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"VIA SACRA": UPAs restringem atendimento, e pacientes 'peregrinam' atrás de consultas

Unidades de Ceilândia e Samambaia atendiam só casos graves porque estavam 'cheias', diz secretaria. Paciente diz que atendimento foi negado, mesmo com emergências vazias.

Em meio ao feriado de Páscoa, moradores do Distrito Federal tiveram de "peregrinar" na manhã deste sábado (15) em busca de atendimento médico.

Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) de regiões como Samambaia, Recanto das Emas e Ceilândia restringiram as consultas aos casos mais graves, e negaram assistência aos outros pacientes.


Em nota, a Secretaria de Saúde confirmou que as UPAs de Ceilândia e Samambaia estavam trabalhando "com restrição, atendendo apenas pacientes classificados como vermelho e laranja". As cores, baseadas no protocolo de triagem de Manchester, se referem aos casos de "emergência" e "muita urgência".

Sala de espera da UPA de Samambaia, no DF (Foto: Janaína de Jesus/Arquivo pessoal)

 

Sala de espera da UPA de Samambaia

 

 

Segundo a pasta, a restrição foi determinada porque "as unidades estão trabalhando em lotação máxima". Pacientes que procuraram as UPAs na manhã deste sábado disseram que as emergências estavam vazias, frente a escalas com dois ou três médicos.


Com crise de asma, febre, dor no corpo, tontura e ânsia de vômito, a operadora de telemarketing Janaína de Jesus foi classificada com a cor amarela na UPA de Samambaia. No Recanto das Emas, recebeu a pulseira verde, de casos ainda menos graves. Após passar por três unidades, ela voltou para casa pouco antes das 12h, sem atendimento.

 

"Em Ceilândia, nem fizeram a triagem. Fui para Samambaia, peguei a pulseira e me mandaram para outra. Cheguei no Recanto, fiz outra triagem. Se conseguir atendimento, ainda tenho que ir em um hospital, porque aqui não tem pediatria e minha filha de 5 anos também está doente", contou.

 

Como as UPAs não ofereceram ambulâncias para fazer o transporte entre as unidades, Janaína teve de recorrer ao transporte privado. Até as 11h30, ela já tinha gastado R$ 50 em um aplicativo de corridas. Nas três UPAs por onde passou, ela não conseguiu nem um remédio ou uma inalação.

 

Rede indisponível

 

Além das UPAs de Ceilândia, Recanto das Emas e Samambaia, a rede pública da Grande Brasília tem outras três unidades do tipo. A mais próxima da região fica no Núcleo Bandeirante. O G1 tentou contato com a UPA por telefone, em vários números, mas não conseguiu retorno.

As outras UPAs, em São Sebastião e em Sobradinho, ficam a mais de 50 km de distância das unidades que estão sob restrição de atendimento. Em um serviço privado de transporte, como o Uber, a corrida custaria entre R$ 60 e R$ 120, segundo simulação feita pela reportagem.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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