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TERAPIA INTENSIVA: Um em cada quatro leitos de UTI na Grande Brasília está inativo, aponta levantamento

São 88 leitos à espera de manutenção ou profissionais de apoio. No Gama, metade das unidades está fechada.

Um relatório de ocupação dos leitos de UTI dos hospitais públicos do Distrito Federal, divulgado nesta sexta-feira (17), mostra que 37 unidades estão à espera de manutenção.

 

No Hospital Regional do Gama, três aguardam conserto desde 2013.

Os hospitais de Santa Maria e o Base lideram as estatísticas com mais leitos fechados: 22 unidades em cada. Ao todo, 22% dos leitos de UTI estão indisponíveis, seja por falta de profissionais ou manutenção.

Atualmente o GDF possui 400 leitos de UTI nos hospitais públicos, desses 88 estão inativos e 19 aguardavam pacientes no momento em que foi fechado o relatório.

 

Entre os hospitais mais afetados estão o Hospital Universitário (HUB) e o do Gama, ambos tem metade dos leitos fechados.


No Gama, que tem 20 leitos, dez estão fechados há mais de um ano, sem manutenção. Já no HUB, que tem oito leitos de UTI, a ausência de médicos e enfermeiros inviabiliza o funcionamento de quatro.


De acordo com a Secretaria de Saúde, o quadro não deve mudar a curto prazo.

 

"Existe um processo licitatório em fase de finalização para que os reparos sejam feitos, mas ainda não é possível definir data para que isso ocorra."

 

Já sobre a falta de equipes, a secretaria informou que está trabalhando para suprir a carência de profissionais em todas as áreas, incluindo terapia intensiva. E que em janeiro foi aberto processo para contratação temporária de 106 especialistas em terapia intensiva.


Além disso, médicos de cinco especialidades – anestesiologia, cancerologia, neonatologia, pediatria e terapia intensiva adulto - poderão solicitar troca de área, com a intenção de suprir a carência de profissionais na rede pública de saúde.

Por outro lado, o Hospital Materno Infantil e o Hospital de Base são os que mais têm vagas para atendimento. Eram seis no primeiro e cinco no segundo, no momento em que os dados foram compilados para o relatório. Mas, na manhã desta sexta-feira, 71 pacientes estavam na fila de espera para transferência.


Judicialização

 


O aposentado Augusto Oliveira estava sedado em estado grave no Hospital Regional de Samambaia a espera de um leito de UTI

O custo diário médio estimado de um leito da UTI é de R$ 3.972,87, de acordo com a Secretaria de Saúde. Quando a conta é feita nos hospitais particulares, uma unidade pode custar até R$ 10 mil. Por isso, muitos pacientes buscam a Justiça para conseguir atendimento pelo SUS.


Só em janeiro deste ano, a Defensoria Pública do DF entrou com 63 ações judiciais referentes a leitos de UTI e atendeu 83 casos - quando há assistência jurídica, mas não resulta necessariamente em ação. No ano passado, foram 853 ações e 1.078 atendimentos.


Este foi o caso do aposentado Augusto Oliveira, que desde o dia 6 de fevereiro, esperava para ser transferido para uma UTI. O homem diagnosticado com "risco iminente de morte” só conseguiu transferência após acionar a Defensoria. Porém, a demora foi tão grande que nesta sexta-feira o aposentado apresentava falência múltipla de órgãos.


 

Divulgação obrigatória

 

Desde o dia 2 de agosto de 2016, a Secretaria de Saúde está obrigada a divulgar, na internet, informações sobre o número de leitos de UTI disponíveis em toda a rede pública. A obrigação vem de uma lei sancionada pelo governador Rodrigo Rollemberg.

De acordo com a norma, o GDF deve dar transparência sobre internações em todas as clínicas, hospitais, unidades de pronto-atendimento (UPAs), emergência e qualquer outro local com de leitos de UTI credenciados.


Pela regra, o governo deve discriminar o número de leitos ocupados, vagos, em manutenção e desativados – devendo informar o motivo de uma eventual indisponibilidade e o prazo para que o serviço seja normalizado.


 

CPI da Saúde

 

A crise na saúde pública vem sendo discutida na Câmara Legislativa desde maio do ano passado. Uma CPI investiga, entre outros pontos, empresas suspeitas de desvio de finalidade em contratos com o Samu. Segundo as denúncias, as empresas teriam custeado reformas de prédios, manutenção de elevadores e festas de confraternização da Secretaria de Saúde.


A previsão era de que a CPI retomasse as atividades esta semana. No entanto, a sessão que iria reabrir os trabalhos e eleger o novo vice-presidente, na quinta-feira (16), foi adiada por falta de quórum.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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