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CLANDESTINOS: Prédios de até sete andares são erguidos no Distrito Federal sem autorização

Metrópoles flagra obras irregulares em regiões como Vicente Pires, Grande Colorado e Arniqueiras. Há risco de desabamento, diz Defesa Civil

O escritório é uma barraquinha, montada em frente à construção. Animado, um corretor recebe os clientes.

 

Diz que a obra do prédio residencial, com sete andares, está adiantada. A previsão é de que tudo esteja pronto até o fim do ano.

 

São 36 apartamentos de 46m², com dois quartos: um deles, suíte. Na cobertura, churrasqueira e academia para os futuros moradores.

E o melhor, tudo por um preço bem abaixo do mercado: R$ 150 mil. Por trás do aparente negócio imperdível, uma armadilha, que o corretor não menciona.

Como dezenas de obras em Vicente Pires e áreas de condomínios do Distrito Federal, o empreendimento não recebeu autorização para ser erguido – muito menos, comercializado.

Resultado de imagem para BRUNA PINHEIRO AGEFIS df“Esse prédio foi embargado em 2013, quando ainda eram apenas dois pavimentos. Em 2014, foi interditado. Ano passado, novamente embargado. Sem contar as multas aplicadas”, enumera a presidente da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), Bruna Pinheiro.

 

“O problema é que as sucessivas multas não fazem essas construtoras retrocederem. Agora, só demolindo. Todas as outras ações previstas na legislação nós já tentamos”, admite.

O condomínio, que até já tem nome – Residencial Eldorado –, fica na Rua 4-A, chácara 107, de Vicente Pires. Sua existência também contraria determinação da Administração Regional da localidade, que emitiu ofício proibindo novas construções.

Giovanna Bembom/Metrópoles

 

 “Ressaltamos que todas as construções são irregulares, já que a região ainda está passível de regularização e não possui um plano urbanístico. Por isso, não é possível conceder licença de execução de obras”, informou o órgão, em nota ao Metrópoles.

 

Não é só o prédio da Rua 4-A que ignora a norma da Administração Regional. O lugar ganhou status de Região Administrativa em 2009, a partir do desmembramento de parte de Taguatinga e incorporando as antigas colônias agrícolas Vicente Pires, Samambaia e Vila São José.

 

Não parou mais de crescer, hoje, cerca de 80 mil pessoas moram na região. Inúmeras casas de material de construção dominam o comércio local. Não poderia ser diferente. É possível identificar obras em quase todas as ruas.


Sem supervisão
Algumas construções de Vicente Pires ostentam placas com a identificação de engenheiros ou arquitetos responsáveis, mas a maioria cresce sem supervisão de um profissional capacitado.

 

Uma prática perigosa, que pode levar a grandes tragédias. Foi o que aconteceu em 27 de março, em uma região vizinha, a Colônia Agrícola Arniqueiras, já na Região Administrativa de Águas Claras.

Durante a reforma de uma casa, um pedreiro morreu e outro ficou ferido quando o telhado no qual trabalhavam desabou sobre a dupla (veja vídeo abaixo).

Segundo a Defesa Civil, o acidente ocorreu porque não foram feitos cálculos sobre o impacto do peso extra do telhado. Nenhum profissional habilitado supervisionava o trabalho no local. “O proprietário do imóvel não tinha autorização para fazer a obra, um prolongamento da cobertura externa da residência. O telhado ficaria apoiado à laje da marquise da casa, que não aguentou a sobrecarga”, explicou ao Metrópoles, à época do acidente, o chefe da Defesa Civil, coronel Sérgio Bezerra.

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-DF) enfatiza que engenheiros e arquitetos não costumam pegar construções ilegais. Assim, tudo fica por conta de pedreiros e auxiliares, que não têm formação para calcular os riscos de um desabamento, por exemplo.

“Uma obra estrutural, sem o devido projeto elaborado por profissional habilitado e o seu acompanhamento na execução, pode vir ao colapso, colocando uma ou mais pessoas em risco. Infelizmente, no Distrito Federal, temos visto obras e estruturas  provisórias ruindo constantemente”, lamenta o chefe de fiscalização do Crea-DF, Cássio Lopes.

Em Arniqueiras, por exemplo, uma decisão federal proíbe construções e o trabalho de engenheiros em obras da região. “O descumprimento da decisão judicial acarretará a aplicação de multa, a ser paga pelo profissional que descumprir a determinação, no valor de R$ 1 mil, referente a cada imóvel em que for exercida a atividade profissional”, afirma o Crea. Mesmo assim, na tarde de 7/4, ao circular pelo Distrito Federal atrás de casas e prédios erguidos irregularmente, o Metrópoles encontrou duas obras na Quadra 4 de Arniqueiras, a mesma onde o pedreiro morreu no dia 27 de março.(*Por:Larissa Rodrigues)

 

Fonte: *Via Metropole/Clipping

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