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FACULDADE DULCINA: Contra medidas do MP, alunos e professores ocuparam o prédio

Manifestantes pedem participação nas decisões sobre a instituição. Ministério Público afastou ex-administradores judiciais e nomeou delatora da Operação Acrônimo para cuidar do lugar

Alunos e professores da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, em Brasília, decidiram ocupar o prédio da escola para tentar impedir que o Ministério Público do Distrito Federal designe novos diretores sem a participação deles. Neste final de semana, o grupo ainda permanecia no local.


O órgão publicou um edital para selecionar os 12 membros do novo conselho de curadores da faculdade. Mas o documento é alvo de críticas da comunidade acadêmica porque não prevê nenhum pré-requisito específico para a escolha de quem deve conduzir a unidade.


“Esse teatro é um dos corações de Brasília, e não pode ser tratado assim”, reclamou o diretor de teatro Alexandre Ribondi.


A situação se agrava por causa do estado físico do patrimônio. Apesar de uma recente revitalização, o Teatro Dulcina – projetado por Oscar Niemeyer –, e a Sala Conchita de Moraes, localizados no centro da cidade, estão há anos com instalações em estado degradante.


Durante a ocupação, estudantes e professores acampam no prédio da faculdade, que fica no Conic. Além de palestras e reuniões diárias, o movimento, chamado de Dulcina Vive, promove saraus, espetáculos, exposições e festas para arrecadar dinheiro e manter o espaço aberto.


O grupo diz que não vai sair do lugar até que a situação seja resolvida. A mobilização na internet pede doação de mantimentos aos integrantes para que a ocupação permaneça. Uma lista de itens também foi afixada na entrada da instituição.

Administradora e delatora
A ocupação começou na semana passada, após a Justiça determinar a retirada dos administradores que atuavam a frente da faculdade e nomear no lugar deles a advogada Vanessa Ribeiro, delatora da Operação Acrônimo, da Polícia Federal.


Vanessa é ex-secretária do empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené – ele é o pivô da Acrônimo e acabou preso no ano passado. Deflagrada em 2015, a investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro para campanhas eleitorais.


“Não reconheceremos uma administradora judicial que é ré confessa da lavagem de quase R$ 1 milhão através da emissão de notas frias para um dos maiores lobistas do país”, diz um manifesto do grupo divulgado no Facebook.


A designação da delatora para administrar a faculdade foi feita enquanto o resultado do edital de seleção dos novos diretores não sai. Em nota, o Ministério Público diz que os critérios para a escolha foram aprovados pelo Tribunal de Justiça.


Segundo o órgão, o edital “prevê a inclusão de voluntários de vários segmentos da sociedade”, menos ex-conselheiros e familiares de antigos integrantes do colegiado. O movimento Dulcina Vive anunciou que vai tentar impugnar o documento na Justiça.


O diretor Fernando Guimarães, que integra o movimento, esteve a frente da faculdade há 20 anos. Ele disse que, na época, a situação de sucateamento do lugar já era a mesma. “Eu espero que, agora, se encontre uma solução. Nós estamos dispostos a dialogar”, declarou.

Dívida milionária
A faculdade, uma das principais referências em artes cênicas da cidade, está sob a intervenção do Ministério Público desde 2013. O órgão decidiu agir após constatar irregularidades e dívidas acumuladas que chegam a R$ 13,5 milhões.


Na época, os procuradores consideraram a antiga gestão inapta para administrar o lugar. Foram designados para cuidar provisoriamente da faculdade Luiz Francisco de Sousa e Marco Antônio Hannes. Agora, eles foram afastados.


Segundo o promotor Josué Arão de Oliveira, que assinou o afastamento, a dupla extrapolou o princípio da autoridade investida neles pelo Estado. De acordo com ele, os ex-administradores atuavam sem responder ao Ministério Público.


O movimento Dulcina Vive diz que a ação foi injusta. Segundo os líderes, a dupla conseguiu revitalizar o espaço e recuperar parte da fama de centro cultural do passado. Eles afirmam que, com a mudança, o processo de recuperação está ameaçado.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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