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CRISE HÍDRICA: Ministério Público recomenda que Plano Piloto passe a racionar água

De acordo com órgão, reservatório que abastece Brasília pode entrar em colapso durante período de seca. O rodízio hídrico só atinge as regiões abastecidas pela bacia Descoberto.

O Ministério Público (MP) do Distrito Federal recomendou à Adasa, órgão responsável pela gestão dos recursos ambientais na capital federal, que o Plano Piloto seja incluído imediatamente no esquema de racionamento de água, em vigor desde o mês passado por causa da crise hídrica.


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O documento do MP foi enviado para o órgão na terça-feira (15). Segundo os procuradores, sem o regime de restrição hídrica, o reservatório de Santa Maria pode entrar em colapso e atingir níveis preocupantes – como ocorreu com o reservatório do Descoberto.

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A resolução orienta que os cortes sistemáticos no abastecimento sejam estendidos a todas as "regiões administrativas adjacentes" da Grande Brasília que, até agora, foram poupadas dos cortes de água. Estas áreas são abastecidas pelo reservatório de Santa Maria. 

Além do Plano Piloto – que inclui Asa Sul, Asa Norte, Lago Sul e Lago Norte – Sudoeste, Cruzeiro, Varjão, Paranoá, Itapoã, Jardim Botânico, Sobradinho I e II, Planaltina, Brazlândia e São Sebastião não fazem parte do sistema de racionamento do Distrito Federal.


 

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Atualmente, o racionamento do Distrito Federal vigora apenas na parte da cidade que é abastecida pelo Reservatório do Descoberto. A bacia foi a mais atingida pela falta de chuva dos últimos meses, e fornece água a cerca de dois terços da população – o Distrito Federal tem 2,9 milhões de moradores.


Uma resolução da Adasa estabelece que é necessário que as bacias atinjam 20% do volume para que o racionamento possa vigorar. Na medição desta quarta, o reservatório de Santa Maria operava com 44% da capacidade. 

De acordo com o MP, apesar de o nível do reservatório ter se mantido em 40%, a cada 30 dias, cerca de 10% de seu volume é consumido. Para a promotora de Justiça de Defesa do Meio Ambiente Marta Eliana de Oliveira, o Estado deve se antecipar aos danos previstos.
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“Estamos na metade do período chuvoso e já sabemos que não choverá o bastante para os reservatórios atingirem níveis seguros.”

 

Embora não sofram com o corte sistemático no abastecimento, as localidades da Grande Brasília que recebem água do Reservatório de Santa Maria tiveram redução na pressão da água para tentar reduzir as perdas no reservatório. A medida preventiva está em vigor desde 31 de janeiro.

 

'Volume zero'

 

Conforme mostrou o G1, uma projeção feita pelo professor da UnB Henrique Leite Chaves aponta que o reservatório de Santa Maria pode chegar ao "volume zero" até outubro. Ele calcula que entrada de água nesse reservatório não vai compensar a saída do recurso para o abastecimento.

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A política de racionamento adotada pelo GDF é alvo de críticas de outros estudiosos. O especialista em gestão de água José Galizia Tundisi, que ajudou a resolver crises hídricas em mais de 40 países, afirmou que a medida "poupa os mais ricos".


Plano Piloto, Sudoeste e Cruzeiro reúnem os mais altos índices de desenvolvimento humano do país e uma das mais elevadas proporções de piscinas por habiantes. O governo aponta "critérios técnicos", e diz que levou em conta o estado de cada reservatório de água.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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