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GLP NAS ALTURAS: Preço do botijão vai de R$ 35 na Ceilândia até à R$ 75 no Plano Piloto. Aumento à partir de hoje

Empresários que vendem ou consomem o produto temem que a medida seja sentida no bolso do consumidor final

O preço do botijão de gás liquefeito de petróleo (GLP) para uso residencial, o gás de cozinha, sofrerá um aumento nas refinarias de 9,8% em média, como anunciado pela Petrobras, na última sexta-feira. O reajuste começa a valer a partir de hoje. Em nota, a companhia afirmou que o valor praticado é sem incidência de impostos. Logo, se for repassado integralmente para o consumidor, o botijão pode subir em 3,1%, cerca de R$ 1,75 por cada produto. A medida não se aplica ao GLP destinado a uso industrial. De acordo com a Associação Brasiliense das Empresas de Gás (Abrasgás), os revendedores foram pegos de surpresa. Aproximadamente 90% dos comerciantes não receberam o comunicado das engarrafadoras. A reportagem do Correio entrou em contato com cinco revendedoras que alegaram não saber do aumento, somente por comentários da mídia.Resultado de imagem para gás de cozinha

Para o presidente da Abrasgás, Jonathans Garcia, o aumento é inadmissível. Ele comenta que não entende como o preço do petróleo reduz e o botijão de gás, que é um derivado desse recurso natural, sofre aumento. “É complicado. Você recebe um anúncio desses, em um momento que a população já está achando o produto muito caro. A gasolina também é um derivado. Por que vejo o preço do combustível diminuir a cada dia, enquanto temos que lidar somente com preços abusivos?”

Resultado de imagem para gás de cozinhaSegundo a associação, na Grande Brasília o preço mais alto é praticado no Plano Piloto, podendo variar de R$ 70 a R$ 75. O valor mais baixo, de R$ 35, foi registrado na Ceilândia. O presidente da Abrasgás explica que essa variação decorre da demanda das cidades. Por exemplo, no Lago Sul, não existe nenhuma revendedora, logo, o trajeto para atender aos consumidores também tem que ser levado em consideração. Enquanto isso, na região de Sol Nascente, a concorrência é acirrada o que facilita conseguir um melhor preço.

Jonathans, que também é revendedor, alega que a população do DF pode sentir o peso reajuste. “O impacto será horrível. Tanto para o consumidor, tanto para o distribuidor. Ao colocarmos um produto mais caro, às vezes, não conseguimos repassar. E entra a pior questão: se nem os próprios revendedores estão sabendo do aumento, imagina a população?”, questiona.

O proprietário de uma distribuidora de gás no Cruzeiro Novo, Wellington Marques, 60 anos, comenta que recebeu o anúncio do aumento do valor do produto somente, ontem, por mensagem no celular da engarrafadora. “Ano passado, nos falaram que os reajustes seriam anuais, mas não estava esperando por esse. Recebíamos uma carta com 30 dias de antecedência para nos adequarmos. Dessa vez, só recebi uma mensagem, sem demais detalhes.” O empresário, que está nesse ramo há 20 anos, diz que se aumenta o preço, em geral as vendas caem cerca de 20%.
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Dona de um restaurante no Cruzeiro Novo, Érica Vanessa Tenório, 37, usa, no mínimo, dois botijões de gás por dia para atender à clientela. O medo dela é de que o produto que ela oferece também fique mais caro e pese no bolso do consumidor. “Tudo que aumenta, que é relacionado à alimentação e a seu preparo, nos impacta diretamente. Não podemos repassar o valor para nossos clientes. Eles não querem saber se vamos sofrer com o aumento, só não querem sentir o aumento na balança.”

Por nota, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) esclarece que a medida parece equiparar, gradativamente, o preço do GLP comercializado internamente ao preço do mercado internacional. O sindicato também espera outros movimentos. Como a baixa do preço do GLP para embalagens maiores que 13kg. Entretanto, eles ainda não preveem o impacto do reajuste para o consumidor final, uma vez que o mercado é livre e os cálculos apresentados são meramente especulativos.(*Por:Carolina Gama)

 

Fonte: *Via CB/Clipping

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