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CPI DA SAÚDE CHEGA A FASE FINAL: Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito se diz "frustado" com os trabalhos

Deputado Wellington Luiz (PMDB) diz que comissão enfrentou 'problemas e fatos estranhos'; relatório passará por ajustes. Governo não comentou afirmações

Os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Câmara Legislativa do Distrito Federal terminam na semana que vem. O presidente, deputado Wellington Luiz (PMDB), se disse frustrado com o resultado final das investigações sobre o caos no setor.


Em entrevista ao G1, ele disse que enfrentou “problemas e fatos estranhos” que “impediram os trabalhos de produzir um diagnóstico mais completo sobre os problemas na cidade”. De acordo com o deputado, o principal entrave foi a falta de informações do Palácio do Buriti.


“Desde o início das investigações, o governo entendeu que a CPI era contra o governo, e não era. Uma série de documentos que foram solicitados ao Buriti não foram entregues e, quando isso acontecer, a CPI já vai ter sido encerrada. Enfrentamos resistências de todas as formas.”


O G1 solicitou à Secretaria de Saúde e ao Palácio do Buriti respostas sobre as reclamações feitas pelo parlamentar. Mas, até o fechamento desta reportagem, não obteve resposta.


CPI da Saúde no DF chega a fase final; presidente se diz 'frustrado' com trabalhosSegundo Wellington Luiz, uma das denúncias que ficarão sem resposta é a de tomógrafos encontrados no Hospital de Base parados e sem manutenção. As máquinas deviam ser usadas no diagnóstico de pacientes com câncer. O deputado afirma que o governo não explicar o motivo do problema.

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“Houve outros problemas de caráter mais político”, reclamou o deputado. Entre eles, o parlamentar cita o fato de o governo ter supostamente proibido os conselheiros de saúde de participarem das audiências. “Muitos dos que foram convocados recorreram à Justiça para permanecer calados. Criou-se uma animosidade.”


Trabalhos encerrados
Extraoficialmente, os trabalhos da CPI já estão encerrados. O relatório final deve ainda passar por ajustes finais antes de ser apresentado em plenário. Wellington Luiz afirmou que irá solicitar, nos próximos dias, uma prorrogação de 15 dias para adequá-lo. “Mas não vamos mais ouvir ninguém, esta parte já acabou”, disse.

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Segundo o presidente da comissão, o relatório final trará recomendações ao Poder Executivo para reduzir os problemas na saúde no Distrito Federal. O setor está em estado de emergência desde o início do governo Rodrigo Rollemberg. O alerta foi renovado pela quarta vez consecutiva em janeiro e tem validade até julho.


“Vamos ser honestos. Sei que o que produzimos não tem condições de resolver os problemas dos hospitais, mas pelo menos podem reduzir a situação de calamidade. Agora, não depende só de nós do Poder Legislativo cumprir essas metas. O Executivo também precisa se comprometer”.


Um dos depoimentos que mais gerou polêmica na CPI foi o da presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde (SindSaúde), Marli Rodrigues. Ela entregou um “organograma” manuscrito e um DVD com gravações que, segundo ela, comprovam um suposto esquema de propina na pasta.


De acordo com os documentos mostrados por ela, quem se beneficiava do esquema eram Rollemberg e a mulher dele. Na época, o governador disse que as acusações de Marli eram infundadas e que iria se pronunciar à Justiça. Em entrevista, o governador disse que a sindicalista iria "pagar caro" pelas acusações.


Composição polêmica
Na composição original, além de ter Wellington Luiz com presidente, a CPI da Saúde tinha o deputado Cristiano Araújo (PSD) como vice. Mas, Araújo pediu afastamento depois de ser implicado na Operação Drácon, que investiga um escândalo de corrupção entre parlamentares e empresas que atuavam justamente na área da saúde do GDF.


Os deputados Bispo Renato Andrade (PR) e Julio Cesar (PRB) também se afastaram por causa das mesmas investigações. Atualmente, o trio, ao lado de Celina Leão (PPS) e Raimundo Ribeiro (PPS), é réu na Justiça após as provas do Ministério Público os envolverem diretamente no esquema.


Já Araújo foi substituído por Sandra Faraj (SD), também investigada em um outro escândalo de corrupção. Ela é suspeita de desviar verba indenizatória da Câmara. Segundo uma denúncia, ela contratou um serviço de comunicação, não pagou, mas apresentou notas ficais pedindo ressarcimento ao erário num valor de R$ 147 mil.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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