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MANÉ GARRINCHA: Mais partidas, mesmo prejuízo, Arena Nacional consumiu R$ 6,7 milhões do GDF em 2016

...e é o estádio mais caro da Copa do Mundo de 2014

O estádio Mané Garrincha, em Brasília, recebeu mais jogos de futebol em 2016 – 17 partidas, entre campeonatos nacionais, regionais e estaduais, em relação a apenas nove realizadas em 2015.

 

Um movimento natural dado o fechamento do Maracanã na maior parte da temporada devido aos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Flamengo, Fluminense e Botafogo, desabrigados, foram jogar mais vezes no Distrito Federal, onde têm consideráveis bases de torcedores e geralmente obtêm bons públicos e rendas.

 

O aumento da atividade, no entanto, não fez com que a arena, construída para a Copa do Mundo de 2014 por mais de R$ 1,5 bilhão, enfim se tornasse lucrativa.

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A Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer do Distrito Federal, o órgão do governo estadual que administra o Mané Garrincha, arrecadou R$ 1,7 milhão com o estádio no decorrer da temporada.

 

O custo com energia, limpeza, manutenção do gramado, entre outros serviços, chegou a R$ 8,4 milhões. Você vai reparar que, ao subtrair das receitas as despesas, vão faltar R$ 6,7 milhões. É o prejuízo que a arena gerou ao poder público em 2016. O dinheiro deixa de ir para outras áreas sob a responsabilidade do governo do estado, como saúde, educação e segurança pública, e passa a ser usado para cobrir o buraco que o futebol não é capaz de fechar nas contas do estádio.

Foi assim também em 2015, quando o equipamento consumiu R$ 6,5 milhões decorrentes do saldo negativo na temporada.

 

A baixa arrecadação do Mané Garrincha contrasta com a generosidade com clubes e federações de futebol. Na partida mais lucrativa do ano, contra o Palmeiras, o Flamengo ocupou 75% das arquibancadas e pagou um aluguel de R$ 141 mil ao governo do Distrito Federal.

 

A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ), por autorizar o clube de seu estado a jogar noutro lugar, abocanhou 10% da receita bruta: R$ 282 mil. A federação carioca, portanto, ficou com o dobro do dinheiro que foi para o dono do estádio, o governo estadual. Mas a conta não acabou aí. A Federação Brasiliense de Futebol (FBF) não tem nada a ver com a partida, mas também ficou com um naco do dinheiro: R$ 84 mil.

 

O Flamengo, por fim, teve R$ 1,5 milhão em receita líquida, depois de descontadas as despesas da receita bruta. O dinheiro do torcedor brasiliense vai embora enquanto a parte que cabe ao estádio não paga as contas.

 

O governo do Distrito Federal ressalta que em 2016 aumentou a quantidade e a variedade de outros eventos além do futebol. O Mané Garrincha recebeu a 3ª Bienal do Livro e da Literatura, a corrida contra o câncer, espetáculos musicais e dez partidas de futebol da Olimpíada carioca. Também operam dentro do estádio a Subscretaria de Mobiliário Urbano e Participação Oficial, a Secretaria de Cidades, além de uma unidade da Agência de Desenvolvimento do DF, a Terracap – o alojamento de unidades do governo dentro do estádio gera uma certa economia com o aluguel de escritórios fora dele. Apesar dos esforços, o fato é que o estádio de R$ 1,5 bilhão, mesmo com mais atividade, continua a dar prejuízo para o contribuinte brasiliense. E tende a piorar. Com a decisão dos clubes de banir partidas fora do estado de origem no Brasileiro, as viagens de Flamengo, Fluminense e Botafogo a Brasília vão ficar mais raras.(*Por:Rodrigo Campelo)

 

Fonte: *Via Época/Clipping

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