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CIDADE DIGITAL: Vencedora de pregão do Parque Tecnológico de Brasília é investigada na Lava Jato

Planner Corretora aparece nas operações Greenfield e Lava Jato. Empresa pode administrar fundo de R$ 3 bi do Parque Tecnológico Digital

A empresa vencedora do pregão eletrônico para administrar o fundo gestor do Parque Tecnológico Digital do DF (BioTIC) — a antiga Cidade Digital — é investigada pelas operações Lava Jato e Greenfield.

 

A Planner Corretora de Valores S.A. venceu o pregão presencial, realizado na terça-feira (14/2), pelo melhor preço, com proposta 0,105% menor do que o segundo colocado, o Banco de Brasília (BRB).


Se tiver o nome atestado e homologado pela Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap), vai gerir o fundo privado do BioTIC para fazer a administração e a manutenção do parque. A expectativa é que os investidores façam um aporte de aproximadamente R$ 1,6 bilhão. Somado ao investimento da Terracap com o terreno, o total chega a R$ 3 bilhões.


Embora os processos estejam em fase de apuração e ainda não haja acusações formais contra a empresa, os diretores Arthur Martins de Figueiredo e Eduardo Montalban são investigados pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal no escândalo de fraudes em pelo menos oito fundos de pensão em todo o país. Pela Operação Greenfield, eles chegaram a ter contas bancárias bloqueadas. Mas, no fim de 2016, firmaram um acordo na Justiça para a liberação de até 40 salários mínimos nas instituições financeiras.


 

Bancoop
Na Operação Lava Jato, são citados por transferência “suspeita” de R$ 18 milhões entre a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) e a Planner. A Bancoop já foi presidida pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso pela Lava Jato. A movimentação foi constatada em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) entregue aos investigadores da Lava Jato, segundo reportagem do Jornal O Globo, publicada em 2015.


Ao Metrópoles, a Planner alegou que foi contratada pela Bancoop para atuar como administradora do fundo, que tinha como objetivo “captar recursos para a aplicação em recebíveis originados pelos empreendimentos imobiliários” de responsabilidade da cooperativa. “O fundo foi devidamente encerrado em 2009, sendo que os recursos referem-se ao valor aportado pela Bancoop com o único objetivo de liquidar suas obrigações pecuniárias com os investidores”, afirmou a empresa.

Procurada pela reportagem, a Terracap afirmou que só se pronunciará após a conclusão do processo de licitação.

 

Rafaela Felicciano/Metrópoles

 

Parque Tecnológico
O pregão eletrônico é o primeiro passo para a escolha da empresa que vai gerir o Fundo de Investimentos do Parque Tecnológico. A Terracap ainda precisa referendar o processo. Antes de homologar a decisão, será analisada uma série de requisitos. Caso a Terracap descarte a Planner, quem assume o pregão é a segunda colocada.

O edital de licitação para a implantação do parque com foco na inovação em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) foi publicado em dezembro de 2016. Qualquer instituição financeira poderia participar do processo para administrar o fundo de investimento que viabilizará o BioTIC.

A previsão é que o Parque Tecnológico, localizado próximo à Granja do Torto, abrigue aproximadamente 1,2 mil empresas. A capacidade é de geração de 25 mil empregos diretos e reforça a vocação do DF para as tecnologias de ponta.

Imbróglio há 15 anos
Tido como prioridade pelos últimos dois governadores do DF, o Parque Tecnológico Cidade Digital, agora chamado de BioTIC, teve o projeto criado há 15 anos. Foi também uma promessa de campanha de Rodrigo Rollemberg (PSB). O atual governo avançou em passos importantes, como parcerias e o encaminhamento da licitação.

Mas as complicações para que o projeto seja executado vêm desde o início. Em 2013, por exemplo, o GDF tentou fazer uma licitação para o parque, que foi questionada pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). O Consórcio Íbero Americano, por meio de concessão patrocinada, seria o responsável pelo projeto por um prazo de 20 anos. As obras estavam estimadas em R$ 1,16 bilhão.


Modelo inadequado
O TCDF considerou o modelo de concessão patrocinada inadequado para a prestação de um serviço público. Questionou o preço do metro quadrado para a locação, que estava acima do valor de mercado. No processo nº 191/2013, o consórcio justificou ter se baseado no preço cobrado pelo Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), que oferecia serviços semelhantes.

No entanto, o tribunal constatou que havia sobrepreço. Em Belo Horizonte, o preço era de R$ 33/m² e, em Brasília, o valor estimado era R$ 39,22/m². Por fim, a própria Terracap, detentora da área, decidiu pela nulidade da licitação.

Em 3 de outubro de 2016, Rollemberg apresentou o novo projeto do BioTIC no Congresso Mundial de Tecnologia da Informação (WCIT). Na ocasião, foram previstas datas e o lançamento BioTIC.

Em janeiro de 2017, Rollemberg sancionou a lei que cria, oficialmente, o BioTIC. Assim, ficou acordado o pregão eletrônico para fevereiro deste ano. Agora é esperar o desenrolar do caso para ver se o empreendimento, enfim, vai decolar.

 

Fonte: *Via Metropole/Clipping

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