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CIDADANIA: Desperdício Zero arrecada 44 toneladas de alimentos em três meses

Gêneros que iriam para o lixo apenas por estarem fora dos padrões estéticos agora complementam a alimentação de aproximadamente 35 mil pessoas em mais de 140 instituições

"O comerciante entra em contato conosco e, em 30 minutos, no máximo, recolhemos os alimentos"José Deval, presidente da Ceasa


"São produtos que não servem para o mercado por conta da aparência, mas perfeitos para o consumo"Jamal Baclisi, comerciante


O programa Desperdício Zero, da Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa), arrecadou, nos três primeiros meses de 2017, mais de 44 toneladas de alimentos.

Esse total equivale a 54% do volume movimentado pelo programa em todo o ano passado.

O programa Desperdício Zero, da Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF), arrecadou, nos três primeiros meses de 2017, mais de 44 toneladas de alimentos.

O programa Desperdício Zero, da Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa), arrecadou, nos três primeiros meses de 2017, mais de 44 toneladas de alimentos.


Somente em março deste ano, 20 toneladas de produtos foram distribuídas a entidades cadastradas como beneficiárias desta iniciativa no Banco de Alimentos da Ceasa.

O combate ao desperdício, como enfatiza o presidente do órgão, José Deval, está entre as prioridades do governo local. Verduras, frutas e legumes, que iriam para o lixo apenas por estarem fora dos padrões estéticos de comércio, servem agora para complementar a alimentação de 35 mil pessoas em mais de 140 instituições.


Deval atribui esse desempenho a duas ações recentes: a compra de um furgão para recolher doações e a criação de infraestrutura para coordenar as arrecadações.


O processo então ganhou velocidade. “O maior problema era buscar esses produtos com agilidade”, diz Deval. “Atualmente, o comerciante entra em contato conosco e, no máximo em 30 minutos, já recolhemos os hortifrútis”, garante.


Uma equipe percorre as empresas na Ceasa de segunda a sexta-feira. Além disso, os doadores podem pedir que o banco busque os produtos por meio do Disque-doação, no (61) 3363-1204.


Outro canal é o aplicativo WhatsApp, pelo número (61) 99295-1791, ou ainda via e-mail, no endereço bancodealimentos@ceasa.df.gov.br.


Coletas são feitas durante todos os dias de funcionamento

Para facilitar o recebimento, todas as segundas e quintas-feiras — dias com venda direta do produtor —, o furgão fica ao lado do Mercado Livre do Produtor (Pedra) durante toda a manhã.

O comerciante Jamal Baclisi, jordaniano radicado no Brasil há 40 anos — há nove atuando na Ceasa —, é um doador assíduo de frutas para o banco de alimentos.


Somente na manhã de 3 de abril, uma segunda-feira, ele encaminhou cerca de 150 quilos de mexerica e melão. “São produtos que não servem para o mercado por conta da aparência, mas perfeitos para o consumo”, explica.

De acordo com ele, diariamente ocorrem descartes de alimentos. “São frutas menores ou com a coloração um pouco mais opaca, mas com o sabor e a qualidade preservadas, que não vão mais para o lixo”, conta o empresário.

Ele revela que faz questão de acompanhar o destino da doação. “Sempre me dão retorno sobre os lugares beneficiados com os produtos.”


Hortifrútis são cuidadosamente selecionados

Depois de recebidos, os alimentos são inspecionados e pesados pela equipe do banco, que faz a seleção dos que podem ser consumidos.

A seguir, distribuem-se os hortifrútis para a rede de instituições assistenciais conveniadas, de acordo com a quantidade de pessoas atendidas.

O Instituto Vicky Tavares Vida Positiva recebe doações há três anos. A entidade, na Asa Sul, beneficia 17 crianças portadoras do vírus HIV e também assiste 52 famílias.


O gerente do instituto, Ricardo Moraes, calcula que as doações representam 50% dos alimentos servidos aos beneficiados. De acordo com ele, se não as recebesse, teria de comprá-las, o que seria um peso grande no orçamento da entidade.


Novos projetos serão implementados

Para reduzir ainda mais o desperdício, a Ceasa prevê implementar em até 120 dias um projeto para processar alimentos. A ideia é empregar partes melhores no preparo de receitas, desprezando as estragadas. “Muitas vezes, mais de 90% do produto ainda serve para o consumo”, explica o presidente da Centrais de Abastecimento do DF.

O projeto passa pela avaliação de um engenheiro para a elaboração de termo de referência. Posteriormente, a meta é adaptar a câmara fria e contar com ajuda da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do DF (Emater-DF) para o manuseio da comida.

Segundo Deval, existe emenda parlamentar do deputado Joe Valle (PDT) destinada a essa operacionalização.

Como se cadastrar como entidade beneficiária das doações

Para o cadastro de entidades de assistência social, o interessado deve acessar o site da empresa, preencher o formulário de inscrição e entregar, juntamente com os documentos exigidos, ao banco.

 

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