo Daime. O assunto levou o governador Rodrigo Rollemberg a sancionar no ano passado uma lei que define o dia 25 de outubro como o Dia de Combate à Intolerância Religiosa.

Imagem de orixá que foi vandalizada na Prainha do Lago Paranoá, em Brasília (Foto:  Alexandre Bastos/G1) Imagem de orixá que foi vandalizada na Prainha do Lago Paranoá, em Brasília (Foto:  Alexandre Bastos/G1)

Imagem de orixá que foi vandalizada na Prainha do Lago Paranoá

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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