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MORDOMIAS: Presos que guardavam dinheiro além do permitido na Papuda são ouvidos

Além de valores acima dos R$ 125 permitidos semanalmente, detentos tinham café e chocolate de marcas diferentes das vendidas na cantina

O Núcleo de Disciplina do Complexo Penitenciário da Papuda começou a ouvir, nesta segunda-feira (6/2), 11 presos do Centro de Detenção Provisória (CDP) suspeitos de guardarem mais do que os R$ 125 permitidos dentro das celas.

 

O dinheiro foi descoberto no fim de janeiro, durante ação coordenada pela Subsecretaria do Sistema Penitenciário do Distrito Federal (Sesipe) na Ala B do Bloco 5. Na inspeção, também foram encontrados itens proibidos, como chocolate e café de marcas diferentes das vendidas na cantina.

O episódio fez 11 detentos serem penalizados com isolamento de até 10 dias.


Entre os presos que estavam com valores além do limite, estão condenados ou investigados por crimes financeiros, como o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato e o doleiro Lúcio Funaro.

 

O dinheiro é levado por familiares ou amigos dos detentos durante as visitas semanais. Outros internos, que não recebem visitas com frequência, também estavam com quantias acima do permitido. Com isso, o inquérito disciplinar quer saber se o grupo estava fazendo troca de dinheiro dentro do presídio.


O inquérito deve ser concluído em até 30 dias, e a direção do núcleo decidirá se pune os presos ou os absolve das acusações. Em seguida, o processo será encaminhado à Vara de Execuções Penais (VEP). Caberá à titular da pasta, a juíza Leila Cury, homologar, ou não, a conclusão do inquérito.


 

O caso
No fim do mês passado, 11 presos do CDP foram punidos após serem acusados de favorecimento pela direção do presídio. Por uma denúncia anônima, a Sesipe coordenou uma operação no CDP e encontrou alimentos e objetos proibidos na cantina e nas celas dos presos do complexo.


Durante a inspeção, o coordenador-geral da Sesipe, delegado Guilherme Henrique Nogueira, relatou ter encontrado na cantina fatias de salame e peito de peru — itens que não constam entre os permitidos. Na cela dividida por Pizzolato e o ex-senador Luiz Estevão, teriam sido recolhidos uma cafeteira, 227 cápsulas de café, dois pacotes de macarrão da marca Delverde e um pacote de chocolate Lindt. Além disso, foram apreendidos quatro pendrives da marca SanDisk.


A cantina que serve os presos detidos na Ala dos Vulneráveis vende café e chocolate, mas não os das marcas encontradas pelos policiais.

Além de Estevão, Pizzolato e Funaro, outros oito detentos foram punidos com o isolamento. Entre eles, Adriano Luiz Oliveira, ex-servidor do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Reprodução / Facebook

Adriano Luiz Oliveira está preso na Papuda por crime sexual contra uma criança de 7 anos

 

Outro lado
Segundo a petição de defesa de Luiz Estevão, depois da vistoria realizada na cela dele, sem que estivesse presente, o sentenciado foi chamado para comparecer ao local. Verificou, então, que todos os seus objetos estavam jogados no corredor e que havia cerca de oito servidores nas imediações.

Ao chegar perto da cela, de acordo com a peça, o ex-senador teria sido interpelado por um senhor vestido de camisa modelo polo, que, segundo a petição, não se identificou. “Após ter respondido a várias perguntas sobre todos os objetos encontrados, sendo que vários não lhe pertenciam, tal pessoa passou a indagar sobre duas barras de chocolate sem açúcar, uma parcialmente consumida, que foram encontradas na cela; e como elas teriam entrado no presídio”.

A defesa relatou que Luiz Estevão respondeu em tom baixo e mantendo o devido respeito. E que os chocolates poderiam ter sido entregues por familiares em algum dia de visita ou então ele teria trazido de uma oitiva que realizou como testemunha na Secretaria de Segurança Pública, onde brevemente esteve com sua esposa e se recordava dela ter lhe dado uma barra de chocolate na ocasião.

De acordo com os advogados e em depoimento prestado pelo interno, o delegado teria considerado desrespeitoso o fato de Luiz Estevão dizer que não se lembrava a data da oitiva. “Todos os agentes carcerários e autoridades que inspecionaram o presídio são unânimes em afirmar que Luiz Estevão sempre foi gentil, cordial, calmo e obediente. Seu comportamento disciplinar é impecável. A investigação demonstrará a verdade dos fatos”, afirma a defesa do ex-senador.

 

Fonte: *Via Metropole/Clipping

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