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FRAUDE NO SISTEMA: Bilhetagem adulterada no DFTrans pode ter atingido mais de 1 milhão de cadastros

Invasores teriam burlado programa para falsificar dados e mascarar desvios na compra e venda de passagens. Em nota, DFtrans diz que houve apenas 'não conformidade cadastral'.

Responsável pela gestão do transporte público no Distrito Federal, o DFTrans apura uma suspeita de fraude que pode ter atingido um milhão de cadastros. Segundo a investigação, invasores “burlaram” o sistema para falsificar dados e mascarar desvios na compra e venda de passagens. O G1 conseguiu com exclusividade acesso à íntegra do processo.

 

A falha no sistema pode causar um prejuízo milionário ao GDF. Toda a movimentação financeira do DFTrans passa pelo sistema de bilhetagem, desde a concessão de passes livre até a compra e venda de tíquetes. De acordo com a investigação, servidores fantasmas se aproveitaram da brecha no sistema para conseguir benefícios irregulares.

 

Sobre a possível fraude, o DFTrans limitou-se a dizer, em nota, que houve uma não conformidade no cadastro de uma escola, que teria apresentado declarações falsas. O órgão disse que o caso foi repassado à Controladoria-geral do DF e à Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Decap).

 

No processo interno ao qual o G1 teve acesso, o servidor responsável pela investigação adverte que “dados da aplicação tem sido alterados para mascarar irregularidades e imputar responsabilidade a quem não cometeu ato irregular”. Ainda de acordo com a sindicância, o sistema de bilhetagem estaria tão “corrompido”, que o cadastro de uma empresa foi feito em um intervalo de tempo impraticável, de apenas 120 milésimos de segundos.

 

De acordo com a denúncia, a fraude fica evidente nas tabelas de registro, que mostram operações feitas por servidores que, à época, sequer tinham sido nomeados no órgão. Em um dos casos, as planilhas apontam que um funcionário nomeado em abril de 2011 começou a cadastrar passageiros quatro anos antes, em fevereiro de 2007. De acordo com e-mails anexos ao processo, o próprio servidor responsável pela sindicância teve o cadastro alterado irregularmente.

 

Duas fraudes foram detalhadas durante a investigação. A primeira se refere a inclusão de uma escola, em 2007, para receber benefícios de passe livre do governo. Apesar de ter o cadastro número 929, ela foi incluída no sistema do DFTrans, por um servidor com o número 981.109 - os cadastros são adicionados em ordem crescente. Na teoria, apenas usuários com dados cadastrais inferiores ao número 929 poderiam ter incluído a escola na base de dados do DFTrans.

 

Outra fraude se refere ao repasse irregular de R$ 50 mil em créditos de passagens no Distrito Federal. Ao investigar a quem teria sido entregue o montante, um técnico do DFTrans encontrou um “servidor fantasma” com o nome inusitado de “Login Pós Balcão”. O servidor fantasma repassava, de acordo com a sindicância, ilegalmente o valor para empresas que também haviam sido cadastradas irregularmente.

 

Questionado pelo G1, o DFTrans recusou-se a responder se algum servidor foi afastado, como o sistema foi invadido e qual o número de cadastros que podem ter sido adulterados.

 

"O Transporte Urbano do Distrito Federal-DFTrans esclarece que, em 2011, foi constatada uma não-conformidade no cadastro de uma escola. As informações da instituição apresentavam indícios de fornecimento de declarações escolares falsas. A partir daí, foi aberto um processo administrativo. A situação foi informada à Controladoria-Geral do Distrito Federal e à Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Decap), para que fosse aberta uma investigação criminal e apuradas as responsabilidades sobre o caso.

 

O DFTrans informa que trata-se de situações distintas. Em relação à venda irregular de créditos de um cartão no valor de R$ 50 mil, o órgão esclarece que houve um furto de um cartão M2, que é utilizado para efetuar a venda de créditos. E que os créditos repassados por este cartão a outros cartões foram cancelados. O caso está sendo investigado pela policia."(*Por:Wellington Hanna*,*Com supervisão de Helena Martinho)

 

 

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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